O Grande Eleitor de Celorico de Basto


#$&%#,

celorico.jpg

No mural de Facebook de uma prezada co-bloguista encontrei, nesta madrugada, uma pérola que aqui transcrevo: 

Há 4 ou 5 dias disse António Costa: “Devem ser muito raras as excepções das pessoas que estão, violando a lei, recenseadas fora do seu local de residência, mas admito que haja pessoas que tenham mudado de casa recentemente e, portanto, ainda não estejam devidamente actualizadas“. 

Hoje [ontem], em todos os noticiários: Marcelo Rebelo de Sousa chega “a casa” depois de ter votado em Celorico de Basto.”

E assim vamos. Esta ilegalidade por parte de um Presidente da República seria totalmente inaceitável em qualquer momento. No meio de um confinamento, em situação sanitária tão gravosa, torna-se mesmo um insulto vil. Ao regime e ao povo. Mas todos olham para o lado, como quem não quer a coisa … O único tino está em Rans, não há qualquer dúvida.

13 comentários em “O Grande Eleitor de Celorico de Basto”

  1. Excelente post. Concordo absolutamente.
    (Na fotografia que o ilustra, no canto superior direito vê-se o Alto da Senhora da Graça, popularmente conhecido por “Monte Farinha” por ser perfeitamente cónico e ter portanto a forma de um monte de farinha, que constitui uma das metas obrigatórias da Volta a Portugal em Bicicleta.)
    Mas não é somente Marcelo Rebelo de Sousa; continua a haver milhares ou milhões de cidadãos, políticos e não-políticos, que em Portugal votam em locais diferentes daquele onde habitualmente residem, devido a anacrónicas leis que permitem que em Portugal o Estado desconheça a verdadeira morada dos cidadãos.

    1. Sim. Mas não são o Presidente da República. Que ainda por cima está a votar em momento de confinamento devido a Portugal estar no topo mundial da vaga infecciosa. É sintomático do desprezo presidencial, do “A República sou eu” … Uma vergonha, um laxismo.

  2. Existirá decerto um número significativo de estudantes universitários (e de jovens adultos que, tendo deixado a universidade, ainda vivem de forma algo precária) que mantém como morada fiscal/eleitoral a casa dos pais. Eu mantive durante anos, e a maior parte das pessoas que conheço na minha situação também o fizeram. Não serão decerto “raras excepções”, nem será um número irrelevante.

    Isto para dizer que mais uma vez o António Costa não faz a mais pequena ideia do que está a dizer.

    1. Um professor que tenha residência em Aveiro e que seja colocado um ano em Portalegre tem que mudar de residência? O Costa que vá lamber sabão e se preocupe mas é com aqueles deputados que vivem em Lisboa mas residem em Freixo de Espada à Cinta para poderem mamar uns subsídios de deslocação ou o que é.

    2. Vivi quase 18 anos em Maputo, recenseado na então Santa Maria dos Olivais (significa que me abstive imensas vezes) – não quis perder o vínculo à minha “estação de voto”, sita atrás de minha casa, na minha freguesia. Que, presumia erradamente, perderia de vez – nunca pensei em regressar para a morada que fora a casa de meus pais.
      Não me estou a armar em moralista. Estou a dizer que há uma lei sobre isto. Que o presidente (professor de direito, mas isso até é irrelevante num caso destes) viola a lei, despudoramente. Que viola a lei num período de confinamento, o que tem uma dimensão simbólica crucial.
      Enfim, “a República sou eu”, vai dizendo o do “babygro político”, como o obsequiou (na juventude) Artur Portela (Filho).

  3. O que é isso do Local de residência? Durante anos trabalhei em Lisboa mas a minha residência não era em Lisboa (e durante esses anos saltei entre Oeiras, Almada e Lisboa), nem eu queria que fosse. Tinha casa noutra localidade, essa era a minha “residência”, embora pouco lá parasse.

    1. Lamento, mas todos sabemos qual é o nosso local de residência. Mesmo em períodos de fluidez, como aquele que V. refere. Mas, como é óbvio, a questão que levanto não é essa.

  4. Ainda se vai descobrir que Marcelo anda há 5 anos a receber subsídio deslocação, apesar de pernoitar em Cascais.

    1. Eu não sou apreciador do presidente Sousa. Mas, muito honestamente, nisso não creio. Não é esse tipo de gente – o qual, infelizmente, abunda na política portuguesa.

      1. Eu também não creio que seja. Mas como esse subsídio não se aplica ao presidente, nunca iremos saber se seria capaz, ou não.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *