"Saramago critica a guerra santa e a atitude da igreja face aos povos de manipulação de vontades (e tem razão), mas esquece-se que muitos do que são considerados os valores mais nobres da humanidade também se inscrevem na Bíblia.
E quanto ao papel social da Igreja nos dias de hoje – sem esquecer afirmações que chegam a ser criminosas de algumas das suas mais altas figuras, como aafirmar que o caminho da luta contra a sida passa pela abstinência ou pela monogamia, dizendo que o preservativo até pode ser fonte de contágio – mas pensando no que são muitos padres, freiras e leigos dedicados, podemos concluir que sem muitos destes ‘católicos de base’, inspirados justamente no tal ‘manual de maus costumes’, o mundo seria muito menos solidário e fraterno, em suma, seria um mundo pior.
Quanto a ele não acreditar em Deus e achar a Bíblia e outros livros religiosos uma parvoíce, está no direito dele e é livre de o dizê-lo, é o que pensa. Mas meter tudo no mesmo saco é que parece mal…"
Do nosso leitor Rafael Fortes. A propósito deste texto do João Carvalho.


Boa escolha, compadre. A lucidez do Rafael Fortes merece-a.
Mas o Saramago criticou algum religioso ou alguem por ter religião ?
Não é possive dizer o que seriamos enquanto sociedade sem a matrix judaico-cristã. O próprio Saramago o assume, dizendo-se “empapado” dela.
Dito isto, tenho para mim que todas as pessoas que são boas dentro da igreja, também o seriam fora. tendo talvez menos meios de aplicar a sua bondade. E as que são más idem mas ao contrário.
Podemos dizer que são mais as boas que as más. Mas isso é em todo o lado.