O leopardo, o gato e o gelo


Pedro Correia,

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Durante anos, que se prolongaram por décadas, Ricardo Salgado foi uma espécie de imperador absoluto da banca portuguesa, bafejado por uma poderosa lei não-escrita: a lei do silêncio. Chegou a ser o homem mais influente do País, mas sempre atrás do biombo, sem se expor ao desgaste das aparições quotidianas a que se sujeitam os decisores políticos.

Mandava, sem parecer que mandava.

 

Largos milhares de portugueses escutaram-no anteontem pela primeira vez na longa audição que protagonizou na comissão de inquérito ao caso BES na Assembleia da República. Conheciam-no de nome, de fotografia, de imagens fugazes dos ecrãs televisivos. Mas ignoravam quase tudo quanto à capacidade de expressão, ao domínio vocabular e às modulações de voz do homem que foi acumulando uma espiral de dívidas ocultas por detrás da aparente solidez do seu couraçado financeiro, afinal um gigante com pés de barro.

Pudemos escutá-lo durante dez horas graças aos canais televisivos de notícias, que desta vez desempenharam uma verdadeira missão de serviço público, pondo de lado as irrelevâncias do futebol. Mas o que escutámos, ao longo de todo esse tempo, não nos permitiu descortinar o rosto humano oculto sob a máscara que em momento algum Ricardo Salgado desafivelou.

 

Recebido com rara deferência no Parlamento, onde entrou por um acesso inusual, ao abrigo das indiscrições fotográficas, e poupado a perguntas verdadeiramente incómodas pela maioria dos deputados (destaco, como excepções, Mariana Mortágua, Miguel Tiago e Carlos Abreu Amorim), Salgado continuou a comportar-se como Dono Disto Tudo.

Sem nada esclarecer.

 

Terá ele dificuldade em «lidar maravilhosamente com a verdade”, para utilizar a saborosa expressão ontem proferida pelo empresário Pedro Queiroz Pereira também na comissão de inquérito?

Alguns indícios apontam nessa direcção.

Afirmou, por exemplo, que o governador do Banco de Portugal nunca lhe terá dito que recusava a sua solução de continuidade para a comissão executiva do BES – e não tardou a ser desmentido pelos correios electrónicos entretanto divulgados por Carlos Costa. Sugeriu que o contabilista do GES estava desaparecido em parte incerta – e afinal Machado da Cruz já contactou o Parlamento, manifestando-se disponível para comparecer perante os deputados. Confessou ignorar que as reuniões do Conselho Superior do GES era gravadas e foi de imediato contraditado pelo primo: ouvido também na comissão de inquérito, José Maria Ricciardi não deixou lugar a dúvidas, afirmando que o gravador se encontrava bem visível na mesa das reuniões.

 

Sem nunca abandonar a pose esfíngica, aquele que – para usar outra metáfora de Queiroz Pereira – se encontrava há muito sentado sobre um “castelo de cartas” foi incapaz de desfazer por um instante a expressão de aço para emitir um pedido de desculpa aos pequenos e médios accionistas que nos últimos anos financiaram o grupo com as suas poupanças entretanto desencaminhadas para operações de alto risco cujo destino ainda hoje em parte se desconhece.

Salgado, com gelo ancestral no olhar e na voz, citou pausadamente um velho provérbio chinês: «O leopardo, quando morre, deixa a sua pele. O homem, quando morre, deixa a sua reputação.»

Mas talvez outro provérbio, também chinês, seja mais adequado às circunstâncias que agora enfrenta o antigo rei-sol da banca que viu o seu império ruir: «É difícil agarrar um gato preto num quarto às escuras. Especialmente quando o gato não está lá dentro.»

74 comentários em “O leopardo, o gato e o gelo”

  1. os canais televisivos de notícias, que por uma vez desempenharam uma verdadeira missão de serviço público

    Não vejo bem como é que pode ser serviço público todos os canais transmitirem, durante horas a fio, o mesmo espetáculo. (Se é que foi isso que aconteceu – eu não presenciei.)
    Se o canal parlamento, que é um canal aberto, já transmite, para que são necessários os restantes?

    1. e o sr. tem a cabecinha para quê?
      será que consegue pensar com ela ou é só para pentear
      ou ficou com pena de perder a casa dos segredos?
      IRRA!

  2. “Chegou a ser o homem mais influente do País”

    Não me parece. Os seus interesses é que estiveram coincidente com os interesses de boa parte das pessoas do país. Foi o Banqueiro Social.

