Depois disto e disto, faltava-me ainda assinalar um dado curioso sobre as eleições europeias: a tendência notória para uma subida da direita no seio da UE. Inesperada para alguns vital-moreiristas, mais preocupados com a escolha de Durão Barroso para novo mandato do que com os sinais que haviam de penalizar os seus próprios partidos, os socialistas europeus – uns em exercício, outros na oposição – começam a sentir os ventos do deserto à sua frente.
O lado mais interessante do facto é que a família socialista europeia é generalizadamente arredada ou contida na sua capacidade decisória precisamente quando a UE vive uma crise mundial atribuída ao "neoliberalismo" de que a direita é acusada. Parece estranho? Pois este dado, contraditório na aparência, tem várias leituras. Uma delas é clara: o liberalismo está para virar e durar. Com nova regulação, com nova ética, talvez, mas a direita moderna ou a esquerda moderada não é para deitar fora. Não vale a pena ir rebuscar no baú receitas socialistas com cheiro a Fénix renascida, enquanto o socialismo não se modernizar e continuar o exercício dúbio de conciliar o inconciliável.
Nem sei o que chamar a esta contradição, na senda desta curta série sobre «O dilema» e «O "trilema"». Só sei que o facto em si mesmo é sentido à flor da pele pelos socialistas e gera por aí muita comichão. Eczema, talvez?…

Ó João, não se faz… Eu tinha pensado escrever hoje um texto onde dizia várias coisas que aqui leio… Andou a piratear-me o computador? Um abraço!
Uau!
Um abraço, José.
(Pensei que nos tratávamos todos por ‘tu’, no DO.)
🙂 Eu sou muito old-fashioned! Um abraço para ti, então! 🙂
Outro para ti, José.
Parabéns, compadre. Tocas no ponto certo: “Com nova regulação, com nova ética, talvez, mas a direita moderna ou a esquerda moderada não é para deitar fora. Não vale a pena ir rebuscar no baú receitas socialistas com cheiro a Fénix renascida, enquanto o socialismo não se modernizar e continuar o exercício dúbio de conciliar o inconciliável.”
É isto mesmo.
Só um socialista é que não entende. E não só em Portugal. Até se sente o cheiro a mofo. Bafiento.