O frio e a culpa


Paulo Sousa,

O que é que de diferente ocorreu entre a vaga inicial da pandemia e as últimas semanas, que explique a enorme diferença das estatísticas da covid?

Sem precisar de recorrer aos registos meteorológicos, basta recordar como tem corrido o tempo, para concluir que o primeiro confinamento coincidiu com o início da Primavera, e por isso com temperaturas mais amenas. Pelo contrário a elevada taxa de infecções e de mortalidade ocorreu durante as semanas mais frias e húmidas do ano.

Não é bruxedo, pois a ciência explica com clareza que “como consequência das situações de frio intenso, são produzidas alterações no organismo que facilitam o aparecimento de doenças como a gripe e outras infecções respiratórias (pneumonia, bronquite, entre outras) bem como o agravamento das doenças crónicas”. Esta citação foi retirada do site da DGS.

E como é que os portugueses vivem e lidam com o frio durante o inverno?

De acordo com esta reportagem da RTP, 24% dos portugueses vive em casas húmidas e com infiltrações, e esta percentagem é o dobro da média europeia. Como se não chegasse, dois milhões de portugueses não conseguem manter a sua casa quente, e neste indicador somos o quarto pior país europeu. A proximidade desta percentagem com a cifra dos cerca de 20% de portugueses que vive na pobreza não será coincidência.

Se a isto juntarmos o quarto mais alto custo da energia da UE, podemos com facilidade traçar uma linha que parte do enfraquecimento do organismo causado pelo frio e humidade, que passa pelas habitações fracamente isoladas, pelo custo incomportável para muitos em aquecê-las e que termina num cocktail mortífero que fez disparar a mortalidade a níveis nunca vistos desde há cem anos.

Este governo, que está ligado à nossa estagnação económica dos últimos 20 anos e por isso à pobreza de um quinto dos portugueses, assim como aos negócios nunca explicados por detrás da nossa excêntrica factura energética, tenta, qual junkie inimputável, sacudir as responsabilidades e diz que a culpa de nos termos tornado no pior sítio do mundo é dos portugueses.

31 comentários em “O frio e a culpa”

  1. Este Governo, ou o Regime Abrilista* (47 anos)?

    * [“Regime Abrilista” no sentido da evidência empírica e factual da oscilação binária, inversa e isomorficamente opositiva, que permanece inalterada, entre a dita “Esquerda” (pcp, be, ps, etc.) e a dita “Direita” (psd,cds, ppm, etc)]

    1. A estagnação económica e o fim do sentimento de que daqui a dois anos vamos estar melhor, começou nas duas décadas em que temos estado quase sempre na mão dos mesmos. Mas se quiser chegar a uma conclusão diferente pode fazê-lo, tem é de forçar a realidade encaixar dentro de uma caixa do Houdini.

      1. Não consigo entender, senão por uma opção partidária, como o Paulo Sousa consegue tirar o PSD da situação a que o Regime Abrilista nos conduziu até hoje.
        O poder, corrupção, compadrio, ilicitude jamais está no chefe de um partido. Esse não manda nada. Quem manda e comete a incompetência são outras instituições, empresas e corporações que constituem a Sociedade. Muitas das quais, nem sequer a Justiça tem poder para lhes tocar.
        O Regime Abrilista são aqueles e aquilo que não querem mudar.

        1. Se o PSD estivesse há tanto tempo no poder como o PS está não duvido que teria os mesmos vícios e cometeria os mesmos abusos, mas não está e por isso tem as mãos menos sujas. Nos primeiros 15 anos de CEE/UE houve uma melhoria efectiva da qualidade de vida que por acaso ou não, coincidiu com governos do PSD. Mas esse tempo já la vai.

