Neste editorial do Diário de Notícias, Nuno Saraiva afirma, e bem, que a existência de uma agenda ideológica de esquerda no Governo é natural e expectável. Escreve mesmo que “um dia destes ainda os ouviremos [a “direita”] exigir a queda do governo porque, vade-retro, só faz política”. Seja bem-vinda a política e seja bem-vinda esta leitura da nossa vida pública.
Porém, vemos aqui uma das principais mudanças na opinião publicada no nosso país. Há uns anos, não muitos, as litanias da imprensa viam nas decisões entendidas como sendo ideológicas – privatizações, concessões a privados, redução da tributação das empresas, entre outras – expressões de sectarismo. Escrevia-se na altura que Portugal precisava de consensos, de acordos, de pactos de regime. A ideologia era portanto um anacronismo perigoso que impedia o país de tomar o caminho correcto. Passados seis meses, a ideologia volta a ser política. Sem sobressaltos ou ruído. E ninguém se ri.

Exactamente. Ainda ontem estava a pensar nisso, em como as acusações de que a política seguida pelo governo da maioria (com votação expressa) eram “ideológicas” e como agora decisões de matrix fundamentalmente sectária e ideológica passam como a coisa certa a fazer.
Outra coisa: Esse tal editor pode afirmar que a agenda ideológica de Esquerna no Governo é natural e expectável mas devia era pensar que não é natural nem expectável na sua profissão nem no jornal que dirige. Jornal que essa mesma ideologia transformou em pasquim de província. E como ele o PúBLICO, a SIC N e a RTP3 cujo processo de fidelização ao lado corrigido da história miserável em que nos querem afundar (e sem terem votos suficientes para isso) está em curso.
Ora bem.
O que choca é como é tão ás claras, como é despudorada a mudança da narrativa jornalista.
Como os aumentos de impostos hoje já não são “austeridade” mas há um ano atrás eram.
Ou o “populismo” – não se ouve a palavra “populismo” quando um Governo de Esquerda está no poder.
Porque será? Não prometem facilidades que não podem cumprir?
Os impostos que agora sobem por exemplo.