Em Portugal nascem poucas crianças. É um facto incontestado. Se nascem poucas crianças, há poucas crianças na escola. À medida que progridem no nível de ensino, algumas, de entre as poucas que nascem, vão desistindo de estudar. É assim tão descabido, então, dizer que o número de professores está desajustado? Com uma taxa de natalidade decrescente, de ano para ano, é normal que muitos professores deixem de ter trabalho: se o seu trabalho consistia em ensinar alunos, e estes não existem, têm de procurar novo trabalho. Ou ter mais filhos, se quiserem. Uma das duas. Mas por favor percebam que há escolhas, e tirar uma licenciatura em português ou história não pode, nem deve, significar dar aulas e exigir do ministério da Educação um lugar e um salário.
PS – uma pequena nota pessoal. Há mais de dez anos, ingressei numa dessas licenciaturas que “geram” professores. Já na altura toda a gente sabia que não havia vagas para mais professores. Qual é o espanto agora?

Louvado seja Nosso Senhor!!!
Até que enfim li uma “tese” com bom senso.
Um pouco a brincar e a sério:
A FRENPROF… em vez de manifestações e greves, devia organizar passeios noturnos em parques idílicos… distribiuição gratuita de viagra, etc e tal ( sendo o” tal “para toda a população em geral)
Rapidinhas e rápidamente!
Há uma frase no filme America Beauty que talvez explique, “nunca se deve substimar o poder da negação”.
Isto sem falar no “outro assunto” que também é importante, pelo que pude perceber, grande parte dos professores de base não vale grande coisa a ensinar.
Tendo toda a razão no conteúdo, não o tem na forma.
Porque sabe, suponho, que hoje em dia arranjar trabalho (em qualquer área, com qualquer currículo “normal”) é uma tarefa herculiana. E portanto, um docente, licenciado em história com 40 e poucos anos, perdendo o emprego, não vai arranjar outro emprego tão cedo, se arranjar de todo. Imagine-se agora, pais de família, com contas para pagar, e todo o “pack” familiar.
E uma pessoa, nesse estado, agarra-se a tudo o que pode. Se vir para a rua, protestar contra o fim da escola pública abre alguma possibilidade, ainda que ínfima, de manter o seu ganha-pão, então é óbvio, e racional que o vai fazer. É o mesmo que quando vemos uma fábrica falir, estão os operários fabris à porta, a explicar que “não senhor, a firma tem viabilidade, ainda no outro dia veio um sr. alemão com uma encomenda”.
Como referi, tem toda a razão no que diz, mas a forma como o diz…”procurar novo trabalho. Ou ter mais filhos, se quiserem”, esqueceu-se de sugerir a imigração, sair da “zona de conforto” e tal… ah e o empreendedorismo…
Há mais de dez anos, numa escola que formava professores, eu fiz uma intervenção, numa reunião de docentes, dizendo que era preciso reformular o plano de cursos porque estávamos a formar gente para o desemprego.
A resposta do presidente do conselho científico (escrevi em minúsculas de propósito) foi a de que o importante era assegurar o nosso trabalhinho e os nossos alunos depois que fossem trabalhar para uma qualquer secretaria…
E no fim do ano dispensaram-me por “incómido”.
Com esta crise de professores estou a viver, mesmo sentindo a dor de muitos ex-alunos e até familiares, (que Deus me perdoe!) um sentimento de vingança.
É que a Ana Craveiro apresenta aqui as contas mais realistas e simples com que o problema deve ser resolvido. Os professores esquecem-se de que Educação é um sistema que existe para os alunos e não um centro de emprego para eles; mas quem disser isto também é “incómodo”…
Isto para além de muitas outras injustiças que o sistema encerra e no qual os professores estão a colher os frutos do que semearam al longo de décadas. Onde já se viu uma pessoa ser promovida por tempo de serviço apenas, sabendo-se que estava cada vea mais desactualizada?… Mas era assim mesmo. Agora queixem-se…
Como dizia o outro: “Estudassem”!!!!!!
