Fotografia do Chockwé, na bacia do Limpopo, hoje. Chockwé era, para quem só conheceu o Moçambique antigo, a vila Trigo de Morais. E ver este panorama provoca o susto das cheias, lembra a terrível, desgraçada, entrada do milénio, primeiro aqui a sul, no ano seguinte também a norte, no Zambeze e arredores.
Talvez não, talvez que a desgraça venha a ser bem menor. Tudo o indica. Que os céus, vias da água, nos protejam.


Mas isto é uma desgraça?
As cheias, em princípio, são uma coisa boa, fertilizam as terras com sedimentos trazidos de montante.
Nos sítios onde há cheias, das duas uma: ou as pessoas não constroem, ou constroem mas não deixam nos andares térreos nada que possa ser estragado pela água.
Não é para mim claro que os moçambicanos não saibam perfeitamente que aquele local é suscetível a cheias, e não estejam a contar com elas.
Luís, infelizmente nestas inundações já morreram 40 pessoas, há milhares de desalojados e o Limpopo atingiu 9,8 metros, muito próximo do nível de 2000.
A história da humanidade passa pela habitação das zonas alagadiças – por via fluvial e, secundariariamente, pelo peso das chuvas, as enxurradas. Mas para nos ficarmos mais perto dos dias de hoje e do contexto domimante deste nosso DO lembro-me dos programas do Arq. Ribeiro Teles sobre a demoníaca construção em torno de Lisboa, nas zonas aráveis e lençois de água. Já para não falar da grande enxurrada madeirense, há tão pouco tempo, e que a memória portuguesa, tão selectiva é, se esforçou por catalogar como “desgraça natural” e esquecer (juridicamente, musicalmente, poeticamente, filmicamente, narrativamente, politicamente, e todos os outros “mentes” que se escolherem – nenhum “mente” se dedicou ao enxurrismo provocado pela especulação madeirense).
Quanto ao resto, por aqui: chove numa zona de aluvião mas acima de tudo de agricultura irrigada (chockwé é o actual nome do regadio de Trigo de Morais, obra emblemática do fomento agrícola do regime colonial português). Os sistemas de aviso populacional não funcionaram a tempo, está visto [chama-se Instituto Nacional de Calamidades – teve um mau momento há uma década, teve um excelente momento nas posteriores cheias a norte, no meio da década passada, quando chefiado por um quadro moçambicano de grande calibre, Zucula]. Mas o fundamental disto é até ontológico: a natureza não se deixa dominar tanto como nós, homens, achamos possível
Apesar de mortes, desalojados e mts outros problemas, só tenho uma palavra ….SAUDADE!
Não tivesse o “pavor” ao avião, acho que já tinha voltado mtas vezes. Todos os dias “passeio” no Google por aquela terra, que é a minha 2ª pátria e só vivi lá 3 anos!(dos 10 aos13).
SAUDADE E MUITO AMOR!
Anos marcantes e terra marcante.
Permita-me, com respeito pela sua fobia, referir (como tantos lho devem ter feito já) que o aviao é o meio mais seguro de viajar.