«Também andei à boleia no Douro, Alentejo e Beira Interior (entre 1985 e 1991), complementando alguns itinerários com camionetas “a cair de podres”. Como disse, a maioria das pessoas são de boa índole e anseiam por companhia.
Sendo mulher (e partilho do sentimento de discriminação mencionado por não ser fácil andar à boleia sozinha) quando viajava à boleia era acompanhada. Nunca tivemos problemas quando viajávamos só mulheres (duas ou três) – às vezes alguns avanços de linguagem, rapidamente extintos por nós. Também ajudei a mudar pneus e até a escolher um vestido, para o condutor dar à namorada, numa feira local.
Havia muitos momentos de espera, de ficar à mercê dos elementos, de estar cheia de fome e de sede e já não termos água ou comida. E de andar muito. Mas havia tempo: sem demoras, sem telemóveis, sem chegadas marcadas.
E muitas histórias engraçadas e condutores variados, totalmente diferentes do meu mundo. Aprendi muito, em especial a aceitar ideias diferentes das minhas, a tentar perceber “o outro”, a sair do meu umbigo.»
Da nossa leitora Catarina Silva. A propósito deste texto do Paulo Sousa.

Este comentário está muito bem escolhido. A autora, mais que um simples relato de suas experiências, oferece um olhar feminino e não feminista sobre a envolvência dos relacionamentos.
Esta visão permite-me partilhar uma outra visão, a de Douglas Murray, sobre “A Estranha Morte da Europa”. MXM
Aqui fica para que os verdadeiros machos e femininas possam abrir o olho sobre um futuro que, curiosamente, parece ter sido invertido com o Brexit e a saga denominada por Covid:
https://www.youtube.com/watch?v=eQXHc-tJ