    É o espelho de como é o tipologia do Poder em Portugal.

    É o nosso espelho. Aliás não é surpresa que o PS, o dono do regime, seja o partido de quem está mais próximo.

    Quando leio as teias de amizades, compradios e silêncios, vejo um grupo português, não um corpo estranho, não vejo uma empresa super eficiente apanhada pela ambição desmedida. Vejo falta de pensamento estratégico, falta de cuidado, meia bola e força.

    1. Era tão influente que bastou uma frase dele na televisão para o primeiro-ministro da altura, em Abril de 2011, fazer o pedido de resgate às instituições financeiras internacionais.

  3. Convém realçar que o DDT expôs-se de forma invulgar durante o mandato de Sócrates, até mesmo esteve presente na NYSE na semana de Portugal.
    Afirmou também que as políticas eram as correctas. E eu entendi nessas aparições feitas e na entrevista dada que estávamos perante o canto do cisne.

    Por ter percepcionado isto e mais alguma coisa num debate aqui no DO, com outro delituoso de nome rmg, em que este me falava sobre as virtudes do sistema bancário nacional, tive oportunidade de dizer que “a história deste sistema bancário já tinha começado a ser escrita, e que o futuro mostraria mais” (foi algo assim).

    Hoje já sabemos todos quem afinal viveu acima de suas posses ao ponto de nos fazer viver acima das nossas posses em período de crise: os diversos governantes, a banca e todos os demais que giravam em torno deste circo.

    1. Meu caro amigo Vento

      “Sobre as virtudes do sistema bancário nacional” dá pano para mangas e não me lembro de alguma vez as ter referido como “virtudes virtuosas” ainda que se tenha discutido aqui por mais de uma vez o sistema em si e no seu conjunto.

      E o sistema bancário nacional terá virtudes e “virtudes”.
      Fica esta como “disclaimer”…

      Um abraço bastante delituoso

      1. Abraço amigo também para si e os votos que tudo esteja sereno com a família.

        Na realidade discutimos este tema no diálogo a propósito de Espanha e Portugal.
        E o meu amigo chegou mesmo a fazer uma referência a um banco nacional. Daí a minha resposta sobre as “virtudes” do nosso sistema.
        Estou em crer que ou foi num post do Pedro Correia ou do Luís Leitão, penso ter sido num post deste último. Cheguei mesmo a afirmar que Espanha era um país de nações. Recorda-se agora?

        1. Agradeço o seu constante cuidado, nunca se esquece.
          Não está tudo sereno mas é para a frente que se faz o caminho.

          Não me lembro mas confio na sua boa memória, a minha tem andado ocupada por com muitas “guerras”, também daí o intervir menos aqui, facto de que já me penitenciei junto do nosso amigo Pedro Correia e prometi-lhe voltar ao bom caminho.

          Mas desde que as virtudes venham com aspas, como convém às que compensam os vicíos privados, só podemos ter estado de acordo.

          Quanto à sua referência a Espanha foi noutro contexto e dessa lembro-me e encontrei-a :

          http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/independencias-6830785

          Outro abraço

          1. Caríssimo rmg,

            essa é uma repetição do que penso. Mas a mesma (frase) foi também abordada no contexto que referi no anterior comentário.

            Abraço renovado

  4. Concordo com a leitura que fez do que aconteceu, na Comissão Especial para o caso BES, na AR, no dia em que os Espíritos Santos foram ouvidos.
    Todavia, não gostei da resposta apressada do Governador do BdP que, mal o Ricardo Salgado acabou de falar, já estava a apresentar publicamente documentos que contrariavam a versão de alguns factos, por ele apresentados. E não gostei por duas razões: se aqueles documentos não estavam em segredo de justiça, o BdP já os devia ter disponibilizado à AR, para que os deputados melhor pudessem questionar o Ricardo Salgado; por outro lado, ao responder tão prontamente, parece-me que o Governador está a dar importância de mais ao depoimento do ex-banqueiro que, pelo que se viu, não é assim tão importante como fazia crer e, além disso, acho que o BdP, como Regulador que é, deve reagir de forma ponderada e não a quente, como desta feita aconteceu.

  5. Os canais televisivos prestam um serviço público quando escutam um malandro destes a dizer o que lhe convém, não contribuindo nem com uma vírgula para o apuramento da verdade? Irrelevâncias por irrelevâncias, mais valem as do futebol, que entretêm e alimentam paixões.
    Para que servem tantos canais informativos se tantas vezes se limitam a transmitir os mesmos directos, sem que haja um único que apresente uma alternativa?

