«Recordo a história que um antigo soldado português em Angola contava acerca de uma operação desenvolvida para atacar a base dos guerrilheiros do MPLA. Não me lembro do nome da operação, mas chamemos-lhe “Operação Trovão”.
Ora a Operação Trovão andava há meses a ser delineada em segredo e, depois, começou a sua organização. Iam os soldados todos, com as linhas de logística, a força aérea e se calhar até os submarinos de Portas todos direitinhos àquele quartel-general dos angolanos, um espaço poeirento com umas cabanitas a fazer de casernas.
As forças foram todas reunidas e treinadas até à exaustão de forma a garantir que o plano avançava sem falhas. Os líderes da operação reuniram-se vezes sem conta em Luanda para garantir que nada ficaria ao acaso. O dia foi escolhido para que o tempo (sol, chuva, trovoada ou outra coisa qualquer) fosse perfeito para o ataque. As tropas foram colocadas em posição e a ordem foi dada para o ataque.
No campo estavam apenas os restos das cabanitas, uns papéis pelo chão e só faltava um papel a dizer “Para a próxima façam menos barulho””.
Aparentemente a coisa tinha sido tão mal compartimentalizada [palavra a odiar, Pedro?] que o MPLA foi tendo uma ideia do que se passava através da movimentação das companhias e pelotões pelos bordeis de Luanda. O plano terá ficado completamente claro, juntamente com as datas, quando os líderes da operação, durante a suas visitas a Luanda para coordenação de objectivos, contavam os pormenores todos, tintim por tintim, às senhoras que lhes iam levando as frustrações a golpes de ancas.
Como se vê, a coisa tem tradição nas forças armadas…»
Do nosso leitor João André. A propósito deste texto da Ana Margarida Craveiro.

