Por um capricho do destino, a cimeira de Copenhaga contra as alterações climáticas decorre numa altura em que toda a Europa – incluindo a Península Ibérica – se encontra sob uma vaga de frio siberiano, numa evidente demonstração que o Inverno continua a ser Inverno, à moda antiga, indiferente às prédicas do profeta Al Gore. As maiores ‘alterações climáticas’ têm ocorrido na própria cimeira, com a prolongada suspensão das conversações por desentendimentos entre os participantes e a presidente dinamarquesa Connie Hedegaard a abandonar os trabalhos a três dias do seu encerramento sem dar nenhuma explicação satisfatória à opinião pública internacional. Eu no lugar dela provavelmente teria feito o mesmo para evitar receber em Copenhaga ditadores como Robert Mugabe e Mahmoud Ahmadinejad. Espero que ambos se agasalhem bem: nesta época de ‘aquecimento global’ está mesmo um frio de bater o dente.


Há uns figurões que bem podiam ser congelados em Copenhaga. Eternamente. Seguiam directamente para o Museu do Gelo.
.. para as catacumbas do Museu do Gelo, não é João? 😉 ou ficavam assim à vista?! (risos)
Ficavam à vista, mas dentro de embalagens apropriadas. Não fosse o diabo tecê-las.
Até nós, um pequeno país com as dificuldades conhecidas e com as exportações a cair, poderíamos mandar para lá alguns exemplares, não?
Caro Pedro, penso que não será explicar que ninguém que compreenda os princípios em volta das alterações climáticas irá dizer que o aumento da temperatura média do planeta implica que as temperaturas subam em todo o planeta e que o inverno desapareça. É por isso que se fala em temperatura média global (TMG) e é por se perceber que este aumento da TMG tem efeitos que vão muito para lá do mesmo aumento de temperatura que se fala hoje em dia em alterações climáticas. Para se compreender a diferença nestas coisas, a TMG por altura da última era glacial estima-se que fosse, se não estou em erro, apenas 5 ºC mais baixa que a actual. Isto dá que pensar.
PS – há muitos figurões que dizem asneiras relativamente ao aquecimento global, mas Al Gore, grosso modo, nem é desses.
Caro João André, o Al Gore é uma pessoa estimável e que me parece bem intencionada. Mas, por mais que me esforce, não consigo encará-lo como profeta. As opiniões dele valem o mesmo que as opiniões de qualquer outra pessoa medianamente bem informada. De resto, tenho já idade suficiente para me lembrar que há 30 anos a preocupação global era a ‘nova idade do gelo’ que aí vinha. Estas angústias são cíclicas e oscilam muito. Valem o que valem.
Estou absolutamente de acordo contigo, compadre. Entre crentes e cépticos, tudo ‘déjà vu’.
E eu também estou. Claro que há que respeitar e preservar o planeta (e não o fazemos o suficiente, todos nós), mas muitas destas visões catastrofistas já se provaram infundadadas, como essa teoria do arrefecimento global. A verdade é que o planeta se adapta às circunstâncias. A pergunta a fazer é: e a espécie humana, também se adaptará? Eu acho que sim, e acredito que apesar da selecção natural que sempre vai acontecendo, se a Terra ficar debaixo de água (por exemplo) muitos de nós desenvolverão barbatanas e guelras para respirar nesse ambiente. Somos seres mutantes.
Caro Pedro, o Al Gore não se considerará a si mesmo um profeta, pelo menos de forma séria, embora saiba que é uma estrela do movimento ambientalista.
Falar do arrefecimento constatado há 30/40 anos deveria ser um excelente ponto de partida para discutir o aquecimento global. Na altura os cientistas detectaram o fenómeno e ofereceram a explicação: o aumento de poluição causado pelo crescimento industrial após a II Guerra Mundial estava a lançar óxidos de enxofre para a atmosfera, os quais ficavam suspensos por meses e reflectiam os rios solares (no comprimento de onda do visível). Além disso causavam chuvas ácidas.
Após terem sido considerados catastrofistas (tal como quando assinalaram o problema do chumbo e dos CFC’s) os cientistas conseguiram convencer os políticos a tomar medidas. Os filtros começaram a ser instalados e o problema foi resolvido (muito mais facilmente que o do CO2, uma vez que este, ao contrário dos SOx, fica décadas – ou séculos – nas camadas superiores da atmosfera).
Falar dos SOx, do tetra-etil-chumbo (aditivo de chumbo nos conbustíveis automóveis) ou dos CFC’s é falar em produtos que os cientistas começaram por assinalar como perigosos, que as indústrias defenderam contra todos os resultados científicos (e levaram a imprensa a fazer o mesmo, muito devido à ignorância científica que aí grassa) e que acabaram por ser reconhecidos como perigosos e combatidos. Espero que um dia o mesmo suceda com o CO2. Só espero que não seja tarde demais.
Já agora, a tese do aquecimento global/alterações climáticas pode estar errada (pelo menos no que diz respeito ao CO2), mas a ciência até agora apresentada tem sido sólida e o risco de não fazer nada é bem superior ao custo de o fazer.
Vejo que pertences à escola dos “Ambientalistas Cépticos” (risos).
Subscrevo o que diz o João André e acrescento apenas mais duas coisas:
1- Em 1992, no Rio de Janeiro, alguns dos 1700 cientistas ( incluindo alguns Prémios Nobel) que na semana passada confirmaram as previsões que alguns acusam de catastrofistas, previam o dgelo doÁrtico para 2035. Hoje, sabe-se que em 2014 o degelo do Árctico será uma certeza
2- A recusa de alterar padrões de vida instalados, não justifica que se negue a evidência do aquecimento global. Aliás, nem os ambientalistas cépticos o negam, como aqui escrevi há dias. A discordância deles é quanto à forma de combater o aquecimento global, como também então expliquei.
Já agora, sugiro-te a leitura de um post que hoje escrevi no CR.