    Quanto à poderosa lei não escrita do silêncio, um desabafo: sonho com o dia em que haja uma comunicação social dependente exclusivamente dos seus leitores/ouvintes/espectadores.
    É um verdadeiro pesadelo esta realidade em que, seja pela posse total ou parcial ou simplesmente através da publicidade, os dois ou três donos disto tudo conseguem condicionar mais a os órgãos de informação do que o tenebroso lápis azul do Salazar.
    Claro que quando acordo desse sonho apercebo-me de que a “libertação” da comunicação social virá no dia de são nunca à tarde. Ou, como diziam os indomáveis gauleses do Asterix, amanhã não será a véspera desse dia…

    1. O jornalismo é política. E o primeiro condicionalismo do jornalismo é política dos jornalistas, não é o patrão ou o anunciante.

  6. todos os provérbios são chineses, nos tempo que correm, tal qual todos os gatos acabam por ser pardos à noite, na china e não só.
    e todos parecem ser parvos, a qualquer hora e em qualquer lugar (que é martini, segundo um antigo provérbio chinês).

  7. Bom dia Caro Pedro Correia,
    o meu nome é Cláudia Fonseca e sou colaboradora do PINN(Portuguese Independent News Network). Gostaria de lhe fazer uma proposta. Se me enviar o seu email para o meu, agradecer-lhe-ia.
    claudia.fonseca@portugueseindependentnews.com

    Obrigada e cumprimentos,
    Cláudia

  8. Esta comissão de inquérito e as pessoas chamadas a depôr não é mais do que um espectáculo onde os inquiridores (deputados) se acotovelam e se vão colocando em bicos-de-pés para terem a oportunidade de “brilharem” com as suas supostas questões incómodas. Na minha modesta opinião (e já a expressei num comentário noutro blog) Ricardo Salgado comeu-os de cebolada. 10 horas a ser inquirido às mais diversas questões dos mais variados deputados e a todas deu resposta (com excepção do affair Angola, que me parece ser o cerne da derrocada do BES). Pode-se duvidar da veracidade das suas respostas, mas parece-me que existe uma tendência para dividir a gestão do BES em Gestão Boa e Gestão Má: a Gestão Má estaria inteiramente a cargo de Ricardo Salgado; a Gestão Boa estaria a cargo do forcado endinheirado Ricciardi e do ganadeiro Queiroz Pereira. Conta-me estórias de embalar…

        1. É como o outro, agora recluso. A culpa era do presidente, do banqueiro, da oposição, da crise internacional, da chanceler alemã, do aquecimento global, dos extraterrestres. De todos menos dele.

          1. O outro, agora recluso, veremos quanto tempo vai estar recluso. Claro que, se for acusado e condenado, virão as luminárias proclamar o funcionamento exemplar da justiça; mas se não for acusado ou mesmo sendo acusado, se for dado como inocente, lá teremos um coro de indignados a proclamar contra a justiça dos interesses, as cabalas e a maçonaria e outras maldades. De momento, está indiciado pela prática de 3 crimes (2 deles complementares um do outro). Não se trata de julgá-lo politicamente como se pretende misturar. Esse julgamento já ele teve 3 vezes, o último em 2011, nas eleições que perdeu. De facto, o homem dizia que não tinha culpa de nada (dou de barato a incorrecção desta afirmação, claramente tendenciosa); convinha talvez acrescentar que essa atitude desculpabilizadora vinha na sequência dos que afirmavam que ele era culpado de tudo. Cheguei mesmo a pensar que a micose do meu cão tinha sido provocada por uma entrevista que ele tinha dado. Mas os meus receios vieram a revelar-se infundados e manifestamente exagerados.