          1. 1. Peço desculpa pelo Delito de Opinião que vou cometer.
            2. A minha intenção é apenas a discussão e o debate democrático. Jamais a ofensa ou o ajustar-contas com quer que seja. Apenas o firme acto de Cidadania, em prol do que considero ser melhor para o nosso futuro colectivo. Portanto, inevitavelmente, será sempre essa limitação e falha, por ser a minha escolha pessoal.
            3. Mas, talvez por não ser nem de direita nem de esquerda, e escolher não me deixar «representar» nem identificar com o “Regime Abrilista” (pretender até, que termine, e seja substituído), não consigo ver essa fronteira tão diferenciada entre PSD e PS, que o Paulo Sousa refere.
            4. Não me refiro apenas à indiferenciação recente. À «nova geringonça», agora protagonizada por Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa e Rui Rio. Apesar, de ser uma prova cabal da minha tese. Refiro-me ao tempo que o Paulo Sousa indicou.
            5. Por exemplo, é possível separar as consequências, para todos os governos seguintes, do acto imprudente (quase criminoso) de Cavaco Silva, nesses anos-80, ao ter decidido meter na Administração Pública milhares de funcionários? Quanto isso custou (e custa) à economia portuguesa? É possível separar as consequências da construção do Alqueva, decidida e iniciada no governo de Guterres e completada com o contributo do PSD, para o actual lucro do regadio e da modernização agrícola do Alentejo e de Portugal? É possível separar as consequências dos ilícitos criminais dos ministros de Cavaco Silva no BPN e BPP, já julgados e condenados, no milhões de milhões que os governos seguintes, do PS e do PSD, tiveram de resolver?
            6. Mesmo no caso do Sócrates, esse maldito, que parece o diabo da Nação para todos, pergunto: Então agora a despesa com computadores para as escolas, que foi interrompida e acusada de crime, já não é sumptuária? Quanto poupávamos se se tivesse realizado? Então, passados 10 anos, depois de não terem construído o aeroporto, quanto custa agora de prejuízo ao turismo e à economia? Então agora, já querem construir um TGV? Se estivesse construído, agora, pouparíamos quantos milhões? Dizem que o homem é um bandido, que roubou 30 milhões, e fugiu com eles numa mala do carro para Paris. Não sei, se é verdade ou mentira. Não tenho qualquer sentimento, senão o de indiferença, em relação a esse personagem. Não sou de esquerda nem de direita, nem dos partidos que compõem esse regime binário. Apenas vejo, que ainda não o conseguiram julgar, num Tribunal legítimo, sob as regras da Democracia.
            6. E outros exemplos, contrários e inversos. Os quais, no seu todo, são a razão da decrepitude e falência deste Regime que governa Portugal há 47 anos.
            7. É por isso que, não consigo ver essa fronteira, tão nítida, entre uns e outros.

          2. Nunca se pede desculpa por delito de opinião! Especialmente aqui no DO
            O debate de esquerda e direita á muito redutor por serem rótulos que têm mudado de conteúdo ao longo do tempo. Seria muito mais objectivo defender que se mantenha tudo como está ou, caso se entende necessário fazer alguma alteração, quais seriam desejáveis.
            O regime que temos trouxe-nos uma imensidão de coisas boas, mas não soube tirou partido das oportunidades que o país teve. Já aqui escrevi sobre o que acho que temos e que podíamos ter. https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/dedicado-as-beatas-do-regime-11505650
            Quando olhamos à volta vemos um país estagnado que por inércia se deixou chegar a um ponto em que serão as gerações futuras a arcar com as consequências dos excessos cometidos.
            Não fazer nada para alterar a direcção é sempre uma possibilidade, mas isso nunca será mais do que adiar uma mudança.

  2. A vistoria e licenciamento de habitações em Portugal é um bom negócio para fiscais e restauração (e em alguns casos, casas de diversão nocturna).
    A qualidade da construção é a que se sabe, a responsabilização de empreiteiros é o que a Justiça e insolvências permitem.

    1. Mais grave que isso é quem não tem dinheiro para pagar a energia para se aquecer. Veja a reportagem da RTP. A resignação e normalidade com se lida com o frio é perturbadora.

      1. Eu tenho um apartamento numa zona algo fria no Inverno, mas que não chega às Beiras. Tenho dinheiro para aquecer a casa.
        Se quisesse aquecer a casa “como deve ser” (não é que precise, não gosto de casas muito quentes, e só usei o aquecimento nos primeiros anos de vida do infante), iam à vida entre 100€ e 200€ de gás.
        Haver dinheiro, há, só que…
        Mas se houvesse qualidade de construção as necessidades energéticas para aquecer as casas seriam bem menores.

