O estado da arte


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Raramente leio o “Expresso”. E nunca leio Clara Ferreira Alves. Ontem uma amiga convocou-me: “Lê a crónica da CFA”. Li. E recomendo-a, pois é uma boa descrição do actual “estado da arte” português. Trata-se de “O Torso Dispensável“.

(Como o texto tem acesso reservado a assinantes poder-se-á ler uma transcrição parcial, mas quase completa, aqui.)

7 comentários em “O estado da arte”

  1. Usando a metáfora (alegoria?) da criançada.
    Há aqueles pais que educam os seus (e suas) petize/as de um modo coerente, tentando ao longo da vida mostrar-lhes os caminhos certos e errados, elogiando e criticando, recompensando o bom comportamento e castigando o mau. Dá trabalho, até porque nem sempre se tem a paciência para tomar certas decisões, tais como explicar porque algo deve ser feito, e quais as consequências de um acto irresponsável.
    Depois há aqueles pais um pouco mais desligados. Deixam a criançada fazer o que quer. Volta e meia passam-se dos carretos, ou a tropelia ultrapassa o razoável, e portanto mandam uns abanões nos putos, ou um tabefe/palmada. Este método tem, para lá de todos os outros, um grande problema: os putos vão-se habituando às palmadas, pelo que à medida que o tempo avança, as doses e força das mesmas também terão de aumentar.
    O nosso Governo é por norma preguiçoso, portanto a sua relação com as 10 milhões de crianças que tem a seu cargo é a do abanão. O portuga normalmente acha que um tapinha não dói, como canta a outra, mas o Costa não se devia fiar demasiado nos brandos costumes.

  2. Bem CFA não oferece nada de novo em sua reflexão.

    Vejamos:
    Rio, anunciando que votaria contra o OE, demonstrou estar atento ao fenómeno e empurrou Costa, o PCP e o BE para os indesejáveis braços de uns e de outros.
    Quem demonstrou ter faro político foi Rio e não Costa, Catarina e o Jerónimo.

    Continuemos a ver:
    Ainda que eu preferisse António José Seguro, que hoje muitos do PSD sentirão saudades, o princípio constituinte desta geringonça não só era meritório como necessário, pois o PPC e restante comitiva, incluindo o PR de então, não estavam à altura dos acontecimentos e mantinham uma visão provinciana em um contexto de análise global que carecia de perspectivas analíticas futuras.
    A crise pandémica não pode ser dissociada da crise endémica em que vivia Portugal e a UE, por estes determinada até mesmo antes desta se tornar espécie nativa.
    Portanto, a crise foi uma espécie introduzida e reintroduzida sucessivamente por colectores desqualificados.

    Retomando a visão:
    Costa multiplicou o seu poucochinho para fazer de seus aliados parte no poucochinho e tão pouco ambiciosos quanto ele em matéria de visão global da sociedade.
    Neste sentido, Rio transformou-se, e bem, num outsider. Com esta atitude ele cimentou na sociedade portuguesa a convicção de que os putativos governantes, mais conhecidos por geringonços, nada mais fazem que passear-se, reféns uns dos outros, pelos corredores do poder para se beneficiarem e beneficiar clientelas marginais aos interesses da nação.

    Claro que se a um pobrezinho que nada tem lhe oferecerem €50,00, ele sai beneficiado; mas não sai da pobreza.

  3. Nunca (desde há muitos anos) leio o Expresso e muito raramente leio ou ouço Clara Ferreira Alves.

    Hoje gostei de a ler apesar de me sentir incomodado. Acontece que sou sensível à necessidade de uma imprensa independente e, em conformidade acredito que devo fazer um esforço financeiro que, em verdadeiro rigor, as minhas pensões de reforma não aconselhariam. Acabei por subscrever “O Observador” tendo sido para isso decisivos Rui Ramos e Helena Matos.
    Assim foi algo incomodado que li um artigo “premium” sem para isso ter contribuído. Mas, como disse, gostei.

    1. Tem toda a razão no que diz. Esta pirataria informática que grassa destrói a imprensa, em particular a imprensa livre – pode-se gostar ou desgostar do Expresso (eu não gosto, e é escandaloso o seguidismo sousista que segue, entre outros) mas é “imprensa livre”, no sentido de segue as suas opções.

      Acontece, em minha parca defesa, que eu deixei ligação para o texto original. Quem o quiser ler defendendo o jornal pode seguir essa ligação. E, para minha maior defesa, o artigo (ainda que, como diz comentário acima, “não diga de novo” – eu chamei ao postal de chamada de atenção “estado da arte”, e um estado da arte é um diagnóstico, uma síntese, porventura com laivos de tese, mas não uma originalidade -, é um bom contributo para a discussão da situação nacional. E que melhor defesa para a imprensa livre do que um bom debate sobre o estado da situação nacional?

      Mas sim, tem razão, a “apropriação” comunicacional dos produtos da imprensa é um assunto grave.

      1. Recordo ainda que há alguns meses o Pedro Correia escreveu aqui um muitíssimo louvável texto sobre esta pirataria que torna os jornais e revistas um produto gratuito.

  4. O triste estado da arte, sim, vai para quase meio século.
    Porque a política em Portugal é exclusivamente um acto teatral -com fitos eleitorais- entre os ocasionais líderes dos partidos, preocupados não com o País, mas sim com o sucesso e sobrevivência eleitoral do seu partido.
    Daí o travo a caricato quando, magnanimos, proclam o que quer que seja, tentado passar por governantes do País e não o que realmente são: os gestores dos interesses do seu partido.
    Claro que há solução para este imbróglio nacional, mas….

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