O comentário da semana


Pedro Correia,

«A capacidade de adaptação nacional e a história dos descobrimentos portugueses contrastam com as estrangeiras, sobejamente, conhecidas, escritas a tinta de sangue. Há algo de “Primo” no ser português, algo, diria, essencialista, nativo, endémico, inato. Usarei, à falta de melhor, o lusotropicalismo, para definir essa ingénita qualidade da nossa nacionalidade.

Sobre a  planificação chinesa, em franco contraste com as dinâmicas, ad hoc, da improvisação, tão próprias, dos mercados livres, é notória a eficiência, a eficácia, a resiliência de uma economia, mas também de uma política, sustentada, planificada num horizonte, vasto, para lá dos limites apertados, impostos, pelos regimes saídos de urna.

O Ocidente deverá olhar-se a Oriente, ou passará a ser lembrado, apenas, pelo lado do mundo onde o sol se deita.»

 

Do nosso leitor Vorph Valknut. A propósito deste meu texto.

14 comentários em “O comentário da semana”

  1. Eu acho que o lusotropicalismo é um mecanismo ideológico que perpetua o nosso atraso cultural e económico e é um factor de corrupção e amiguismo oportunista — e descaracteriza precisamente os melhores traços da nossa nacionalidade, como a Língua e a Paisagem. Não consigo ver aí nada de positivo.

    Bom Natal!

  2. As ideias de Vorph destroem o Ocidente começando na contra cultura Marxista punindo o valor do esforço e capacidade, e hoje até corrompendo o que é real ou não é real – as mulheres deixaram de ser reais – e continuando no Estado de Corrupção Social…
    Depois chora pelo controlo ditatorial da economia que aliás no caso da China em muitas industrias nem sequer existe.

    Carvão e penas para o Vorph :

    Menghua Railway, China’s LONGEST coal transporting railway line, is expected to be put in operation in Oct. The 1,837-km railway will carry 200 million tonnes of coal annually from N China’s Inner Mongolia to E China’s Jiangxi. pic.twitter.com/sFXpCjplaN

    — People’s Daily, China (@PDChina) July 23, 2019

  3. Claro que o chorar por poderes ditatoriais Chineses já corre abertamente na Esquerda “Moderada” de há algum tempo, por exemplo nessa bíblia do jornalismo tuga: New York Times

    No Ocidente “Emergência Climática” é precisamente o mecanismo de retórica de modo ao poder político reclamar poderes excepcionais sobre as pessoas, passando por cima de Constituições, Leis.

    E assim chegámos ao Fascismo pleno. Com corporações sexuais, raciais, profissionais, religiosas, etc…

    lucklucky

    1. O maior problema das esquerdas foi nunca terem ultrapassado o modernismo e os seus sucessivos falhanços quase absolutos — mesmo com o plataformismo do século xxi, um conceito falsamente pós-moderno, que não passa afinal do retorno das pessoas de esquerda ao seu meio burguês originário (como sempre previu Lenine, aliás)

      Tudo pretende ser o outro lado do espelho, mas é o mesmo espelho e do outro lado os reflexos continuam a ser sobre a mesma coisa: a inveja mais básica sobre quem é naturalmente mais capaz de inovar e de produzir coisas novas.

      O enfoque dos partidos de esquerda portugueses sobre a distribuição das oportunidades está correcto, todavia — mas não pode ser praticado por quem também se abotoou com os lugares confortáveis da administração pública e a informação privilegiada que aí se obtém num país que o Estado aprisiona numa camisa de forças.

      1. «O maior problema das esquerdas foi nunca terem ultrapassado o modernismo e os seus sucessivos falhanços quase absolutos — mesmo com o plataformismo do século xxi, um conceito falsamente pós-moderno, que não passa afinal do retorno das pessoas de esquerda ao seu meio burguês originário (como sempre previu Lenine, aliás)»
        Uau! Aposto, desde já, que este comentário é um sério candidato – para o PC – ao da semana: malha na esquerda; resume o seu falhanço recorrendo a um diagnóstico intelectual; e depois até patenteia aquela exigente qualidade, tão cara ao “camarada controlador-chefe”, o PC: ele fala claro… «nunca terem ultrapassado o modernismo e os seus sucessivos falhanços quase absolutos», «plataformismo do século xxi, um conceito falsamente pós-moderno» e claro, a cereja (em passa) em cima do seu bolo (seco): «não passa afinal do retorno das pessoas de esquerda ao seu meio burguês originário»…. e se dúvidas poderiam ser levantadas (pelos raros e exóticos “esquerdistas” que por aqui passam), o sério candidato a “comentarista” da semana, esclarece que a sua “conclusão” até – AFINAL – resulta da besta marxista supema: «como sempre previu Lenine, aliás»
        É claro que o PC não o vai seleccionar apenas por esse parágrafo mas essencialmente pelo que se lhe segue: «Tudo pretende ser o outro lado do espelho, mas é o mesmo espelho e do outro lado os reflexos continuam a ser sobre a mesma coisa: a inveja mais básica sobre quem é naturalmente mais capaz de inovar e de produzir coisas novas.»
        Do que eu o percebi, apenas a parte final deste seu parágrafo até é relevante: o pessoal da esquerda, sofre d«a inveja mais básica sobre quem é naturalmente mais capaz de inovar e de produzir coisas novas», ou como quem diz, a Maria Fernanda Amorim (https://www.dinheirovivo.pt/economia/galeria/saiba-quem-sao-os-10-mais-ricos-de-portugal/), tal como a vasta maioria de nós portugueses, nasceu de uma estirpe incógnita e, como dizia um outro também de estirpe incógnita, levantava-se mais cedo do que qualquer um dos seus empregados e, por isso, trabalhava mais horas do que eles… o “V.” quase nos consegue convencer que o tal deus dito criador do universo, que ao fim de 7 dias resolveu descansar para sempre, deixando ao Homem a gestão da sua criação é um dos «quem é naturalmente mais capaz de inovar e de produzir coisas novas»… sem conseguir descobrir que ele, desde essa recuada eternidade, nada mais fez para além de usufruir dos lucros daquela sua obra,

        1. Ninguém disse que a verdade era bonita. Mas aprecio sobretudo o facto de se ter dado ao trabalho de responder aos argumentos um por um em vez de atacar a pessoa.

          Isso é inovador entre nós — você merecia um aumento.

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