Das relações não desejadas


escafandro,

 

Desconheço que características minhas despoletaram a atracção. No que me diz respeito, nem me apercebi do início do processo. Actos conscientes e deliberados, penso que não tive. Ainda assim, algo terá sido. Química. Uma afinidade cósmica. Sorte ou, mais precisamente, azar. É curioso como relações tão intensas e íntimas podem nascer sem que uma das partes tenha consciência da sua existência até ser tarde demais. Até já não poder escapar às consequências, a uma luta feroz, sem quartel – suja. O corpo humano é uma coisa estranha, simultaneamente fascinante e assustadora. De uma tremenda força, física e mental; de uma absoluta fraqueza. Capaz de resistir aos maiores ataques, cedendo perante o invisível. E é verdade que, a determinada altura, cedi. Fui fraco. A partir desse momento o recuo era impossível – havíamos ido longe demais. (Quando a carne é fraca, corpo e espírito têm sofrimento assegurado.) Também já não era possível uma solução que nos deixasse incólumes. Há consequências, haverá mais. Terei de passar das palavras aos actos. Terei que ser duro, demonstrar que não me encontro disponível para continuar. Julgo poder escapar sem grandes marcas (preciso de optimismo). A longo prazo, serei até a parte menos afectada. Isso não me perturba. Nunca quis esta relação. É doentia.

Desculpem-me só um momento.

Atchim!

Está a dar cabo de mim.

 

7 comentários em “Das relações não desejadas”

  1. Alguém lhe impingiu essa relação.Chegando-se a si,ciciando-lhe as fofocas do dia,
    encostado ou encostada em afectuosa transmissão clandestina,omitindo-lhe que ainda ontem tomara antigripais…e o senhor foi no embrulho.

    1. 1. Tanto quanto já me consegui aperceber, esta relação é aberta e o Papa não deixa de ser humano – correria os mesmos riscos que me trouxeram aqui;

      2. Lá por eu estar no Porto, não quer dizer que seja o Pinto da Costa.

  2. Uma relação dessas só tem uma solução: BenUron tomado com leite quente e mel.
    É antídoto certo. O corpo reage e expulsa a causadora inoportuna da relação…que se irá intrometer com o amigo/a mais próximo/a!

    1. O mel faz-me borbulhas. Quando era miúdo e comia Nestum com mel várias vezes seguidas ficava com a cara cheia delas. Mas OK, uma vez… E até tenho cá mel. Caseiro, ainda por cima. O BenUron é que não sei se tenho porque também sou bastante alérgico a medicamentos (neste caso, em sentido figurado; evito-os ao máximo).

      Já agora, em jeito de adenda devo dizer que, apesar dos espirros e das dores no corpo, já tive relações mais dolorosas com mulheres. O problema é que esta não teve sequer o período de encantamento – e os benefícios físicos que costumam vir com ele.

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