A Autoridade para as Condições do Trabalho, agora muito invocada a propósito das “cercas sanitárias” impostas a duas freguesias do concelho de Odemira onde há muitos casos de Covid-19 entre os imigrantes que trabalham para explorações agrícolas, tem apenas quatro inspectores para todo o Baixo Alentejo.
Este é o Estado a que chegámos.

As filas constantes de pessoas mais velhas ao sol e a chuva para a vacinação é menos grave do ter quatro inspectores para o Baixo Alentejo?
Filas ou bichas?
Este país anda a brincar com os idosos (pessoas mais velhas).
Esta história das filas ao Sol e chuva,faz-me impressão. Eu moro em Lisboa,freguesia de Alvalade,recebi a SMS,respondi,no dia combinado, lá fui ao Estádio Universitário,tudo com calma, preenchi o questionário,havia uma médica para esclarecimentos,tomei a vacina,estive os 30 no recobro,vim embora com a 2 dose marcada. Pergunto, porque não é assim em todo o lado? Não é o mesmo País?
Engraçado no meu local de trabalho,os atrasados e os faltosos, não eram alentejanos…
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Isso é pouco?
Que eu saiba, no Baixo Alentejo a população é reduzida e o número de trabalhadores por conta de outrem é ainda mais reduzido, dado que boa parte da população são reformados.
Não é para mim evidente que quatro inspetores sejam insuficientes.
Sabendo-se que cada exploração agrícola só daqueles dois concelhos – Odemira e Aljezur – está autorizada a contratar até 400 trabalhadores para estas actividades sazonais e que o Baixo Alentejo é a região com maior vastidão geográfica do País, estendendo-se do Atlântico à fronteira espanhola, só por tontice alguém pode presumir que quatro inspectores não chegam.
Capazes até de haver disso em excesso.
Talvez apenas um já bastasse. Você, por exemplo.
Não esquecer que o Alto Alentejo é uma região com dimensão geográfica reduzida, facilidade nas deslocações, as explorações agrícolas estão ali juntinhas umas às outras, e claro, como está cheia de alentejanos, trabalha-se pouco, logo não são preciso muitos inspectores do trabalho.
Baixo Alentejo, neste caso.
Portanto, poucos e velhos. Querem ver que estou morta e não sabia?
há muitos casos de Covid-19 entre os imigrantes
Creio que isso não é verdade. Há muitos imigrantes que testaram positivo para o vírus SARS-Cov-2. Mas a imensa maior parte deles são relativamente jovens e não estão doentes. Estão ótimos de saúde. Se os deixarem, de bom grado irão trabalhar. E isso não prejudicaria ninguém, dado que a imensa maior parte dos seus colaboradores também são jovens e também não ficariam doentes se contraíssem o vírus.
Já é altura de nos deixarmos de mariquices e aprendermos a tolerar o vírus.
Ah, claro, ter duas freguesias fechadas a cadeado, submetidas a “cerco sanitário”, é tudo menos grave e não prejudica ninguém.
Vê-se bem que você vive bem longe.
São prevaricadores!
Para esses quatro, devem de estar umas vinte cunhas em lisboa a “fazer” trabalho administrativo. E a supervisionar o trabalho desses quatro devem de estar outros vinte.
É bem possível.
A gestão dos FP e de entradas e saídas é a prova provada de que a Função Pública é tudo menos uma organização que possa prestar bons serviços.
Enquanto em certos locais e/ou para certas funções há clara falta de gente, noutros é o contrário. Como ninguém pode ser despedido, e não se pode contratar alguém até saírem outros, anda-se neste limbo. Porventura hoje as necessidades de RH da Função Pública são diferentes do que eram há 20 anos atrás, mas a estrutura monolítica não se consegue adaptar. Depois recorre-se a contratações externas, o que acaba por ficar mais caro, e em alguns casos é pouco produtivo.