    1. Não diria que o Ricardo “comeu” os deputados, embora algumas questões ficassem mal explicadas, até por que, na verdade, o DDT deu várias vezes o flanco.
      Concordo consigo quando diz que o poço (muito fundo) de Angola, foi que serviu de espoleta à “bomba” que foi o estouro do grupo ESanto (GES + BES) . Neste particular, o “desconhecimento” que disse ter, evocando aquelas desculpas esfarrapadas (de que o BAngola mandou cortar o cordão umbilical do sistema informático do BESA a Lisboa e de que o Sobrinho não prestava contas, por cauda do segredo bancário a que estava sujeito naquele país), não colhem de maneira nenhuma.
      E também ficou muito mal esclarecida aquela estória da garantia irrevogável do BAngola (a favor de quem e garantindo o quê?), que ele foi agradecer, mais o Proença, ao presidente Santos. Como muitas dúvidas deixou quando falou do “contabilista”.
      Concluindo, a procissão ainda vai no adro, mas que o Salgado não comeu todos os deputados da Comissão, não comeu. E a pose que ainda apresenta poderá cair qualquer dia – ele vai voltar à AR e o MP continua a investigar, como a investigar continuam alguns jornalistas que não são fáceis de comer…

      1. Este processo tem revelado algum do melhor jornalismo de investigação em Portugal. Ao contrário do que é moda agora dizer-se, os jornalistas também investigam. Mais: se não fossem os jornalistas, não haveria a grande maioria dos processos-crime com maior relevância neste país de “brandos costumes”.
        Quanto ao contabilista, mais uma notícia, ainda fresquinha:
        http://expresso.sapo.pt/o-depoimento-do-contabilista-que-desmente-salgado=f902466

      2. Exagero à parte (comê-los de cebolada), o esperado esmagamento de Ricardo Salgado com o bombardeamento de perguntas feitas pelos deputados, algumas de inusitada agressividade (vide Carlos Abreu Amorim) não se confirmou. E sejamos claros: a comissão de inquérito (ou parte dela) já tem uma posição definida quanto à culpabilidade de Ricardo Salgado e à inocência de todos os outros administradores do BES. Dúvidas houvesse, atente-se na bonomia e, às vezes, espírito de galhofa com que foram ouvidos os outros intervenientes. A piadola do PQP fez saltar gargalhadas sonoras a parte dos deputados. Fez-me lembrar uma outra comissão de inquérito, ao BPN, onde a inquirição a Oliveira e Costa foi feita em clima de amena cavaqueira, enquanto o governador de BdP de então, Vitor Constâncio, era alvo das perguntas mais manhosas por parte do encarregado-mor para o efeito, nomeado pelo PP. O circo está montado e todos sabemos a finalidade do mesmo.

        1. Há quem, espantosamente, tenha certezas inabaláveis quanto à inocência de Ricardo Salgado na derrocada do banco e do grupo Espírito Santo. Nem é preciso haver comissão de inquérito nem processo-crime algum: essas certezas permanecerão inabaláveis, haja as evidências que houver.

          1. De que planeta acaba você de desembarcar? O advogado de Salgado é presidente de um dos maiores grupos de ‘media’ nacionais. Basta isto. Mas há mais: um dos editorialistas mais influentes em matéria económica fez durante meses uma campanha despudorada a favor de Salgado e do seu grupo. Tenho a colecção completa desses textos: dá uma boa caderneta de cromos.
            Para mais tarde recordar.

          2. Ponha lá no outro prato da balança todos os artigos de opinião e comentários diversos contra Ricardo Salgado. Adicione a posição inequívoca dos partidos do governo na tentativa de juntar o caso Sócrates e o caso BES. A balança é bem capaz de adornar para esse lado. O planeta é o mesmo, a isenção na análise é que não.

          3. Debate complicado, este. Menciono factos concretos e você vem retorquir com achismos, ao melhor jeito das conversas de café. Com o peso de tanto achismo não há pratos de balança que resistam.

          4. Se quiser, posso dar-me ao trabalho de elencar todos os artigos saídos nos media, escritos e em forma de comentário, onde a condenação de Ricardo Salgado e a absolvição ou não responsabilização dos outros administradores é declaradamente expressa. A começar (ou a acabar) no seu post. Não se trata de “achismos”. São factos. Alberto Gonçalves no DN (o tal cujo presidente do grupo a que pertence o jornal é advogado de Sócrates), diversos opinadores no Expresso, comentadores televisivos (Marques Mendes à cabeça), entre outros. Mas já que “endeusa” os factos de per si e menospreza os “achismos”, em maré de ditados, aqui vai um, vindo não do Oriente, mas de um personagem de BD televisiva: “Facts are meaningless. They can be used to prove anything”. Não tenho nada contra as conversas de café. Têm mais ou menos o mesmo valor que os blogs. Servem para troca de ideias. Claro que, quem aspira (ou pensa vir) a ser opinion maker é capaz de desvalorizá-las.

