O Europeu dos pequeninos


eventhorizon,

Ouvi muita gente dizer que um Europeu de Futebol alargado a mais equipas – com a qualificação a abrir portas a selecções que em circunstâncias normais (o que quer que isso signifique) não chegariam à fase final – iria tornar o torneio num “passeio” para as equipas maiores, que teriam pela frente adversários teoricamente mais fracos. Entretanto, desde que o Europeu começou vimos a Croácia a classificar-se em primeiro num grupo com a Espanha e a República Checa; Gales a ultrapassar a Espanha e a Rússia; a Islândia e a Hungria a empurrarem Portugal para o terceiro lugar do grupo que todos diziam ser o mais fácil. E a coisa não acabou aí: nos oitavos de final vimos a Islândia a eliminar a Inglaterra e – hoje mesmo – Gales a mandar a favorita Bélgica para casa (e, enfim, temos visto Portugal a tropeçar até à meia-final, uma proeza que parece desafiar vários princípios da física, da biologia e, enfim, da sorte em geral). Não sei o que pensam agora aqueles que diziam que as equipas pequenas enfraqueciam a competição; sei, sim, que tenho gostado mesmo muito de ver as equipas pequenas a fazerem jogos espantosos e a alcançarem resultados inimagináveis há um mês. 

 

(agora é torcer para que a Islândia, certamente a jogar contra duas equipas, consiga a proeza de eliminar a França.)

0 comentários em “O Europeu dos pequeninos”

  1. Começo por não ter palavras, para avaliar a nossa selecção. Não vence um jogo e caminha como uma vencedora.
    Foi praticamente repescada numa fase de grupos a raiar a mediocridade e, continuou a exibir um futebol chato e mastigado
    É um misto de incerteza e grande satisfação, assistir aos jogos rodeado de portugueses (colegas de trabalho), neste pequeno canto alemão.
    Fez três pontos e seguiu em frente.
    Nos oitavos de final, no único remate com perigo à baliza da Croácia, fez o golo já bem perto do fim, quando momentos antes poderia ter sofrido e era o fim.
    Nos quartos-de-final, entrou praticamente a perder e com o tempo fez sobressair a categoria do menino negro de ouro e empatou com justiça.
    E continuamos a esperar pela sorte, sem antes assistir ao descalabro que se vai acentuando jogo após jogo, do famoso Cristiano Ronaldo.
    Nos penaltis , fomos categoricamente certeiros e rumamos às meias-finais, deixando pelo caminho verdade seja dita, adversários com mais medo de nós do que nós deles (apesar do nosso futebol não convencer) e como tal, justos vencedores.
    Aproxima-se o tira-teimas da nossa capacidade. Aí teremos que ser mais audazes e certeiros. Precisamos de um Ronaldo ao seu nível para desequilibrar os empates e seguir até onde nos deixarem e até onde a nossa capacidade futebolística nos levar.
    Para isso ainda temos o caminho do Santuário de nossa senhora de Fátima.

    1. Tenho visto todos os jogos de Portugal. Basicamente, resumem-se a chouriços abençoados por São Pepe (que, perante a possibilidade de partir as pernas a alguém ou tentar ser um dos melhores centrais da competição, optou acertadamente pela segunda). Em particular, o jogo com a Áustria foi penoso de acompanhar. Qualquer equipa com um pouco de talento teria massacrado.

    1. Pois é. Um dos jogadores que ontem marcou um dos golos de Gales – salvo erro o segundo, precedido de um movimento tão espantoso como improvável – joga numa divisão secundária algures, certo?

  2. Eu espero que a Islândia perca terrivelmente com a França e que voltem lá para cima para não se contaminarem com os pretos do continente. Que depois a França derrote com estrondo a Alemanha e que depois, na final, vinguemos finalmente o famoso jogo dos anos 80. Só isto reporia a história no trilho que devia ter acontecido — e inclusivamente levar à nossa saída da UE que nesse mundo paralelo de heróis e florestas (onde os secretários não mandam nisto e não dependemos de subsídios nem das ideias requentadas dos outros mas do nosso trabalho honesto e do nosso trabalho criativo) nunca aconteceu.

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