Andamos todos a fazer que não vemos e nem sabemos as condições em que vivem aqueles pobres. Nós que sempre fomos de nos atirar ao mundo, devíamos querer para eles o que quereríamos ter tido para nós. Mas a ganância do lucro retira-nos da igualdade que temos com eles. O mundo português do futuro vai ser muito miscigenado e não sei se estamos preparados para ele. Agora é acudir ao presente. A pandemia levantou algumas lebres. Só algumas.
O que é que anda a fazer o Cabrita ?
Então mas o problema é a falta de inspectores, é o covid é a cerca sanitária ou está a haver aqui uma grande confusão?
A corrupção alastrou a todos os níveis em Odemira, a pandemia apenas destacou o caso mais grave.
Será que nunca ninguém desconfiou do número exagerado de imigrantes em Odemira?
Será que nunca ninguém desconfiou do número exagerado de beliches metálicos fornecidos em Odemira?
Nunca consegui entender este tipo de julgamentos à posteriori. Se tudo corre bem é uma maravilha, ninguém desconfia, o dinheiro escorre. Se as coisas correm mal, cai o Carmo e a Trindade e começa logo o passa culpas.
Será que é a falta de inspectores que impede os empregadores da região proporcionarem condições dignas aos seus trabalhadores?
Será que esses trabalhadores fazem os descontos para a segurança social?
Este problema é endémico, existe na construção civil, existe na aquisição de contratos e existe porque há corrupção.
Não é um problema de falta de inspectores é um problema de corrupção.
Pandemia isto, pandemia aquilo, bla bla bla. Já chega! È mas é tratar de chamar à pedra os funcionarios publicos que chegaram a cargos de governação.
E os quatro inspectores têm viatura para se deslocar às empresas ou às obras?
Eduardo Cabrita e Pedro Nuno Santos são a exemplificação perfeita do “princípio de Peter” algo que dá imenso jeito ao sr poucochinho….
Eduardo Cabrita e Pedro Nuno Santos são a exemplificação perfeita do “princípio de Peter” algo que dá imenso jeito ao sr poucochinho….
Pedro Cunha
A falta de inspectores da ACT, assim como da ASAE, são uma ténue bênção que protege o país real dos devaneios e demais espasmos dos respectivos dirigentes.
Os inspectores queixam-se, com razão, de falta dos meios necessários, como sejam veículos inspecionados, com seguro e combustível no depósito. Mas existe uma instituição tuga a que não conseguem resistir, e que é a denúncia. O maior motor da denúncia no nosso país resulta de um sentimento que está entre nós suficientemente enraizado para merecer ter sido a última palavra da obra maior de Camões. Perante uma denúncia, vão buscar forças ao mais profundo da sua bílis e saem disparados.
Uma vez fui vítima de uma coisa dessas e quando entendi o que se estava a passar, lembrei-me daqueles lançamentos de pau, ou bola, que os donos dos cães fazem nas praias. O empenho que os cachorros colocam naquela actividade esgota-lhes a energia, e a inteligência.
Queria que permitissem estufas no Sudoeste Alentejano e inspeção no trabalho, são mutuamente exclusivas.
Tem de se decidir. Ou quer que os trabalhadores não ganhem acima das suas possibilidades e trabalhem por uma côdea de pão, ou quer que o trabalho seja inspecionado e as condições garantidas. Sol na eira e chuva no nabal não dá.
Nunca ocorreu a ninguém porque é que num país em que o salário mínimo é 650€ não aparece ninguém para este trabalho e é preciso ir buscar imigrantes. Se se vai buscar imigrantes é porque as condições oferecidas são abaixo do mínimo legal.
A falta de inspetores é parente do fim das contratações coletivas, do cerco aos sindicatos, da desregulação do trabalho e também da imigração com regras tais que torna muitos dos trabalhadores imigrantes ilegais, logo trabalhadores dóceis que podem ser deportados se levantarem cabelo.
Não esquecer, também, as empresas de aluguer de mão de obra, que nascem como cogumelos e sem despertar a mínima suspeita aos serviços centrais.