«Este homem, a quem, com toda convicção, confiei (e voltaria a confiar) o meu voto nas últimas eleições presidenciais, tem na verdade um grande defeito que acaba, afinal, por ser uma das suas maiores qualidades: é um desastrado nato! Engana-se frequentemente, tropeça em si mesmo e nas suas próprias declarações, diz o que não queria dizer e já chegou mesmo a declarar não ter gostado de se ouvir depois de ter dito o que disse. Tudo isto, porém, não lhe tira, a meu ver, qualquer mérito ou qualidade. Antes pelo contrário, acrescenta-lhas. A perfeita compreensão e a aceitação da sua escala e condição humanas, sempre disposto a reconhecer os seus erros, têm tornado este homem verdadeiramente apetecível para todos os quadrantes do poder e/(ou) a ele aspirantes, (como fica bem demonstrado pelo seu percurso dos últimos anos). Ele é justamente o antípoda do político, do calculista, do caça-votos, do arranjista, do enganador, do mentiroso compulsivo que, infelizmente, têm infestado a nossa vida pública das últimas décadas. E é exactamente porque este homem é um «não-político», é um desastrado, é, no fim de contas, um puro, (espécimen que é impossível de se encontrar dentro dos «aparelhos»), que estes, quase sem excepção, o têm chamado esporadicamente para que ele lhes empreste alguma da sua candura, para que lhes dê aquela limpeza e ar renovado que de outra maneira não conseguem ter. Já li e ouvi diversos comentários arrasadores acerca da hipotética ida deste homem para a presidência da Assembleia da República. Que “não conhece o regimento nem os cantos à casa”, “que não é um verdadeiro político”, “que não tem experiência”, blá-blá-blá, blá-blá-blá, têm sido as críticas mais comuns. Curioso, na verdade… Isto que alguns consideram ser verdadeiros handicaps para a ocupação daquele cargo, eu considero justamente serem verdadeiras mais-valias para esse fim. Não haja dúvida que nem todos temos os mesmos valores, nem todos valorizamos da mesma maneira um homem nobre. Verdadeiramente Nobre.»
Do nosso leitor Luís Reis Figueira. A propósito deste meu texto.


Um outro ponto de vista sobre Nobre, igualmente respeitável. Concordo em parte.
O que mais estranho em todos os que falam da falta de experiência de Nobre é que se enraízam precisamente no modo como a política tem sido executada até no passado, um grito de manutenção do “modus operandi”… precisamente o oposto daquilo que se quer: MUDAR.
Só me posso sentir honrado por esta sua preferência, Pedro. Um abraço.