O melhor do possível


jmmcc,

Um ligeiro e rápido exercício permite-me encontrar o lado melhor do resultado eleitoral, resumido a quatro pontos essenciais que deverão marcar o novo ciclo político.

 

1. O PS vê-se obrigado a abandonar a pose de arrogância adoptada enquanto o Parlamento andou esvaziado de funções pela maioria absoluta que foi garantindo vida fácil ao Executivo.

2. O Parlamento regressa à sua vocação como espaço de diálogo e debate e de discussão de ideias e projectos, indispensável a um regime como o nosso.

3. O PS vai reaprender a ouvir as oposições e a negociar com esta ou com aquela, de acordo com as matérias em apreço.

4. O novo Executivo é suportado por uma maioria relativa parlamentar, mas confortável q.b. para poder governar durante uma legislatura completa um país pouco mais do que ingovernável e a atravessar uma crise que só tem paralelo na Primeira República.

 

Saiba o PS reaprender a prática democrática, para responder à oportunidade que lhe foi oferecida por quem exige que se corrija. Se o fizer, talvez o que agora parece possível venha a ser desejável.

18 comentários em “O melhor do possível”

  1. este resultado só pecou por não permitir ao PS constituir uma maioria com qualquer um dos partidos mis pequenos.
    A existência de mais alternativas, para alem do CDS, aumentava a probabilidade de completar a legislatura.

    Miguel

    1. Governar em democracia exige ter imaginação na prática política. Designadamente, na vida parlamentar. Ter a vida facilitada, como se viu, garante coisa nenhuma (a meu ver).

  2. O PS está agora na pele de um equilibrista a atravessar a corda bamba. De ora em diante, sem a segurança que lhe dava a larga plataforma que até agora podia percorrer da forma displicente e descuidada como até agora fazia, (com a vantagem acrescida de ter ainda por baixo a rede que nunca o deixaria cair ao chão), este PS vai agora, final e felizmente, ter de saber conviver com os seus pares de uma forma dialogante, deixando cair de uma vez por todas a sua insuportável pose de arrogância. Daqui para a frente, embora a contragosto, vai ter de aprender a expressão ‘convivência democrática’.
    Quanto ao mais, desta noite eleitoral, para mim apenas duas pequenas surpresas: a enorme subida do CDS e a não tão grande (como esperada), subida do BE. Tudo o resto, estava já por demais escrito nas estrelas.

      1. Sim, sim, deve ser isso. Louçã, tem agora o resultado de não ter “frequentado as peixeiras”, como o fez Portas… E se fosse só estas que ele “frequenta”…

        1. Cheira-me que Paulo Portas não é um frequentador frequente. Cheira-me que não e cheira-me a peixe. Se ele regressar ao governo, vai mandar a ASAE a todos os mercados e lotas para ver se os encerra e se nunca mais precisa de frequentar as sessões de filetes de beijocadas e de abraços às postas.

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