É obeso, inepto, imobilista, esbanjador. Não ajuda ao desenvolvimento, pelo contrário, consome recursos que podiam ser desviados para a economia. Não promove a igualdade, antes serve os interesses de uma minoria silenciosa, que se abotoa à custa dos contribuintes. Não resolve, empata. Não facilita, complica. O Estado é o diabo que está sempre atrás da porta da governação. Por isso é que quem governa não consegue fazer reformas, nem tomar decisões. No máximo consegue anunciar reformas e adiar decisões. Porque o Estado é o Estado é o Estado.
Quem se endividou com as PPP? O Estado. Quem empregou milhares de amigos? O Estado. Quem se desdobrou em institutos inúteis e duplicou serviços? O Estado. Quem desbaratou património? O Estado. Quem viveu sempre acima das suas possibilidades? O Estado.
É injusto fazer dos governos bodes expiatórios quando se trata de apurar responsabilidades sobre o Estado a que se chegou. Porque como é óbvio a culpa é toda do Estado. Portanto morra o Estado. Pim! E quem o apoiar.


“Just imagine an attempt to establish what is called capitalism without a legal system – it would inevitably end in corruption and robbery. So the difference between more and less state intervention is negligible in comparison with the difference between a society with and a society without a legal system.”
Karl Popper, in ‘The Lesson of This Century’, KP interviewed by Giancarlo Bosetti.
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Karl Popper, in 'The Lesson of This Century', KP interviewed by Giancarlo Bosetti.
<<Imaginem uma tentativa de estabelecer o que é chamado de capitalismo sem um sistema legal – iria inevitavelmente acabar em corrupção e roubo. Assim, a diferença entre mais e menos intervenção estatal é insignificante em comparação com a diferença entre uma sociedade e uma sociedade sem um sistema legal.>>
Comentário 1:
Significa que o problema português não tem a ver com liberalismo ou socialismo, mas sim um problema de sistema legal. Concedo que para haver liberalismo (que defendo) tem de se construir primeiro um sistema legal (que seja um sistema legal!!).
Comentário 2:
Na minha juventude (há 40 anos) militei a Juventude Monárquica Revolucionária. Quem se lembra ainda do monárquico anarquista João Camossa Saldanha? O nosso guru.
Pois é… Ainda me sinto libertário e anarquista. Mas não pode haver anarquismo se o Estado é corrupto. Contradições do Diabo!
Sem dúvida. Antes da discussão sobre mais Estado/ menos Estado, devem ser feitas outras avaliações. Sem um sistema legal que funcione não se pode refundar o Estado. Mas sem um mínimo de honestidade intelectual no discurso político – era fundamentalmente esse o meu ponto – também não se vai a lado nenhum.
É inacreditável como os políticos, sobretudo os que se apresentam como mais reformistas não só não assumem as responsabilidades pelos erros do passado, como pretendem fazer passar por reformas estruturais os cortes orçamentais de que se ocupam agora.
Sou uma estatista, José Menezes. Quero o Estado em áreas sensíveis como a saúde, a educação e a segurança social, precisamente porque entendo que as amplas liberdades do liberalismo não são compagináveis com uma cultura democrática tão sofrível como a nossa.
Não há desonestidade em quem defende o liberalismo. Talvez haja mais utopia prática.
O liberalismo funciona em países anglo-saxónicos. Não é por acaso que Bertrand Russel defendeu (em tempos idos) que a democracia era uma característica da “sua” cultura. Seria impossível nos países do Sul. Li isto, há “praí” 40 anos em “A Minha Concepção do Mundo”.
Claro que já ouvi Durão Barroso referir-se directamente a esta afirmação, para dizer que B.R. se enganou. Será que se enganou? Será que a falência económica de Portugal desde a democracia (Setembro de 1975), não prova isso? É que falimos por razões muito diversas das da Islândia ou da Irlanda e muito mais afins das da Grécia, da Espanha ou da Itália.
Mais acima, num outro comentário, sugeri que a culpa de haverem tão poucos a defender utupias era da pílula. Pois agora sugiro: Não tome a pílula se o seu “amante” (sem qq ofensa) for anglo-saxónico. A globalização fará o resto do trabalho.