Sim, há professores a mais, é um facto. Mas é completamente falso que, este ano, o desemprego na classe docente se deva a este facto unicamente. Este ano a questão não é essa. Houve uma mudança cirúrgica na estrutura curricular e nem falo nde EVt e Área de Projecto. Falo de disciplinas como as específicas de 12º ano em que foi retirado um bloco de 90 minutos. Acontece que os programas não mudaram, portanto vai ter de se dar o mesmo com menos 90 minutos e mais alunos na sala de aula. Além da reforma curricular, aumentaram o número de alunos por turma e aumentaram o horário dos professores. Há que repor a verdade.
Não lhe tirando a razão, o post peca por incompleto e cai no mesmo erro da FENPROF. Se é verdade que há menos alunos, não creio que de um ano para o outro a diminuição de inscrições tenha sido tão abismal que justifique tamanha diminuição de professores.
Falta dizer que o ministério, para poupar uns trocos, não se coíbe de cortar na qualidade do ensino, e é com isso que nos devemos preocupar, em vez de nos deixarmos levar em guerrinhas entre governos vs. sindicatos…Acabaram com o par pedagógico nas aulas de EVT, com disciplinas não didácticas, aumentaram o número de alunos nas turmas, há alunos que deixaram de ser ensino especial e tantas outras situações.
Já agora, à baixa natalidade, juntem-se as famílias portuguesas e de imigrantes que foram obrigados a emigrar para um país que lhes dê, de facto, oportunidades de uma vida digna.
Para que se possa fazer uma apreciação isenta do problema, é fundamental que (me)nos digam o número exacto de professores e alunos.
Aqui começa tudo… o resto discute-se depois…
Não posso ficar baralhado com ideias várias, uma delas , quiçá a mais contendente é a D. Leonor…. disciplanas , horários, etc
Digam-nos: somos X professores para Y alunos!
Quais ideias? FACTOS! O que refiro são factos. Informe-se e fale depois.
Talvez haja professores a mais. Mas se vamos tentar ser mais como, por exemplo, a finlândia, deviamos começar por não ter mais do que 20 alunos por sala de aula. Depois disso sim, estimar quantos professores são necessários. Assim é que não.
Como há menos alunos aumentou-se o número deles por sala para parecerem mais (ou se calhar foi para poder despedir professores).
De qualquer modo não deixa de ser interessante ver o Ministério às aranhas com as consequências das mudanças, que ele próprio promoveu, no aumento súbito de professores em horários zero.
Será talvez demais pedir ao presente ministro que saiba governar, mas pensei que sabia fazer contas.
Deixem a filosofia para o amigo “francês”…
Digam alto e bom som: temos X alunos — P’ra Y professores.
Depois discute-se…
Só lá vamos com medidas drasticas e concretas.
Não podemos, como na Marinha, ter mais Almirantes de que barcos de guerra… e um oficial para cada treineira!
Assim nem na Filandia… ó amigo lá de cima!
Pois mas em vez de aumentarem os alunos por turma (uma razão que não foi apontada) o ideal seria diminuir e aí talvez precisassem de mais professores.
Não se pode inferir com dados dos dois últimos anos que o número de alunos está a diminuir, até por que os nados em 2009 ainda nem à escola chegaram. E falar da redução de horários, como a Leonor Barros refere? Talvez tenha repercussões na contratação de professores. E aumentar o número de alunos por turma? Não entendo como se passa ao lado de dados como estes e se escreve um post assim. Ah e tal temos menos crianças e assim teremos menos professores.
Obs: Como refere há dez anos já se falava do desemprego dos professores em Portugal. Será que na altura a desculpa também eram as poucas crianças que nasciam?
Se a quebra da natalidade (dramática) provocou, ao longo destes últimos anos, uma menor contratação de professores, que necessidade existe de agravar ainda mais o problema colocando 30 alunos em cada turma , aumentando a carga lectiva dos professores e reduzindo em certas disciplinas o numero de horas semanais? Ao que parece, o desemprego agora passou a ser um estatuto e um indicador economicamente interessante…
Nos últimos três anos lectivos as escolas portuguesas perderam duzentos mil alunos.