      2. Uma casa bem isolada, no litoral de Portugal, praticamente não precisa de aquecimento. Uns inquilinos meus no Porto (que é uma cidade razoavelmente fria) dizem-me que nunca ligam o aquecimento, porque a casa permanece sempre a uma temperatura razoável. E porquê? Porque é uma casa em pedra (blocos de granito), tem as paredes bem isoladas com 4 cm de rofmeite, janelas pequeninas, caixilharia das janelas e portas que veda completamente as entradas de ar do exterior, e não tem persianas nem pedras nas janelas.

        1. A qualidade da construção e de isolamento depende também da carteira de cada um. Quem pode escolher bom, não escolhe mau por opção. Quem aceita a falta de qualidade, não a escolhe, aceita-a.

          1. Quem pode escolher bom, não escolhe mau por opção. Quem aceita a falta de qualidade, não a escolhe, aceita-a.

            Não tenho nenhuma certeza de que isso seja verdade em Portugal. Os portugueses, mesmo os endinheirados, têm uma enorme insensibilidade para o problema energético. Preferem com frequência casas com bom aspeto (à moda) a casas bem isoladas. Aceitam sem problemas casas orientadas a norte e com grandes janelas que cobrem quase toda a fachada.

            A maior parte das pessoas, creio eu, continua a ter uma mentalidade de aquecimento como numa aldeia, ou seja: a casa está toda ela fria, inclusivé com portas abertas por todo o lado, e mesmo ao pé de nós temos um aquecedor elétrico a debitar energia. Ou seja, as pessoas fazem como se fazia (e faz) nas aldeias, em que as pessoas se deslocam para o pé da lareira para se aquecerem, enquanto que a casa em geral permanece fria. Nessa mentalidade, o isolamento e a boa construção são irrelevantes, porque a ideia é só se estar quente ao pé do borralho.

    2. Os portugueses querem ter habitações baratas, e para isso estão dispostos a tolerar tê-las de má qualidade. Quem é que se preocupa com a vistoria e o licenciamento? As pessoas compram a casa em projeto e não se preocupam em saber se as paredes estão bem isoladas termicamente ou não.
      Ademais, as pessoas preocupam-se com a casa ter boas vistas, e não com isolar bem. Por isso, atualmente a moda são casas com janelas enormes, de alto a baixo, as quais fazem a casa perder energia à brava. Onde os antigos faziam janelas pequenas, só para dar luz aos compartimentos, agora fazem-se janelas que cobrem quase toda a fachada.
      Os portugueses têm aquilo que querem e merecem.

      1. Quem é que se preocupa com a vistoria e o licenciamento?

        Acho que são as câmaras municipais.
        Não tenho competência técnica para licenciar habitações, quando compro uma casa (barata?? Só se for aí na sua zona), presumo que tenha condições mínimas, tais como não deixar entrar humidade e correntes de ar por janelas mal colocadas. Da mesma maneira que quando compro um carro espero que venha sem defeitos, ou terei que também tirar um curso de mecânica antes de ir ao stand?
        As janelas enormes fazem perder energia? É que em países bem mais frios as janelas são bem maiores que as das casas portuguesas. Se calhar é para deixar entrar luz, que para além de aquecer ainda ajuda a não gastar energia a iluminar uma divisão. A diferença é mesmo na colocação das mesmas, há quem faça bem, há quem faça para despachar.

        1. As casas em Portugal têm problemas de climatização porque o “frio” dura apenas 1 mês em 12, os trabalhadores da construção têm pouca qualificação para aplicar convenientemente as soluções “térmicas”, e não menos importante, constrói-se casas com o mesmo principio da ponte que caiu em Itália. Por fim, a Fiscalização só vê papel ou quando o “mal” já está feito.