          5. Não precisa de elaborar lista alguma.
            Raros cidadãos dispõem, como Salgado dispõe, de meios de amplificar a mensagem e da possibilidade de ter ao serviço as melhores agências de comunicação e os melhores serviços jurídicos.

            Não por acaso, o ‘Jornal de Negócios’ designou-o o terceiro homem mais poderoso de Portugal. E numa data tão recente como 12 de Junho de 2014 o ‘Diário Económico’ escrevia em editorial: «O BES, a bem da economia, está para ficar, e mais forte.»

            Sim, os pratos da balança estão desequilibrados. Mas sempre para o lado do ex-Dono Disto Tudo. Old habits die hard.

          6. Parece que também aderiu ao achismo. O 1º parágrafo é demonstrativo disso. Não vem mal ao mundo.
            Já os factos laudatórios de Salgado são anteriores ao caso BES. Quem não dizia bem? Depois da resolução BES/GES, é vê-los a malharem em quem está em baixo, lançando soundbytes e alcunhas depreciativas. Os pratos da balança, em matéria de artigos de opinião, estão claramente inclinados contra Salgado. Veja-se o que aconteceu a Sousa Tavares quando “ousou” falar um pouco out-of-the-box sobre o assunto. Cilindrado e com mimos de favorecer Salgado devido à relação familiar. Vejam-se os comentários aqui. Para que conste, não sou da família, não tenho nem nunca tive conta no BES nem sou ou fui accionista. Apenas desconfio de discursos explicativos oficiais e demasiado lineares.

          7. Ter o escritório de Proença de Carvalho – considerado há muito no ‘top’ da advocacia em Portugal – a assegurar o patrocínio jurídico é “achismo”?
            Um editorial de 12 de Junho de 2014 é “anterior ao caso BES”?
            Eis um debate estéril. Saia à vontade em defesa do Dono Disto Tudo, mas aguarde lugar na fila: em Portugal e Angola, já para não mencionar outros países, nunca faltou quem fizesse parte desse clube de fãs. Só estranho que não o faça em nome próprio e prefira recorrer a um pseudónimo. Como se vivêssemos no tempo da PIDE, que impedia cada qual de exprimir opiniões livres.
            Fico-me por aqui.

          8. O caso BES estoirou em finais de Julho, princípios de Agosto de 2014, salvo erro. Posterior à data do editorial, portanto.
            O resto é argumentário a atirar para o desesperado. Até já faz insinuações ridículas. Olhe que pode ser sintoma de neurose obsessivo-compulsiva. Se tem dúvidas sobre a minha identidade, investigue o meu IP. Certamente lhe dará uma morada física bem concreta, onde o receberei com o maior agrado e o esclarecerei acerca de todas as dúvidas acerca da minha identidade. Mas vejo que o senhor é perito em insinuações. Também pode bloquear os meus comentários, se se sentir mais confortável. Sinta-se em casa.

          9. Aqui ninguém investiga IPs de ninguém nem há gente com vocação para polícia. E todos os comentários são acolhidos, como a história deste blogue demonstra desde o primeiro dia. E já vão muitos dias, desde Janeiro de 2009. Quase seis anos.
            Quanto ao resto, as opiniões já foram expressas de parte a parte.

          10. O senhor é que, à falta de melhor, enveredou pela insinuação (ainda não sei bem de quê) relativamente ao meu nickname e trouxe à colação a polícia política de má memória. Se ficar mais confortável, poderei mudar o meu nickname para Ricardo Salgado, Cavaco Silva, José Sócrates ou outro nome sonante. Talvez fique com a sensação de estar a falar com alguém importante.

          11. Não me parece grande ideia. Lá teria de comer os comentadores de cebolada e eu não tenho estômago para isso.
            Fico-me por Makiavel.

  9. E como bem diz alguém, num artigo interessante, “O tema do terceiro acto da comédia será a limpeza do retrato de Ricardo Salgado, tal como se limpa o de Oliveira e Costa. Mas isso ficará para depois, quando o Novo Banco estiver vendido e estiver constituída a PARVALOREM do BES para administrar o lixo. Então conhecer-se-há o rol dos “devedores” que enganaram Ricardo Salgado.
    Nada de novo a leste deste inferno.”

    http://osbemaventurados.blogs.sapo.pt/bes-a-desordem-publica-ricardo-salgado-10128

    1. “O que temos assistido no Parlamento é deplorável, é uma tragicomédia.”
      E eu a pensar que “deplorável” e “tragicomédia” foi tudo quanto se passou nos últimos anos no BES e no GES.

