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No mural de Facebook de uma prezada co-bloguista encontrei, nesta madrugada, uma pérola que aqui transcrevo:
Há 4 ou 5 dias disse António Costa: “Devem ser muito raras as excepções das pessoas que estão, violando a lei, recenseadas fora do seu local de residência, mas admito que haja pessoas que tenham mudado de casa recentemente e, portanto, ainda não estejam devidamente actualizadas“.
Hoje [ontem], em todos os noticiários: Marcelo Rebelo de Sousa chega “a casa” depois de ter votado em Celorico de Basto.”
E assim vamos. Esta ilegalidade por parte de um Presidente da República seria totalmente inaceitável em qualquer momento. No meio de um confinamento, em situação sanitária tão gravosa, torna-se mesmo um insulto vil. Ao regime e ao povo. Mas todos olham para o lado, como quem não quer a coisa … O único tino está em Rans, não há qualquer dúvida.

Excelente post. Concordo absolutamente.
(Na fotografia que o ilustra, no canto superior direito vê-se o Alto da Senhora da Graça, popularmente conhecido por “Monte Farinha” por ser perfeitamente cónico e ter portanto a forma de um monte de farinha, que constitui uma das metas obrigatórias da Volta a Portugal em Bicicleta.)
Mas não é somente Marcelo Rebelo de Sousa; continua a haver milhares ou milhões de cidadãos, políticos e não-políticos, que em Portugal votam em locais diferentes daquele onde habitualmente residem, devido a anacrónicas leis que permitem que em Portugal o Estado desconheça a verdadeira morada dos cidadãos.
Sim. Mas não são o Presidente da República. Que ainda por cima está a votar em momento de confinamento devido a Portugal estar no topo mundial da vaga infecciosa. É sintomático do desprezo presidencial, do “A República sou eu” … Uma vergonha, um laxismo.
Existirá decerto um número significativo de estudantes universitários (e de jovens adultos que, tendo deixado a universidade, ainda vivem de forma algo precária) que mantém como morada fiscal/eleitoral a casa dos pais. Eu mantive durante anos, e a maior parte das pessoas que conheço na minha situação também o fizeram. Não serão decerto “raras excepções”, nem será um número irrelevante.
Isto para dizer que mais uma vez o António Costa não faz a mais pequena ideia do que está a dizer.
Um professor que tenha residência em Aveiro e que seja colocado um ano em Portalegre tem que mudar de residência? O Costa que vá lamber sabão e se preocupe mas é com aqueles deputados que vivem em Lisboa mas residem em Freixo de Espada à Cinta para poderem mamar uns subsídios de deslocação ou o que é.
Vivi quase 18 anos em Maputo, recenseado na então Santa Maria dos Olivais (significa que me abstive imensas vezes) – não quis perder o vínculo à minha “estação de voto”, sita atrás de minha casa, na minha freguesia. Que, presumia erradamente, perderia de vez – nunca pensei em regressar para a morada que fora a casa de meus pais.
Não me estou a armar em moralista. Estou a dizer que há uma lei sobre isto. Que o presidente (professor de direito, mas isso até é irrelevante num caso destes) viola a lei, despudoramente. Que viola a lei num período de confinamento, o que tem uma dimensão simbólica crucial.
Enfim, “a República sou eu”, vai dizendo o do “babygro político”, como o obsequiou (na juventude) Artur Portela (Filho).
Concordo, claro. O exemplo de Marcelo não é o melhor, sobretudo numa altura destas.
Boa tarde ,
depois não percebem porque é que o povo vota Ventura .
Luis Almeida
Não será exactamente por isto. Mas sim, pelo ambiente …
O que é isso do Local de residência? Durante anos trabalhei em Lisboa mas a minha residência não era em Lisboa (e durante esses anos saltei entre Oeiras, Almada e Lisboa), nem eu queria que fosse. Tinha casa noutra localidade, essa era a minha “residência”, embora pouco lá parasse.
Lamento, mas todos sabemos qual é o nosso local de residência. Mesmo em períodos de fluidez, como aquele que V. refere. Mas, como é óbvio, a questão que levanto não é essa.
Ainda se vai descobrir que Marcelo anda há 5 anos a receber subsídio deslocação, apesar de pernoitar em Cascais.
Eu não sou apreciador do presidente Sousa. Mas, muito honestamente, nisso não creio. Não é esse tipo de gente – o qual, infelizmente, abunda na política portuguesa.
Eu também não creio que seja. Mas como esse subsídio não se aplica ao presidente, nunca iremos saber se seria capaz, ou não.