O tema da gestão da dívida grega tem ocupado o primeiro plano das atenções mediáticas mas, na realidade, é secundário. Antes de discutir formas de aliviar o peso do serviço da dívida sobre as contas públicas da Grécia (ainda assim, menor do que em Portugal ou na Irlanda) é essencial saber que reformas se propõe o governo grego levar a cabo para manter um saldo orçamental primário positivo na ordem de – aceitemos, para início de conversa, os valores de Varoufakis – 1% a 1,5% do PIB. Neste momento, com excepção de um propósito difuso de perseguir a evasão fiscal, tudo aponta para um acréscimo significativo da despesa pública, provavelmente superior à «folga» de 3% do PIB que este cenário permitiria (o pacote de 12 mil milhões de euros que o Syriza anunciou durante a campanha representa cerca de 7,5% do PIB). Varoufakis prometeu apresentar medidas concretas (espera-se que detalhadas, com prazos e efeitos previstos) no decorrer da próxima semana. Até lá, tudo é mais ou menos irrelevante, incluindo o périplo europeu em curso. Aliás, seria talvez melhor que ele se encontrasse em Atenas a preparar as medidas do que em aeroportos e aviões a colocar posts no Twitter.
O essencial e o secundário
escafandro,

Parece-me que está difícil entender que os gregos estão a apresentar propostas realistas e que não se escudam em truques como este, por exemplo, http://expresso.sapo.pt/regras-tiram-640-m il-das-estatisticas-de-pobreza-em-portug al=f909179 para encapotar a verdadeira realidade dos programas e distorcer os resultados que aí virão através da queda dos preços, que retiram valores à colecta, e a consequente deflação.
Acontece que perfilho da interpretação da Daniel Bessa, isto é, quem não tem nada para dizer e não sabe o que dizer deve ficar calado: x?fid=27&did=176854
http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.asp
Todavia, os que não sabem o que fazer não podem usar instituições como o BCE para tomar medidas que originaram de imediato o reforço do dólar e fizeram disparar os juros sobre Portugal, Espanha e Irlanda. Acontece também que o anúncio do BCE foi gratuito e sabe-se que não tem consequências na liquidez do sistema bancário grego: idez-bancaria-esta-assegurada-apesar-da-d ecisao-do-bce=f809285
http://visao.sapo.pt/grecia-diz-que-liqu
Por outro lado, a Grécia, corajosamente, veio revelar os vectores que apodrecem o sistema social, económico e financeiro europeu e só está aí como pretexto para invejosos e fracos que não tiveram a coragem de levar a efeito as mesmas atitudes.
Não há nada de novo debaixo do Sol.
Como é normal tinhamos de ter a vigarices do Vento. Vindo directo da manipulação jornalista : transformam a desigualdade em pobreza, ficam muito satisfeitos por terem desenhado regras que aumentam o número “pobres”- mentira consciente para desigualdade -e depois quando essas regras se voltam contra o que desenharam atacam o que defenderam.
Como hoje atacam a dívida que defenderam.
Pior, ainda defendem. Mas estão contra. E a favor.
Na Esquerda é possível ser tudo e o seu contrário.
“Parece-me que está difícil entender que os gregos estão a apresentar propostas realistas”
Quais? Eu ainda não vi propostas concretas. Aliás, parece que Varoufakis pediu hoje “tempo” para as estudar, sendo que, na versão de hoje, “tempo” é até Maio.
Ah, e afirmou que aceita dois terços do pacote de austeridade em vigor.
Ah, e referiu-se aos alemães como “os meus amigos alemães”, o que, para um indivíduo (e para um governo) alegadamente frontal, que dizia o que dizia ainda há duas semanas, é de uma hipocrisia gritante, pelo menos ao nível da dos políticos “tradicionais”.
Meu caro José,
antes de tudo só mais um: restimos-de-emergencia-a-banca-grega-ate-8 36460-mil-milhoes=f909562
http://expresso.sapo.pt/bce-autoriza-emp
A UE joga na mesma proporção aparentemente contraditória que a Grécia. Não se deixe impressionar com tanta informação e desinformação.
Mas da UE a gente já espera avanços, recuos e contradições, não é? O pessoal do novo governo grego é que ia estar imune a joguinhos…
Quanto ao recurso à ELA, tem custos acrescidos para os bancos (taxa de juro mais elevada) e necessita de aprovação regular (quinzenal, creio) por parte do BCE.
Meu caro José,
não se importe com os custos e com os prazos para renovação. O que é certo é que o BCE já corrigiu para não mostrar que quer voltar atrás. Escrevemos sobre outra coisa. A fase da “batalha” é mesmo esta.
Aguarde.
Parece que vão imbentar agora as medidas.
http://www.ionline.pt/artigos/dinheiro/m inistro-grego-diz-atenas-precisa-seis-se manas-no-maximo-elaborar-propostas
Isso já está desactualizado. Primeiro apresentava-as na semana que vem (como refiro no texto), depois era em seis semanas (como refere a notícia do i), agora é até Maio: e-diz-que-nao-ha-acordo-com-gregos-e-que-c abe-a-grecia-encontrar-uma-solucao/
http://observador.pt/2015/02/05/schaubl
Meu caro José,
não dê assim tanto valor a essa notícia. Deve fazer uma análise, mesmo que anterior, dos analistas que andam por este mundo. Acabei de acrescentar mais uma resposta à questão que me coloca mais acima.
http://en.protothema.gr/german-goldman-s achs-economist-says-yes-to-another-greek-d ebt-haircut/
Significa isto que a realidade grega só é contraditória para aqueles que contradizem constantemente a realidade grega. Estão em processo de negação até verem que a realidade pode ser outra.
Já isto aconteceu na crise da Crimeia e da Ucrânia e que não se vê um fim para breve.
Uma estranha mistura de marxismo analítico, populismo retórico e neokeynesianismo económico parece estar a tomar conta de uma parte significativa da esquerda europeia. A vitória do Syriza suscitou arrebatamentos inesperados em sectores e personalidades que extravasam largamente o espaço político tradicionalmente identificado com a esquerda mais extremista.
Não foram, aliás, poucas as vozes que enalteceram tal sucesso antevendo-o como a nova encarnação política da social-democracia do século XXI. Quase trinta anos depois da derrocada do muro de Berlim e da desagregação do mundo soviético, a própria ideia comunista parece suscitar um renovado interesse aos olhos de quantos vêem na desigualdade o grande mal contemporâneo. Os teóricos e os políticos que se inscrevem numa linha de orientação marcadamente antiliberal são recebidos por públicos ansiosos como verdadeiras rock stars investidas de capacidades quase demiúrgicas.
(…)
Na verdade, seria trágico para o país que uma parte do Partido Socialista se afastasse de uma linha até aqui historicamente prevalecente, inscrita numa tradição de compromisso europeu, quer no plano doutrinário, quer no âmbito político. Essa linha não está morta e tem dado sinais de inequívoca vitalidade nos últimos meses. Esses sinais traduziram-se em importantes alterações de comportamento das principais instituições europeias, com reflexos positivos que se começam a perceber. Aqueles que descrêem das virtualidades deste caminho, e que preconizam a teoria do confronto a nível europeu, partem de uma avaliação errada da natureza política da Europa e enfermam de uma certa confusão doutrinária que nada auspicia de bom.
Francisco Assis, jornal Público.
(Um dos poucos que mantém acesas as lamparinas do juizo)
Sem dúvida. Talvez – isto não vai soar bem mas que se lixe – Costa, Galamba e outros do mesmo jaez devessem ir a Felgueiras levar uns sopapos de outros socialistas para ver se ganham juízo…