«A verdade é que a corrupção não é um exclusivo português. Na Inglaterra funciona desde há séculos o sistema do old boy, onde antigos colegas de escola fazem os jeitinhos uns aos outros. Na Holanda vejo a mesma coisa a suceder, apenas com o nome de networking.
No resto da Europa continua a haver a corrupção generalizada. É compreendida na perfeição. Apenas será mais encapuçada ou mais discreta ou, em alternativa, funcionará paralelamente a um sistema de sociedade mais eficaz, o que significa que haverá um pouco menos de recurso a ela ou que será mais praticada quando as paradas são mais elevadas (uma vez que não haverá lucro em a ela recorrer em níveis mais baixos).
A corrupção e o compadrio são ferramentas humanas, não apenas portuguesas. O problema em Portugal é estas terem sido institucionalizadas a níveis mais baixos sem sistemas compensatórios. E é isso e só isso que nos foi diferenciando de outros países mais “evoluídos”.»
Do nosso leitor João Sousa André. A propósito deste texto da Teresa Ribeiro.