  10. boa noite.
    Lido o texto, do mesmo relevo apenas a referencia ao gelo no olhar e nas palavras do Ricardo. Parece-me um desabafo do Pedro Correia, e se calhar é mesmo, e de direito, legitimo. Mas é pouco para o leitor. Tambem me parece que se trata de bater num caido (pois, em desgraça). Adiante. E é preferivel dizer de mim: banqueiro é igual, aqui e no mundo, tenha o nome que tiver. Parece, á sociedade, normal ou justo, só um banqueiro ser despojado, roubado !

    1. Bater num caído? “Caídos”, neste caso, foram todos os pequenos e médios accionistas do GES defraudados pelo banqueiro outrora capaz de derrubar governos mas que agora, durante dez horas de audição, foi incapaz de um acto de contrição ou um pedido de desculpa a quantos confiaram nele e acabaram por perder as poupanças de uma vida. “Banqueiro roubado”, neste caso, soa a história da carochinha. Ou a minuta do escritório de advogado do banqueiro em causa.

      1. olá
        Para o caso de nao ter sido suficientemente claro : a perspectiva d o Pedro Correia é basica, popular, enfim preocupado com os pobrezinhos. Disse e agora repito: é a abordagem que faz o Pedro, por mim nada contra nem a favor. Estou noutra onda (infelizmente nao naquela que o Pedro insinua ), na onda que, como disse e insisto, os banqueiros sao todos iguais. Já agora, como sao iguaizinhos os jogadores de futebol, só que uns tantos nao têm unhas bastantes para a guitarra.
        Estava a resistir sequer a escrever que nao adianto mais exemplos, mas está a ocorrer-me mais este contributo: a perspectiva das vitimas é sempre limitada. Ademais as vitimas buscam exclusivamente salvar a propria pele.
        Boa semana

  11. Não percebo qual é o espanto. Numa sociedade onde o maior valor, acima de tudo é o dinheiro e o poder que ele dá. numa sociedade que renasceu das Cinzas após um 25 de Abril, onde uma frente de “batalha” veio defender a Liberdade, quiçá para também dizer ao povo que agora é “a sua palavra que conta”. Fomos tão bem reeducados para o tema da Liberdade que tomamos tudo uma justificativa da “liberdade que me aufere de fazer o que me dá na gana”. Desculpem mas comento desta forma não pelo presente post, nem comentários, mas a crescente vaga de populismo que vejo o extremismo no excesso de julgamentos precoces, leva-me a tirar sérias conclusões sobre essas lições que deveríamos ter aprendido desde 1974. Contas feitas não “aprendemos” nem essa lição nem a lição da nossa liberdade de voto e escolhas (não quero apontar o dedo a nenhum partido em especial) mas especialmente há partidos que nascem bem mas depois funcionam como clubes desportivos e os seus associados, não fosse esta a nação do futebol e do delírio do fan blub. Ricardo Salgado era e ainda teima em ser o DDT porque nem ele se apercebe ou bate-se de maluco que tem(tinha) efetivamente poder. O poder de não ser colocado em causa, o poder de gerir e controlar tudo onde mete as mãos o poder de influenciar ….. Ricardo Salgado só faltou dizer nesta comissão parlamentar que estava lá só para usar o crachá de presidente, sorrir para as cameras, ler e assinar papeis, e que lhe montaram uma cabala, foram eles todos, menos eu e a minha Família …..

    Ainda lhe deve pairar na áurea algum sentimento de “impunidade”, mas como já caiu o pano nada mais que foi uma triste peça teatral.

    1. Revejo-me em grande parte nas suas palavras. Sobretudo depois de ter escutado o que escutei. (Porque tenho acompanhado na íntegra as audições na comissão de inquérito sem me limitar a espreitar os dois minutos de síntese nos telejornais).