  3. Estamos mesmo numa estagnação económica há 20 anos?
    Não será há mais tempo? Ou é só vontade de dizer mal do governo?
    Há 20 anos não havia Internet, a maioria dos computadores tinha o Windows 95, os telemóveis eram um tijolo, a mobilidade interna era uma dor de cabeça, quer mais exemplos?
    Se você tivesse vivido antes do 25 de Abril, e tivesse de comprar fiado e racionado, saberia o que era a verdadeira estagnação económica e a miséria generalizada.

    1. A estagnação económica mede-se pela evolução do PIB. Na Venezuela hoje também há internet e não havia nos anos 70 quando tinha um PIB per capita superior ao da Holanda.
      Tenho idade suficiente para me lembrar do crescimento económico e a abertura de possibilidade que se viveram no final dos anos 80 até parte dos anos 90. Falo de crescimento efectivo e não de ter gadgets modernaços.

      1. Não quero contribuir novamente para a tortura dos números e dos gráficos. Quando falei nos gadgets foi só para lembrar que há 20 anos o conhecimento tecnológico era escasso ou praticamente nulo, neste momento não só o conhecimento aumentou como também o poder de compra para adquirir esses mesmos gadgets aumentou exponencialmente.
        E em termos políticos ninguém pode ficar de fora. Porque se o PS está lá há 20 anos é porque não houve nenhum outro partido que fizesse melhor.
        Se houvesse essa abertura como você diz nos anos 80 e se tivessem governado bem o PS não tinha ido para o governo.

  4. “a culpa de nos termos tornado no pior sítio do mundo é dos portugueses.”

    E é verdade.
    Os politicos nao foram importados, sao da mesma massa que o povo.
    Enquanto nao assumirmos a responsabilidade colectiva no Estado da Nação, não passaremos da cepa torta. Um português nunca é culpado de nada, é sempre responsabilidade de outro.
    Se o partido deste governo é responsavel pela estaganação dos ultimos 20 anos (eu diria 30) é porque alguem vota as suas politicas. Se votam é porque gostam.

    1. Muito bem dito. Estou de acordo.

      Os politicos nao foram importados, sao da mesma massa que o povo.

      Exatamente!

    2. Chagamos a um ponto em que tanta gente recebe transferências directas do estado que já são suficientes para bloquear qualquer mudança. A sondagens e o volume de dívida do país confirma isso.

  5. Portugal é visto como um país quente, mediterrânico, e esquecemo-nos de que o frio que os portugueses passam é um dos grandes problemas do país. Casas mal construídas, custos de energia elevados, sistemas de aquecimento pouco eficientes – incompreensível, num país com regiões de um Inverno tão rigoroso (embora não tão longo), como o da Europa Central ou até do Norte. E mesmo nas zonas costeiras, o frio é muito, justificava perfeitamente uma nova filosofia de construção civil. As casas ficariam mais caras, mas as famílias poupariam imenso dinheiro em energia.

    1. Mas Cristina, construir bem é mais caro no momento imediato, e esse é sempre o mais importante para os pobres. Mesmo que as novas construções tenham outros isolamentos, melhorar as já existentes significa um investimento significativo. Os resultado são traduzidos pela estatística referida no post. É triste mas é assim.

      1. melhorar as já existentes significa um investimento significativo

        De facto, é frequentemente impossível. Eu vivi na Alemanha e nos EUA, e também tenho experiência de Inglaterra. Na Alemanha todo o parque habitacional foi destruído na 2ª Guerra, e depois dela foi reconstruído todo de novo, com novas e mais racionais tecnologias. Por isso, as casas alemãs são bastante bem isoladas. Mas as casas inglesas e norte-americanas são em grande parte uma desgraça, pessimamente isoladas, e torna-se muito difícil melhorá-las significativamente.
        Em Portugal, por exemplo, é tradição pôr pedras a emoldurar as janelas e as portas, o que é péssimo, porque essas pedras conduzem o frio muito eficientemente do exterior para o interior. Eliminar esse problema estrutural é dificílimo – não se pode facilmente reconstruir a janela ou porta para lhe retirar as pedras que a emolduram.
        Uma outra tradição portuguesa é orientar as casas sempre da mesma forma: sala de estar virada para a rua, cozinha para as traseiras. Isso na prática significa muitas vezes orientar mal a casa, com aberturas (janelas) maiores viradas para Norte ou Oeste ou Leste, e não para Sul como devido. Mais uma vez, trata-se de um problema estruturas que não pode ser resolvido.

