O livro, este ou outro, pouco importa, é um parto com urgência, sem epidural, sempre sofrido e ansioso. Quem disser o contrário, mente. Publicar é, porventura, um dos actos de maior exposição e risco que conheço. Podemos levar pancada de muitos lados e a mesma quantidade de mimos e elogios. Há um lado de vaidade na publicação. Sempre que deitamos um livro para o mercado somos alguém com uma bandeira que afirma que temos algo para dizer.
A vida talvez seja só três dias, como o Carnaval. Nunca tive pressa de publicar e sempre escrevi. Desde que tenho memória. Tudo começou com uma máquina de escrever rudimentar e há umas fotografias a preto e branco que mostram que aos sete anos já escrevia na mesma posição. Têm alguma graça, embora sejam tristes. A tristeza faz parte da escrita, da minha. Não o afirmo com um sentido trágico, apenas pragmático. O que virá a seguir pode ser outra coisa.
Hoje recebi a capa finalizada do livro novo e pensei: Não sei se tenho coragem. Imediatamente depois deste pensamento bizarro, tive um ataque de riso. Afinal, é só um livro, mais um filho. E os filhos, como se sabe, são do mundo, um empréstimo a curto prazo. Neste caso, dois anos depois de ter começado a escrever, é tempo de deixar a criança ir. E, em Março, aí estará. Para que a cabeça não comece a fazer demasiadas perguntas comecei a escrever outra coisa. Acho que será sempre assim. Tudo se desfaz, mas os gestos são os mesmos.

Belo texto, amiga. Às vezes servem, também, para não soçobrarmos. Uma espécie de muleta, uma forma de sair do mundo. Deste mundo.
Sim, uma salvação. Este posso dizer: terminei depois de uma troca de emails contigo sobre os filhos. E nunca me esqueço da tua frase: sou solidária com os meus filhos até na asneira.
Este livro nasce disso, de tentar perceber como nascem de nós e, depois, parece que crescem contra nós. É uma fase, dirás. Seja como for, é ficção e nada autobiográfico. É um road book em vez de road movie. A ver, como diz o outro. Beijos querida
Não sei se escrever é um acto de coragem, de vaidade ou apenas e só uma necessidade. Ou um pouco de tudo isso, ou tudo isso e mais uma data de coisas. Pouco importa. Quem escreve não tem a opção de parar de escrever, quer publique ou não. É um parto, como dizes, e um parto tem de ir até ao fim, por mais sofrido que seja. Parabéns por mais um livro, Pat. Que venha cheio de saúde e que saia à mãe na coragem… 🙂
Bjs
Ahh, que beleza 😉
Um dia alguém disse que escrever era um acto de profunda solidão.
Aceito em parte esta máxima. Escrever é um gesto de muita solidão até que…
…alguém nos lê! Nesse instante o isolamento esvai-se como água por entre os dedos.
Vou estar atento no próximo mês de Março. Até lá coragem!
Aproveito o seu post, não para o comentar, mas para lhe pedir ajuda sobre a nossa língua.
Tenho um amigo Norueguês, que está a aprender Português e frequentemente coloca-me questões às quais, normalmente, não sei responder. A última foi sobre como usar o verbo ser/estar. A Prof explicou-lhe que “ser” é definitivo e “estar” é transitório.
Ele dizia “hj é bom tempo” ..” F é morta” e a Prof emendava para “está”…Perguntou porquê, e ela disse-lhe que o tempo “transita”, e até a morte, na cultura judaico/cristã, é uma transição (para outra vida). Aceitou…Tudo bem!
Hj perguntou-me, pq não se diz “o Passos Coelho ESTÁ 1º ministro” e sim É…(se é transitório). A Prof dele pelos não soube responder e eu tb não. Pode ajudar-me? Obrigado e desculpe. Um abraço
Bom dia, não sou professora de português ou linguista, no entanto o PM está primeiro ministro por ser transitório, não o é para o resto da vida, assim como o dia está bonito e o Carlos está um rapaz bonito (que pode transformar-se rapidamente num monstro). Diria que a questão é esta. No entanto, para melhores dicas consultem na net uma coisa que se chama ciberdúvidas. Bom fim de semana (e o português é tão difiícil!)
Obrigada pela sua atenção.