O Correio da Manhã no seu melhor


modosdever,

Portugal esteve no sábado à beira de uma revolução, segundo o Correio da Manhã de segunda-feira. Escrevo-o só hoje porque tive de beber entretanto duas grades de água das pedras. Quem leu nas páginas 8 e 9 do tablóide o que preparavam quatro grupos de “radicais violentos” com certeza que se benzeu no último parágrafo. Agentes das Equipas de Reacção Rápida apreenderam – ao fim de duas horas – um arsenal a que só faltava uma bomba de neutrões – oito escudos artesanais, vinte e três paus, quatro capacetes, duas tochas, 60 petardos, uma garrafa de ácido muriático e alumínio para o fabrico de bombas artesanais, um megafone, cinco latas de spray, um saco de smoke balls, um par de caneleiras, três canivetes, 33 bandeiras verdes, pretas e vermelhas e cotoveleiras. Parece que também havia “explosivos”. Depois do cerco do perigoso exército, as forças de segurança detiveram um indivíduo não identificado por trazer consigo um “petardo” e um francês (desta vez não era um alemão, nada mau) no qual descobriram uma “faca” de dimensões não ditas (um dos canivetes?). Os restantes “radicais” puderam voltar para casa tranquilamente com os restantes 59 petardos – que deverão reaparecer na próxima “notícia”. Os revoltosos mostraram bem do que são capazes mandando ovos e balões de tinta contra a fachada do CDS, no Largo do Caldas. Fontanário do CM: os acostumados “relatórios” e “fontes” policiais sem nome nem departamento. A fechar o vómito, quatro caixinhas sobre outros tantos “movimentos de risco”, incluindo os muito, muito, muito perigosos tocadores de tambor Ritmos de Resistência – portugueses, do que escapámos! – da altamente subversiva “rede internacional libertária” GAIA. Extraordinário! Com correios assim as nossas polícias e quem as usa não precisam nem de conferências de imprensa nem de comunicados para criar oportunas diversões. 

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