Como disse Jorge Amado (não sei onde): o futuro do mundo é a mestiçagem. Cabe ás mulheres, dado que são elas que escolhem com quem hão-de acasalar, a decisão de tomar a pílula.
Cá por mim também as prefiro, talvez por preconceito (?).
A Minha Concepção Mundo – tenho-o na prateleira, fazia parte das leituras obrigatórias do meu curso, mas já não lembro essa passagem. Em poucas coisas concordaria com Durão Barroso, mas neste ponto estou com ele. A democracia nos países do sul só é mais difícil. A cultura católica não ajuda à disciplina e ao sentido de responsabilidade. Não por acaso se fala da “ética protestante” por oposição ao laxismo dos católicos. É a vida.
em tempos, parece ter havido alguém que se acusou, dizendo “eu é que sou o estado”…mas também parece que tinha apanhado muito sol naquela cabeça (apesar de usar peruca).
Infelizmente esse deixou muita descendência. Pavões e pavoas é o que há mais
Talvez a maior razão da Revolução Francesa, hoje apontada como iniciadora da democracia moderna, Não fossem os franceses chauvinistas e os progressistas portugueses “trés galicistes”.
Esquecem-se que a Magna Carta foi apresentada em Inglaterra em 1220 (±) e adoptada em 1280(±), assim como, coisa inaudita, o “Habeas Corpus”.
Em 1690, 100 anos anos da Revolução Francesa, foi adoptada uma “Declaração de Direitos” pelo parlamento inglês.
Hoje ninguém fala nisso, e também não vejo os ingleses aborrecerem-se com o esquecimento. Afinal são coisas do outro lado “do canal”.
Ironicamente, a ironia é verdade. Além disso, o Estado (sobretudo quando enquanto braço-armado da frente maçónico-socialista) esmaga e faz concorrência directa às PME’s por 3 formas: 1) protege os sectores mais rentáveis da economia, manipulando indirectamente o universo da sub-contratação de serviços que poderia estimular centenas de micro-empresas; 2) legisla contra as empresas de pequena dimensão; 3) faz concorrência directa a um possível universo de empresas de média dimensão, através de um municipalismo feroz e usurpador, normalmente entregue a caciques partidários. Podia acrescentar mais, mas é feriado e estou cansado de aturar isto.
Não sei se senhores como Cavaco Silva e Ferreira do Amaral se vão reconhecer enquanto elementos da frente maçónico-socialista, mas claro que a minha ironia corresponde à verdade. Não se explica é enquanto produto de uma ideologia, a não ser que consideremos uma ideologia o nepotismo, o nacional-amiguismo, o caciquismo, o tráfico de influências, a distribuição de benesses e produção de leis armadilhadas para facilitar a vida a determinados lobbies, enfim a instrumentalização do Estado pelos partidos políticos. É isso que está em causa e não esse bla bla ideológico, que mais parece “conversa para boi dormir”, como dizem os nossos amigos brasileiros que já perderam a paciência para estas coisas.
ok.
Não há economia que resista à concorrência feita pelo estado à custa dos contribuintes.
A explicação é simples: o estado manipula dinheiro dos contribuintes que não é dos decisores políticos. É fácil prometer mundos e fundos com dinheiro que não é nosso.
Imagine-se que, por uma questão de equilíbrio social, o estado criava “Cafés Públicos”, isto é, café a preços reduzidos cujo custo era pago por entre os impostos:
1. Os cafés públicos seriam uma m…. em termos de ambiente e conforto.
2. O atendimento seria: ponha-se na fila, já tirou a senha? Enquanto eu ponho a conversa em dia com a minha colega (funcionária pública).
3º O café era certamente mal tirado, intragável e também uma m… e, se quiser e for rico, vá à privada!
4º Os cafés “privados” iriam à falência, ou teriam preços mais altos ainda porque se destinariam a ricos que não estão para aturar serviços públicos.
Eu defendo a economia de mercado, José Menezes. Cafés do Estado? Isso é coisa de países comunistas ou nem isso. Na China se existem estão em vias de extinção com certeza. A presença do Estado só faz sentido em áreas tendencialmente deficitárias como a saúde e a educação e a assistência social, áreas de serviço público que não devem ser geridas segundo uma lógica estritamente mercantilista.
