O longo braço de Mohammed VI


modosdever,

Sabíamos, enfim sabia quem sabia, que em Marrocos há três coisas que convém não discutir para não incorrer na ira do regime, que são Maomé, o rei e o Sara Ocidental, o que não sabíamos, e passámos a saber, é que o longo braço de Mohammed VI chegou à Covilhã, aparentemente através de uma cartinha, e levou a direcção da Universidade da Beira Interior a proibir a realização nas instalações da escola da conferência “Sahara Ocidental: a luta pela autodeterminação de um povo, promovida por estudantes de Ciência Política e Relações Internacionais. Isto em resumo do que os jovens fizeram saber pelos próprios meios uma vez que a comunicação social passou mais um dia às voltas com a puta da Caixa. A iniciativa acabou por realizar-se, nas instalações da Assembleia Municipal, mas ficou em muitos de nós, de outras épocas e memórias, a vergonha de ver abandonados à ocupação marroquina aqueles que há anos estiveram ao nosso lado contra a indonésia de Timor-Leste. Dixit.

28 comentários em “O longo braço de Mohammed VI”

  1. Segundo entendo do comunicado lincado, o “longo braço” do rei de Marrocos ter-se-á resumido a uma carta na qual não terá sido solicitado o cancelamento da conferência. Aparentemente foi a direção da universidade quem decidiu, por seu livre arbítrio, cancelá-la. Nenhuma culpa por esse cancelamento pode ser atribuída ao “longo braço”.

      1. Eu não li a carta, Fernando Sousa. Só li o comunicado lincado neste texto. E nesse comunicado diz que “em momento algum nesta carta estava explícito que se tinha como objectivo proibir ou censurar a conferência na Universidade”. Portanto: a carta não solicitou que se cancelasse a conferência. Portanto: a direção da Universidade tomou uma decisão que não lhe foi solicitada.

  2. Errata: não a direcção da UBI, mas sim a direcção da FCSH da UBI.
    E ponhamos os nomes aos bois:
    Pedro Ferreira Guedes de Carvalho, Presidente
    Helena Maria Batista Alves, Vice-Presidente
    Aldo Filipe Matos Moreira Carvalho da Costa, Vice-Presidente

    Aguardemos agora pela versão deles.

  3. Por questão de justiça: note-se que o comunicado do NE omite o nome da pessoa (ou pessoas) que supostamente o deveria assinar, em representação do mesmo Núcleo.

  4. Vejamos as coisas pelo lado positivo: aqueles alunos tiveram direito a uma aula prática de Ciência Política que vale por cem cursos teóricos.
    O que aprenderam e o que vão fazer com isso, mais tarde se verá.

    1. Concordo, Anónimo. E, sim, mais tarde se verá o que vão fazer com isso. Mas para já parece-me positivo que uma geração tão pouco mobilizada como a actual se interesse por um caso tão antigo e esquecido.

  5. É o Sara Ocidental e Olivença. Por cá também tentaram impedir uma festa castelhana celebrativa da tomada de Olivença.

  6. E por que razão tem o título de ser faccioso numa conferência universitária? Dá entender que o conteúdo também é politicamente anquilosado, à boa maneira comunista ou islâmico-comunista dado o alinhamento da Frente Polisário. Querem universidades tendenciosas com programinhas à PSR o melhor é irem para Cuba.

    1. Ui, estamos muito agressivos!… Não, eu não acho nada disso, não vejo porque é que uma reivindicação absolutamente coberta pelo direito internacional não há-de ser objecto de interesse de uma escola onde se estudam relações internacionais…

      1. Garanto que não tem nada de agressivo — creio que nestas questões o espaço de debate numa universidade deve tentar permanecer neutro porque nestas coisas só existem lados e a instituição como espaço aberto de conhecimento deve fazer o esforço para não ser feita refém por nenhum deles.

        1. Percebo o seu ponto e partilho da sua preocupação. Porém e com disse antes entendo que a questão saraui quanto mais falada e discutida melhor, como outrora defendi sobre Timor-Leste. E esta para mim só tem um lado: o direito dos sarauis a pronunciarem-se livremente e sem quaisquer demoras dilatórias e outros constrangimentos à autodeterminação.

          1. OK, direito a pronunciar-se toda a gente tem. Mas para restabelecer “autonomias” naquelas paragens já vimos o que vem depois. Como Português, Europeu, Ocidental e anti-Islâmico, acho que o Reino de Marrocos nos serve melhor do que uma nova rua árabe.

            Mas para mais conheço mal a história da ideia do “Saara Ocidental”. Vou investigar melhor.

          2. Investigue, V., investigue. Talvez venha a descobrir que os sarauis não são tão islâmicos como pensa, que não representam ameaça para ninguém e que têm o mesmo direito à vida do que outro povo qualquer.

          3. “O homem é o único culpado da sua própria perdição.”
            Maomé

            A perdição das oposições e não da aceitações.

  7. É um absurdo desmedido a interferencia do reino feldal do Marrocos numa atividade acadêmica, de estudantes de uma Universidade de um país soberano. O que o rei marroquino teme é que o mundo tenha conhecimento da ocupação ilegal, do muro da vergonha de 2700km, das mais de 10 milhões de minas terrestres e das violações diárias dos direitos humanos dos saharauis. O rei Mohamad VI teme que o mundo saiba que ele age igualmente aos sionistas de Israel, que lhe prestam apoio e “cooperação técnica” para a repressão aos saharauis. Enquanto o rei gasta milhões de Euros em suas viagens e orgias pelas ilhas gregas, o povo marroquino passa do faculdades de moradia, alimentação e assistência à saúde. O Sahara precisa ter o seu território de volta e construir seu país livre e soberano!

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