O comentário da semana


Pedro Correia,

«Eis a minha tentativa de moderação:

– as caixas de comentários são, a meu ver, um bem precioso.

– as caixas de comentários são como a farmácia: há de tudo.

– quem entra numa caixa de comentários deve saber ao que vai; afinal, o futebol é desporto de contacto e num estádio os palavrões são património imaterial da humanidade.

– tal como noutras situações, também nas caixas de comentários o negativo salta mais à vista que o positivo, mesmo que aquele seja ínfimo; e pior ainda se nos toca pessoalmente ou mexe com assunto que nos é querido.

– tal como noutras situações, também nas caixas de comentários os maus expulsam os bons. E compreende-se que os bons acabem por se retirar. Todavia, sempre que alguém bom desiste, o mal ganha.»

 

Do nosso leitor Sampy. A propósito deste meu texto.

5 comentários em “O comentário da semana”

  1. Para que se mantenha a qualidade e elevação dos postes de iluminação e as postas que surgem como reflexos, eu, como ser celestial, mantenho-me firme e hirto por aqui.

  2. Uma caixa de comentários deve ter as especiarias da vida, um pouco de pimenta ali e acolá não faz mal a ninguém. A insensibilidade das pessoas é que tem de ser refreada para bem de todos.

    Adelino Costa

  3. Porque é que nós comentamos?
    Será que comentamos o conteúdo do texto ou será que comentamos o seu autor?
    Será que utilizamos a mesma linguagem em qualquer caixa de comentários?
    Porque é que os outros comentam?
    Será que um ignorante utiliza a mesma caixa de comentários que um erudito?
    Será que um néscio quando comenta, consegue distinguir o conteúdo, da forma do comentário?
    Será que um letrado quando comenta, está a adicionar saber, ou está a adicionar sobranceria?
    Somos diferentes e temos respostas diferentes para o mesmo tipo de questões.
    Querer reduzir as diferenças à nossa forma de pensar mais não estamos a fazer do que a praticar a exclusão de opiniões diferentes, tanto no conteúdo como na forma, e a certificar a autenticidade do nossa avaliação.

  4. Porventura alguns imaginarão (concebem, idealizam) as caixas de comentários como uma sala de estar onde se acomodam as visitas para amena cavaqueira sobre o tempo e outros factos sérios da vida; ou como a área lounge de um aeroporto, onde os internautas selectos podem relaxar um pouco e trocar palavras de circunstância.
    Para descobrirem, com inusitado horror, que grande parte dos frequentadores transformou aquele espaço num autêntico wc, tratando de aí depositar de forma mais ou menos selvática os seus dejectos mentais. Ao escândalo perante a subversão acresce a repulsa natural, instintiva mesmo, do contacto forçado com os excrementos alheios, e o modo despudorado como são expelidos.
    Certo, temos aqui um problema. Ou dois. Porque parece haver também quem esteja convencido de que o acto de excretar é per se algo de desnaturado e malsão; ou julga ter já atingido pessoalmente a meta da sublimação (vulgo peidar perfume de rosas). Outros pensarão que o problema originário pode ser eliminado com sucesso (a ironia!) desde que não seja presenciado (Na minha sala é que não! Não vejo, não cheiro, logo não existe.).

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