Mas a lógica do mau serviço público pode estar na caricatura que apresentei.
Ultrapassando a questão fulcral de haver um sistema legal que seja um sistema legal, podem-se criar sistemas equilibradores da sociedade (daí o que chama de áreas sensíveis como a saúde, a educação, a assistência social e mesmo os transportes) que sejam realizados por privados (e, sem medo, serem áreas de negócio), devidamente regulamentados pelo estado.
Parece-me óbvio que a gestão estatal é sempre má, burocrática e injusta, salvo raras e efémeras excepções.
Mas concordo consigo (o paradoxo do anarquismo): sem um sistema legal que seja um sistema legal, talvez seja melhor a má gestão e a corrupção ± limitada do estado (dos governos e seus boys, se quiser) do que a corrupção generalizada.
Creio até que há um exemplo histórico, o da Argentina. Mas não estou suficientemente informado para falar disso.
E quando não há dinheiro suficiente para suportar esses serviços por que lógica que não seja “mercantilista” devem ser geridos?
Pois, milagres não se fazem. Mas o dever de quem governa essas áreas é tentar preservar esses serviços, que são o que devia absorver e justificar o dinheiro que nos levam em impostos.
Relativamente a isso, estamos todos do mesm lado. Toda a gente prefere mais e melhores serviços de educação, saúde e apoio social, mas isso também não pode ser feito à custa da lógica não menos economicista de aumentar efectivos e despesa sem preocupações de optimização de recursos e depois pensar que esse modelo é inalterável e até é inconstitucional fazê-lo prque o serviço público de repente deixa de ter uma base lógica e passa a ser “sagrado”.
Quem empregou milhares de amigos? O Estado.
Isso é uma referência a alguns bloggers deste blogue?
Oh não! Fomos retratados pelo Luís Lavoura! E agora?!!!
É simples.
Os Estatistas não aceitam que haja Liberais. Já os Liberais aceitam os Socialistas. Os Socialistas são livres de fazer Socialismo entre eles, já os Socialistas, Estatistas não aceitam que os Liberais sejam Liberais.
É essa a diferença, uma questão de intolerância à diferença por parte Estatistas/Socialistas.
Poderia por exemplo existir Socialistas Liberais, ou Comunistas Liberais . Nesse caso fariam Socialismo e Comunismo com os que acreditam no Socialismo e no Comunismo. Sem obrigar quem não o é.
Acha que os liberais, lá porque são liberais são menos intolerantes? Deixe-se disso, Lucky. A intolerância observa-se nos dois lados da barricada.
Por acaso “sinto” intolerância e maniqueísmo na esquerda.
Gosto de afirmar que a esquerda é uma invenção da esquerda para se auto-elogiar e a direita é uma invenção da esquerda para chatear os outros.
[Claro que sei que esta dicotomia foi inventada nos anos que se seguiram à revolução francesa, não se assuste].
A conclusão é de quem não sabe o que é esquerda ou direita é necessariamente de direita, como é o meu caso. Mas culpa não é minha.
Já agora. Já reparou que a ortodoxia é “ser-se de esquerda”? Também será um paradoxo?
A direita gosta de dizer que a ortodoxia é ser-se de esquerda, mas se isso foi verdade durante muitos anos após o 25 de Abril, agora já não é bem assim. À medida que a direita foi saindo do armário foi deixando de acontecer.
Pois eu acho que é!
E agora? Um de nós tem razão. Um rink de boxe não é solução. Apenas sinto.
Será mensurável para qualquer dos lados?
Sinceramente, para além de casos particulares que me podem dar razão, não são estatisticamente válidos.
Poderá ter alguma ideia que eu concordarei (ou não). Caso contrário, esperemos para ver outras reacções. Não sabemos o que pode acontecer.
Confio apenas na sua honestidade intelectual. Confie em mim também.
Mesmo que não concordemos com outras reacções, suspeito que o futuro dará razão a alguém.
Uma abraço.
Parece-me muito razoável 🙂
“smaile”