«Há cerca de dez anos (talvez) ouvi um “labregote” endinheirado inglês, daqueles que vivem de clichés como “conceitos” e “paradigmas”, julgo que ligado ao hotel que funciona em Gaia (Yeatman), dar entrevista à SIC (ou RTP?) dizendo qualquer coisa parecida com isto: o Porto, sendo uma cidade do terceiro mundo, ainda não estava apetrechado com as comodidades normais, mas tinha grande potencialidade turística, dado ter uma arquitectura medieval, que o tornava romântico. Nenhum reparo foi feito pelos jornalistas, ou por quem quer que fosse (presumo que o dito tenha achado – um pouco mais tarde -, que o Porto passou ao segundo mundo quando começaram a nascer como cogumelos hostels, bares e restaurantes com pinta de IKEA).
Achei o mesmo que continuo a achar hoje: merecemos. Passamos anos – as últimas décadas -, a desdenhar de nós mesmos e a prestar vassalagem ao que é de fora. A agirmos como “cachicos” subservientes. A desprezar a história e o antigo. A desprezar a tradição do conhecimento. Não podemos exigir que nos respeitem, se deixamos que um qualquer “piolho em camisa lavada”, cujo must de civilização é subir a ao deck do septuagésimo segundo andar da “The Shard” para tirar uma selfie, nos venha dar lições sobre civilização.»
Da nossa leitora Isabel. A propósito deste texto da Maria Dulce Fernandes.

Factual e muito bem apontado. Destaque justíssimo.
Portugal é um desvio histórico. A inquietação nacional, esse fado negro, resulta da ficção ensinada nas escolas, a propósito dum mítico passado, contrastado, depois, com a férrea e injuriosa realidade. Portugal é um roça inventada , novela de cordel , partida dos Lusíadas – inspirado e copeado, pelo zarolho, da obra maior de Virgílio , até à História, cafona, de Ameal, bulida pelo canguinhas . Basta visitar uma qualquer capital europeia, ocidental, para sabermos que sempre fomos um sítio e uns lopras.
Portugal é um risco, um riso desdentado. Apraz – nos mais o fraco aceno da despedida, do que o franco abraço de boas vidas.
Acordai! É já hora!
https://youtu.be/dxf7dIUiP4w
Lorpas….. Etc
Muito obrigada.
Esqueci-me uma vez mais de assinar: Isabel.
Não entendo nunca que um jornalista (deverei dizer Jornalista?) não tenha capacidade (ou vontade?) de “argumentar” com perguntas que obriguem a respostas concretas às generalidades/banalidades que os entrevistados exalam boca fora.
É verdade que somos uns tristes em termos de auto estima (enfim, já fomos mais) mas ainda assim e também por isso mesmo os jornalistas (Jornalistas) deveriam ter outro comportamento, não concorda?
Cumprimentos.
Por regra, prefiro que os jornalistas façam perguntas para apurar factos, não respondam pelos entrevistados e se limitem a noticiar factos, sem criar grandes narrativas. Para isso estamos todos nós, prontos a dar bitaites e criar romances.
No caso em concreto, acho que o jornalista se limitou a agir como agimos quase todos em relação aos estrangeiros, engolir em seco e quase pedir desculpa por cá ter nascido ou cá viver. No caso, sim, acho que o jornalista devia optar pela atitude que a Maria Dulce Fernandes teve com o Mr. Prim. Mas para isso, é preciso estofo.
Isabel