O medo e a coragem.


Luís Menezes Leitão,

Um dos ataques mais brutais à civilização ocidental é a criação de um clima de medo que acaba por condicionar a liberdade de expressão. O exemplo desse medo é a fotografia abaixo referida que encontrei na internet. Para ilustrar o ataque é exibido o jornal atacado, mas o órgão de informação recusa-se a exibir a caricatura de Maomé que o jornal tinha publicado.

 

É por isso que me parece de especial louvor a capa do i de hoje que o Pedro reproduz abaixo. Penso que foi o único jornal que se atreveu a quebrar um interdito que o medo está a criar: a interdição nas sociedades ocidentais, por natureza laicas, de representações do profeta Maomé. Os terroristas estão neste âmbito a criar através do medo uma censura implícita que os jornais consciente ou inconscientemente aceitam. O i não aceitou esse condicionalismo e com isso prestou uma muito melhor homenagem às vítimas do que a colocação de um fundo negro no jornal. Hoje por isso tive um grande orgulho em ser colunista do i.

0 comentários em “O medo e a coragem.”

  1. Tens toda a razão em orgulhar-te disso, Luís. Porque essa capa revela uma coragem exemplar. Infelizmente rara neste tempo em que tantos claudicam perante o terror.
    Porque é muito mais fácil elaborar uma capa em fundo negro com a legenda ‘Je suis Charlie’, inócua e vazia.
    Honrar os mortos é reproduzir-lhes a obra, propagando o que mais incomoda os talibãs. Celebrar a liberdade de imprensa é não ceder aos novos inquisidores.
    Sem medo.

  2. Não vejo que seja necessário coragem para oferecer um cartoon bem elaborado, nada ofensivo e com um sentido bem definido como esse do jornal i que refere.

    Aprendi de meu pai, aos dezoito anos, que a verdadeira coragem não se revelava por aceitar-se o confronto extremo, mas por evitá-lo e até mesmo virar as costas a este. Porque é aqui que o Homem revela o verdadeiro domínio de si mesmo.
    No caso em apreço continuo a afirmar que ali não está nenhum acto que visa coarctar a liberdade de expressão. Mas sim um acto de vingança sanguinário por parte de alguém que se sentiu frustrado por não ter encontrado eco a petições anteriormente elaboradas.

    Espero que este caso não esteja aí para criar na opinião pública a ideia que tudo quanto de errado ocorre e ocorreu no médio oriente justifica-se por este facto.

    Creio que a verdadeira coragem que necessita ser desenvolvida na sociedade actual é a capacidade para contrariar informações demasiado elaboradas mas pouco consistentes. A mente também se vicia.
    É necessário muita força para não permitir que o choque impeça o desenvolvimento desta coragem.

    1. Como esperado um marxista a mentir com textos dignos do newspeak the 1984.

      O cartoon do I é ofensivo porque representa Allah, essa é a primeira.

      Para você escrever este pusilânime texto veja-se as manipulações do que escreve. Você tem de escrever de modo a parecer que antes das piadas do Charlie Hebdo nada se passou, não houve milhares de mortos com base nos escritos do Islão.
      Tudo começou com Charlie Hebdo .

      “continuo a afirmar que ali não está nenhum acto que visa coarctar a liberdade de expressão.”

      “alguém que se sentiu frustrado por não ter encontrado eco a petições”

      Tal como um marido bate na mulher porque esta não o ouviu. O pobre homem estava frustrado.

      Tudo conversa para tansos e parvos vindas do manual do PCP.

  3. Muito bem.
    Os terroristas não cortaram a página de internet do Charlie, mas ela foi logo substituída por imagem, e perdeu-se entretanto o acesso à página anterior.

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