A propósito da questão da sazonalidade do covid, estava ontem a ver um artigo de um “jornal de referência” que duvidava da mesma porque o vírus tinha atingido em força a Austrália e o Irão, porque são “terras quentes”.
Ora bem: a Austrália realmente recebeu o vírus no Verão, embora até nem tenha sido assim tão atingida (tendo começado bem antes, tem números claramente melhores que os nossos, tanto em contaminados como em mortes, e a maioria já recuperou). Mas o Irão estaria assim tão “quente”? A antiga Pérsia apanhou com isto em força em Fevereiro, sobretudo na região mais a Norte, onde fica Teerão e a cidade santa de Qom, principal foco da coisa. Não é preciso ir muito longe para se concluir que a neve nas montanhas da região, ali para o Elburz, não é propriamente artificial, e verificar que a temperatura média por ali entre Fevereiro e Março vai de 0 a 15 graus, com um clima frio e seco, o mais apropriado para este vírus. Quentíssimo, como se vê.
Às vezes o jornalismo de rigor devia preocupar-se em ser realmente rigoroso e não só a apregoá-lo.

E depois reclama das ajudas do Estado.
J.P.P.,
so nice to read this.
Mas, penso eu dequedequedeque, dadas as mutações que o vírus, entretanto, já teve, existirá, de facto, uma vacina (vírus, jornalismo, epidemiologistas, opinadores olímpicos & etc.)?
Hum.
Porque é que não havia de haver? Pelo que li (sou tão epidemologista de bancada como qualquer outro), eventuais mutações não serão entrave para uma vacina. Que diabo, já houve outras pandemias piores e passaram.