      1. O que doí Pedro, é ainda ver/sentir essa ostentação de estar acima de tudo. Sejamos francos, sem presunção de culpa ou não, com base em fortes evidencias, “não há outro barro que se atire a parede e cole”. Ricardo Salgado eu bem ando a dizer desde o inicio deste escândalo. Quando abrir a boca, “vai rolar mais cabeças” não o afirmo como atos criminais mas uma rede de influencia (isto sim não tenho dúvidas). O que pode parecer um “tirar a água do capote” da atitude do DDT, para mim pareceu mais um “passar a bola aos demais que sabiam da situação”, desresponsabilizando-se do que lhe é de direito, aqui meu amigo não vejo margem para *presunção de inocência* (yeah, usei a tão falada palavra da atualidade) que de fato existe (caso contrário estávamos todos de cana não? generalizando). Não foi também surpresa nenhuma a postura de Ricciardi, claro (sem ainda desconhecer porque tanta gana tinha ele de subir ao poder, com o seu intransigente priminho), apesar de eu pessoalmente não conseguir aceitar como um fato (aureola no Ricciardi não!). Ricardos saiu-se em pior stage quando dá o seu grito do Ipiranga, a sua posição de que tem a razão, ele é que põem, ele é que dispõem (isto foi o que senti durante a larga audição). Mas também fiquei incomodado com os deputados a serem cínicos, intrusivos nas perguntas. Acho que uma postura mais neutra não lhe ficaria nada mal…

        Quase que misturo os dois casos, BES e Caso Marques, pois ironicamente ambos na base das suspeitas de crime está uma falha grave da postura de ética de figuras de forte peso nas nossas vidas (direta e indiretamente). Mas estes fenómenos na nossa sociedade e os efeitos que causa são no mínimo, desculpa que diga, patéticos! Um exemplo claro é vaga de peregrinos para o Estabelecimento prisional de Évora, onde nasce do nada a 2ª Fátima. Passa-se por inúmeros do PS a visitar-lo (cof cof como amigos), como por populares lol que tentaram lhe entregar um Happy Meal. O circo está montado, uma fera na jaula, a outra em liberdade bufando coisas sem sentido, o domador (Sr. Super Juiz) tenta ver o lado selvagem das bestas, o público delira pois partes do grande espetáculo vazaram nos meios de comunicação antes da peça ser apresentada. A informação dita, segredo de justiça, torna-se a justiça pública que de uma frase fora de contexto, dá logo o seu veredito. Outros que defendem o que ainda não foi acusado, mas que já foi revisto pelo coletivo de Juízes. E há inúmeras acusações sem fundamento, como se Portugal fosse um Pais onde todos são magistrados do Tribunal superior. Toda santa alminha racha lenha, mas dá com cada petardo, que até arrepia (A ignorância tem limites, ou não). Ironias a parte, isto dá de pensar, aliás eu já ando a pensar nisto à muito….

  12. O Sr.Salgado como muitos outros salgados é fruto dos senhores disto tudo que se concentram nos Partidos que já não representam os interesses dos cidadãos, mas sim o interesse do pilim que este Banco (e, não só) proporcionou. O poder corrompe e, com a ajuda do vil metal, tudo é possível, até a permanência deste sr. por três décadas que se senta pomposamente qual Luis xv e fica olhando com ar majestático o povo que ele, agora, diz ser o DDT.

      1. É como dizes P.Correia, por isso a comissão parlamentar tratou o assunto com punhos de renda e salamaleques, não fosse o paspalhão dar com a língua nos dentes. O interessante é que o povão ainda se não deu conta que esta malta é tudo farinha do mesmo saco, e ficam à espera do redentor que os há-de livrar do calvário. Continua a votar e não corras…

          1. Cada um é livre de fazer com o voto o que entender, contudo, lembro que neste acto só existe um direito, e, para quem acha que as eleições são uma farsa, dado que não pode escolher as pessoas a quem gostaria de dar o voto, não existe dever nenhum. O dever está na nossa consciência, desde que este preencha os quesitos democráticos, o que não é o caso, e por isso está a surgir a contestação em todo o mundo, porque além de não dar o livre arbítrio ao eleitor, também lhe nega o direito de intervir na governação, por ex. referendos e discussões abertas em matérias vitais para o País. Nesta “marotiçe” todos os Partidos são culpados.

          2. Cada um sabe de si, Gualter. Não pretendo impor o meu ponto de vista aos outros, nem jamais teria essa pretensão tão descabida. Mas para mim o voto não é apenas um direito constitucional: é também um dever cívico.
            Milhares de portugueses bateram-se heroicamente durante décadas, em circunstâncias muito difíceis, para conquistarmos este direito. Bastaria a consciência desse facto para encarar o voto também como um dever.

