O comentário da semana


Pedro Correia,

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«Fixei o nome do poeta, que me encanta, de uma bela forma: há uns anos, regressada de uma ida a Lisboa numa noite muito chuvosa, apanhei um táxi para casa e, já à porta, o motorista perguntou se gostava de poesia; como disse que sim, recitou um poema (que quero crer fosse o “Regresso”, mas às vezes tenho memória de peixe) e disse o nome: Manuel António Pina. Só aí fixei e, apesar de já ter estado, uns tantos anos antes, com livro dele nas mãos, na livraria Poetria, na rua das Oliveiras, só o comecei a ler verdadeiramente depois da morte.

E são estas coisas que contam, os versos na parede e as boas palavras de quem nos traz o prato à mesa ou de um taxista que perde cinco minutos para dizer um poema a uma passageira.

E Manuel António Pina tem o condão de trazer a delicadeza das pessoas à tona. Na Bertrand, em Dezembro, comprei um livro de poemas escolhidos, que o meu pai levou até à livreira que fazia os embrulhos. Quando regressou disse-me: olha que o teu livro fez com que a cara da menina se iluminasse a olhar para mim, nem olhou para o Churchill, disse-me: “O senhor leva aqui um grande livro, sabe, o meu pai trabalhou com ele no Jornal de Notícias“.»

 

Da nossa leitora Isabel Paulos. A propósito deste meu texto.

6 comentários em “O comentário da semana”

  1. A livreira dos embrulhos, no mais comum das vezes, é uma estudante recrutada para o efeito e que, também é vulgar ser muito mais simpática que os ditos livreiros encartados. Coisas. Mas também já me aconteceu assim algo bonito num natal e com uma dessas meninas.
    Só há poucos anos conheço o poeta. E concordo com a Isabel, é de uma delicadeza ímpar. Puxa pela nossa.

    1. Sim, é verdade, No Natal as livrarias contratam gente nova para os embrulhos. Mas na Bertrand onde vou os livreiros, em regra – há uma excepção tenebrosa para validar a regra -, são atentos e conhecedores.

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