«Quando fui para o Gabão, em 1977, havia uma religião, a católica, e os feriados religiosos eram escrupulosamente respeitados. Sem dúvida educação ministrada a preceito pelos franciús certamente para dissiparem resquícios do São Bartolomeu; e havia os feriados referentes ao próprio país, que também não pecavam por avareza. Dia da Independência, dia da ideia independentista, dia da discussão para o dia da independência, dia do consenso para a independência, dia do presidente, dia do vice-presidente, e por aí adiante.
Um ano depois, a juntar a estes feriados todos, vieram os muçulmanos porque o presidente, antes senhor Albert-Bernard Bongo, decretara o Islamismo no país, – sem abolir o cristianismo, – porque parece que o petróleo tinha mais propriedades energéticas, tendo ele mesmo dado o sublime exemplo de fé e passou a chamar-se senhor El Hadj Omar Bongo Ondimba.
Sabe lá este povo português, eternamente oprimido, o que são feriados.»
Do nosso leitor Corvo. A propósito deste meu texto.

O Feriado que que achei mais excitante em toda a minha vida, foi o 1ª de Maio de 1980 em Moscovo.
Liberdade da boa, isso sim…
Moscovo não é a minha praia. Antes S. Pedroburgo
O mal do meu périplo pela USSR foi ter começado exactamente em St. Petersburg / Leningrado… Moscovo é tão dois tons, que perde logo por comparação.
Ainda nos dias de hoje, em Angola, por exemplo, têm “feriados de lá” e “feriados de cá”, alguns comemorados localmente, ou seja, juntou-se o útil ao agradável e é bem capaz de haver um feriadito quase todas as semanas
Olhe que não, Angola tem menos um feriado que Portugal (apenas 12). Tem isso, sim, uma lei extraordinária em que sendo feriado numa terça ou quinta-feira, a segunda ou sexta, respectivamente, são também dias feriados. Ehehehe!
O meu irmão vive em Luanda há quase 10 anos. Falamos todas as semanas e rara é a semana em que não está em casa. É feriado, diz ele. Então deve ser por aí, André Miguel. Com os feriados nacionais, os locais e as pontes, pergunto eu: então e as férias ? Deve ser uma dificuldade conseguir marcar férias !! 🙂 🙂
Agora deixou-me preocupado com o absentismo do seu irmão, é que eu também estou em Luanda e passo meses sem um feriado! :((
Mas Angola tem feriado giros, o que mais gosto é o “Dia do Esforço Armado”. Comemorar o belicismo é algo que me ultrapassa…
Ena! Logo à noite já lhe pergunto como é que ele arranja tanto tanta comemoração.
Na Venezuela de 77 celebrava-se um feriado qualquer, digamos o S. Pedro, por exemplo; na semana seguinte havia os meados de S. Pedro; duas semanas depois, os quartos de S. Pedro. Cada feriado multiplicava-se por três. Não havia laicismo que resistisse.
O Gabão para dar descanso ao infatigável trabalhador, não há país mais compreensivo: Deus nosso e o Profeta deles o abençoem.

Pelo menos era: agora com a maldita mania do branco que só vê dinheiro no suor do desvalido trabalhador, é capaz de ter mudado um pouco.
Uma boa semana para todos, se possível sem grandes canseiras laborais.