![manuel_ant_pina[1].jpg manuel_ant_pina[1].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2020/21680483_kqWUq.jpeg)
«Fixei o nome do poeta, que me encanta, de uma bela forma: há uns anos, regressada de uma ida a Lisboa numa noite muito chuvosa, apanhei um táxi para casa e, já à porta, o motorista perguntou se gostava de poesia; como disse que sim, recitou um poema (que quero crer fosse o “Regresso”, mas às vezes tenho memória de peixe) e disse o nome: Manuel António Pina. Só aí fixei e, apesar de já ter estado, uns tantos anos antes, com livro dele nas mãos, na livraria Poetria, na rua das Oliveiras, só o comecei a ler verdadeiramente depois da morte.
E são estas coisas que contam, os versos na parede e as boas palavras de quem nos traz o prato à mesa ou de um taxista que perde cinco minutos para dizer um poema a uma passageira.
E Manuel António Pina tem o condão de trazer a delicadeza das pessoas à tona. Na Bertrand, em Dezembro, comprei um livro de poemas escolhidos, que o meu pai levou até à livreira que fazia os embrulhos. Quando regressou disse-me: olha que o teu livro fez com que a cara da menina se iluminasse a olhar para mim, nem olhou para o Churchill, disse-me: “O senhor leva aqui um grande livro, sabe, o meu pai trabalhou com ele no Jornal de Notícias“.»
Da nossa leitora Isabel Paulos. A propósito deste meu texto.

E são estas coisas que contam, os versos na parede e as boas palavras de quem nos traz o prato à mesa ou de um taxista ou de um(a) blogger, que perde cinco minutos para dizer um poema, uma atenção amiga.
É sempre um prazer ler a Isabel.
Sim, são estas coisas que contam.
Obrigada, Pedro.
Gosto da fotografia das escadas e parede carcomidas pelo tempo.
Para si, o Vorph e o João Pedro Pimenta e demais passantes do DO, que tão bem nos recebe: https://comezinhas.blogs.sapo.pt/cafe-o rfeuzinho-49443
Obrigado, Isabel. É sempre bom revisitar a poesia de Manuel António Pina.
A livreira dos embrulhos, no mais comum das vezes, é uma estudante recrutada para o efeito e que, também é vulgar ser muito mais simpática que os ditos livreiros encartados. Coisas. Mas também já me aconteceu assim algo bonito num natal e com uma dessas meninas.
Só há poucos anos conheço o poeta. E concordo com a Isabel, é de uma delicadeza ímpar. Puxa pela nossa.
Sim, é verdade, No Natal as livrarias contratam gente nova para os embrulhos. Mas na Bertrand onde vou os livreiros, em regra – há uma excepção tenebrosa para validar a regra -, são atentos e conhecedores.