      2. Sim, é verdade, tudo isso implica muitos custos. Mesmo que o Estado começasse a investir com subsídios para as construções novas, iria demorar muito tempo até a maior parte das habitações terem um conforto aceitável.

        Mas, como digo mais abaixo, é incompreensível que, num clima de montanha, com neve e gelo (como é em quase todo o interior do país), se construam casas de paredes finíssimas, sem o mínimo isolamento (também sonoro). Enfim, não é só a questão pecuniária, também há muita falta de “know-how”.

    2. Isto não é bem assim, Cristina. Enfim, talvez seja assim no Nordeste Transmontano, de onde a Cristina é, mas não é assim no Sul e no Litoral de Portugal.
      Em Lisboa, as casas têm de ser aquecidas apenas uns quatro meses por ano mas, desses, somente há para aí um mês em que as temperaturas são verdadeiramente muito baixas. Por exemplo, na minha casa, que até é um último andar e portanto relativamente fria, em quatro assoalhadas só há uma que é necessário aquecer agora em fevereiro (porque o sol não incide nela durante o dia e portanto as paredes permanecem muito frias).
      O que eu quero dizer é o seguinte: como é raro as casas precisarem de muito aquecimento, não compensa instalar sistemas de aquecimento eficientes (à base, necessariamente, de mazute ou outro combustível), e a maioria das pessoas acaba por usar eletricidade – que é pouquíssimo eficiente.
      Um outro problema grande é que os portugueses são muito individualistas e rejeitam soluções partilhadas, como sejam um sistema de aquecimento central para todo um prédio. Em Portugal, como a Cristina deve saber, nem sequer as máquinas de lavar roupa são partilhadas em todo um prédio – cada apartamento tem a sua. Em Portugal, soluções comunitárias ou partilhadas dão invariavelmente mau resultado, porque as pessoas querem o bem todo somente para si e a sua família, nunca para a comunidade.

      1. Radiquei-me agora no Nordeste transmontano, que é a terra do meu pai, mas eu nasci perto de e cresci em Vila Nova de Gaia. Passei muito frio, o meu bafo chegava a condensar no quarto onde dormia. Só se aquecia a sala, onde víamos televisão, o resto do apartamento era um gelo, até tínhamos de cozinhar de casaco grosso (que não dá jeito nenhum nem é nada higiénico). A partir de certa altura, lá se arranjou um ventilador de ar quente para tomar banho, nos primeiros anos nem isso. Agora é um pouco diferente, mas ainda se passa muito frio.
        O interior do país é gélido, nem sei como as pessoas conseguem aguentar. A maneira como se constroem as casas é uma verdadeira anedota, num clima de montanha com neve e gelo.

        1. Passei muito frio, o meu bafo chegava a condensar no quarto onde dormia.

          Acredito. Eu tinha uns tios que viviam no Porto, e íamos sempre passar o Natal a casa deles, que era frígida. Creio que as paredes deviam ser finíssimas e que isso era a causa do frio. O quarto dos meus tios, virado a Norte mas com grandes e amplas janelas que nunca recebiam sol, era particularmente horrível.

          Só se aquecia a sala, onde víamos televisão, o resto do apartamento era um gelo

          Exatamente. É o modo de vida das aldeias portuguesas: toda a casa está um gelo, a porta da rua até está frequentemente aberta a deixar entrar o ar frio, e as pessoas sentam-se todas num canto quente ao pé da lareira (ou modernamente de um aquecedor elétrico). É um modo de vida desconfortável e delapidador de energia, mas é o que os portugueses geralmente preferem.

  6. E não será. Os portugueses cegos continuam q votar nele. A derrota do Passos e um exemplo disso…um
    Governo levou à bancarrota, outro fez a gestão da cura e melhorou a saúde, e depois devolvemos logo de novo ao mesmo para nós afundar. Merecemos.
    Isto começa mais cedo. Começa na falta de cultura de um povo, da falta de jornalistas, na falta de imposição de responsabilidade…

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