Da responsabilidade do Estado.


vidabreve,

Ana, as declarações desse homem são uma vergonha, não por efeito de qualquer menosprezo colectivo pela responsabilidade individual mas porque implicam a desresponsabilização do Estado e das polícias, que têm o dever de manter as estradas seguras quer os mortos “cooperem” ou “não cooperem”. Ao sugerires que a culpa é dos condutores esqueces que para além dos que provocam acidentes também existem os outros, que não bebem, não aceleram e ainda assim morrem na estrada.

 

Aliás, pelo teu raciocínio esquecíamos a avaliação quantitativa do número de acidentes e das vítimas: dizia-se que a responsabilidade era nossa e acabava-se a conversa. Ou seja, tínhamos o Governo e as instituições postas em sossego, sem necessidade de responderem pelos resultados das suas decisões. Eu até compreendo que lhes dê jeito: quando no próximo ano avaliarmos a evolução da pobreza e das desigualdades é bem provável que a conversa regresse.

 

Era só o que faltava.

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