          3. O tempo não volta para trás, porque devido à velocidade da comunicação os povos já não são os tansos que eram, e por isso, foram se apercebendo que as democracias, que nos apresentam, são pseudo democracias (como refiro acima). E, como digo também, cada um come do que gosta só que, o meu propósito – e, de muitos mais -é que abram a pestana e não deixem que lhe comam a pápa na pinha. Como sabes, cada voto entrado nas urnas representam 3,45 euros a embolsar pelos partidos para que depois, porem e disporem, com a máxima: “votas-te em nós, portanto…”Só que a democracia não é nenhum cheque em branco e não andamos aqui para engordar gulosos, e, o nosso direito, é intervir nos destinos da Pátria toda a vez que for necessário sem pedir licença a peralvilhos.

          4. Estão a aparecer novos partidos, que proporcionam mais opções de voto aos eleitores. É um sintoma saudável. Quem não quiser votar sempre nos mesmos, vota nos novos.

          5. A questão não está nos novos Partidos, mas sim no sistema. O cidadão quer e deve intervir nos destinos do País, mas está impedido pelo sistema: 1º) não pode escolher o nome da pessoa em que quer votar e vetar os que não quer (os do topo da lista estão automaticamente eleitos e, são sempre os mesmos. 2º) não lhe é facultado o recurso de poder votar em matérias de vital interesse no País através de referendo (como se passa, por ex. na Suiça) 3) não há discussão aberta sobre estes temas. 4) Os Partidos tomaram de assalto o poder e põe e dispôem das regalias que mais ninguém tem. 5) Usam os dinheiros públicos (sem qualquer supervisão em carros, festas e prebendas como uns nababos sem vergonha nem recato. Por isso, isto não é uma democracia e óbviamente não voto em consciência.

          6. 1. Não podemos eleger os nossos deputados. A lei eleitoral deve ser alterada para um sistema nominal de modo a permitir isso.
            2. Podemos votar em referendos. Nacionais ou locais. Tem havido vários. Desde 1997 são permitidos na Constituição.
            3. Debate-se, mas são sempre os mesmos a aparecer nos meios de informação com maior projecção (televisões, sobretudo). Expressando as mesmas ideias de sempre. Alguns deles já adivinhamos tudo quanto vão dizer ainda antes de abrirem a boca.
            4. Os partidos dispõem de regalias, algumas delas descabidas. Mas não há democracia sem partidos.
            5. O voto deve continuar facultativo, ao contrário do que sucede noutros países (Brasil, Grécia, Bélgica). Quem quiser, vota. Quem não quiser não vota. Mas quem não vota permite sempre que outros escolham por ele.

          7. Pelo que me é dado perceber és adepto do staus quo. Dizes que já houve referendos, mas não dizes sobre que matérias, mas digo eu, nenhum sobre interesses vitais do País. Os debates na RTP estão abertos aos convites que estes entendam fazer, não sendo mau, também não é bom, mas os debates a que me refiro deveriam ser a nível de Autarquias, e outros, a antecederem um grande debate final, e da súmula, sairia a vontade do cidadãoa referendar. Não é desejável o voto obrigatório, bem como os que votam se forem em percentagens muito reduzidas – o que se passou nas últimas votações – não refletem a vontade dos eleitores, antes pelo contrário, e, se houvesse lei que não sancionasse esse acto, talvez que as condições se modificassem. De qualquer forma, o voto da minoria não obriga ao reconhecimento deste ou doutro Governo – não passam de anedotas.

          8. Eu defendo uma democracia com partidos políticos porque não conheço nenhuma democracia sem partidos. Geralmente os regimes políticos sem partidos são ditaduras. E eu sou contra todas as ditaduras.

          9. Correia, tem que ter mais atenção ao que lê. Por acaso eu falo no fim dos Partidos? Devem existir, mas não com o poder a que se auto proclamaram, e numa democracia devem funcionar como parceiros, e não como DDT obedecendo a regras e nunca extrapolando as suas competências que se devem reger pelo interesse comum. Só quando estes pressupostos forem alcançados se pode falar em democracia, agora o que temos é uma partidocracia (ou seja uma ditadura disfarçada).

          10. Eu não disse que você é contra os partidos, Gualter. E, se fosse, estava no seu direito: era o que faltava haver delito de opinião para quem sustente teses dessas.
            Falei naquilo que eu próprio defendo: defendo um sistema partidário porque considero ser este o único modo de termos democracia. Claro que este sistema deve renovar-se e deve abrir-se a reformas profundas (a reforma eleitoral, por exemplo). Porque um sistema democrático é reformável por natureza.

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