O comentário da semana


Pedro Correia,

«Será o futebol uma religião, um culto em que os adeptos, os crentes, os que seguem a intolerante e inabalável palavra do senhor são extremistas ao ponto de praticar actos vis de autêntico terrorismo do mais poltrão, que é aquele que se faz pela calada, sem dar a cara?
Estando a lei contra a violência no desporto arrecadada no pó dos dias, reacções de comentadores políticos e discursos de políticos pouco correctos e inflamatórios, principalmente dada a proveniência, não vão ajudar em nada o esclarecimento das coisas e mais uma vez a culpa, por mais que se pense conhecê-la em verde, vai acabar nas costumeiras águas de bacalhau, enquanto que futebol e política, que deveriam estar como água para chocolate, andam juntos a chafurdar numa lama que já fede há muito tempo.»

 

Da nossa leitora Maria Dulce Fernandes. A propósito deste meu texto.

12 comentários em “O comentário da semana”

  1. Eu diria que não se trata de recuperar leis contra a violência no desporto. Violência é violência e creio haver leis que tratam do tema. Se não são aplicadas pergunte-se porquê.
    Já fui sócio dum clube e há muitos anos que deixei de ser, e depois deixei mesmo de me interessar por futebol, tal a porcaria – as notícias sobre futebol são quase sempre sobre violência – adeptos partiram, adeptos destruíram, adeptos mataram – mas são adeptos de quê?
    E porque razão os grandes clubes, que se armam em grandes empresas, atraem para as direccões gente que está sempre a braços com a lei? Ainda me falta ver um clube ser gerido por um gestor – já agora um honesto, se é que isso existe.

  2. No que diz respeito ao futebol só sei que, por causa dele, não tenho noticias do país há que tempos. Vou à 5 ( entenda-se canal 5 ) está futebol, passo para a 6 e está futebol, corro a 7 e a 8, encontro a mesma coisa. Muitas vezes até as mesmissimas imagens. Isto por volta das 21h. Volto a tentar uma hora depois, duas horas depois e a cena repete-se. Vejo os títulos de um ou dois jornais na internet e fico a pensar no que diria oposição no tempo de Salazar se uma situação destas acontecesse. E depois lembro-me de que, afinal, esses que tanto criticavam os 3f’s ( lembram-se, futebol, fado e Fátima? ) são os mesmos que fazem o hoje o governo. E que estão caladinhos.
    Dizem que A diferença é que agora há liberdade expressão. E eu pergunto: para quê?

    1. Para Isabel poder estar aqui a reclamar, por exemplo.

      E para, outro exemplo!, o Governo não interferir com a Comunicação Social…
      Assim de repente, parece que se está a insurgir contra o Governo por não mandar nos canais privados de televisão, será?!

      Mudando de assunto.

      Experimentou o 1? Ou o 2? Ou o 7? – que no TDT são RTP, Canal 2 e RTP Memória? O Governo não manda neles mas disponibiliza orçamento, e acredite que não têm muita bola. Nem audiências… seria um bom exercício perceber a relação.

      1. Talvez eu não me tenha explicado bem e também não leu bem o que eu escrevi pois nem viu que eu referi que passei sempre pela 7. E é óbvio que tentei a 1 e a 2, e neste último caso as informações estavam no fim ou passava um filme/série(?)mas não se tratando de canais ditos de informação seria incoerente referi-los.
        Já várias vezes Portugal foi notícia na imprensa internacional pelo número de programas, jornais e horas de antena que dedica ao futebol. E se no regime anterior facto semelhante era entendido como sendo mais um “ópio” do povo para este não se ocupar de política, que dizer agora?
        Quanto à importância que têm os desabafos por estas bandas nas posições político/governativas dos líderes dos partidos e dos governos que são os únicos que decidem o que nos acontece, eu lembro a velha sabedoria popular: “os cães ladram e a caravana passa” ( algo parecido com isto ).
        Finalmente, se acha que uma democracia mesmo que partidocratica funciona bem quando durante uma semana só há na área da informação notícias e debates sobre futebol, felicito-o pois está feliz com o que tem. Por mim também não estou infeliz porque adquiri com o meu esforço o privilégio de entender várias línguas estrangeiras e, em consequência, ter fácil acesso a informações de diversas origens e tendências.
        E como tudo está bem quando acaba bem: estamos ambos satisfeitos.

        1. Ainda bem que aprendeu a entender línguas estrangeiras, mas talvez deva tentar entender o que escrevi em língua autóctone.

          Respondi à sua pergunta “para quê?” sobre a liberdade de expressão, não manifestei sequer discordância ou contentamento com fosse o que fosse. Muito menos manifestei “achar” qualquer coisa sobre sistemas governativos. As assumpções nestas matérias assemelham-se muito às reacções das tribos futebolísticas em pleno estádio, veja bem como as coisas são…

          Finalmente, e contradizendo a sua célere defesa sobre eu não ter visto que escreveu “e passei pela 7”, lamento informar que no TDT não há canais de informação que não o RTP3, o qual funciona no canal 6 (o 5 é a ARTV). 5 é a SIC Notícias em qualquer alinhamento, Nos, Vodafone ou Meo – e a RTP Memória é agora o canal 17 em quase todos ou todos.
          Ter-lhe-ia ficado o discurso mais dialogante se tivesse assumido que nem tinha passado nesses canais, mas era mais importante presumir ser Isabel pessoa atormentada pela “Panem et circensis” e eu uma feliz alma alimentada a futebóis. A sua presunção é como o seu entendimento de liberdade de expressão: para quê?
          Deixe, era retórica.

          1. Foi essa outra das vantagens da liberdade de expressão: podermos falar na língua que entendermos. Lamento que a não entenda. A ela, à Liberdade.

            Votos de uma boa noite e um bom começo de semana.

        2. Como eu a entendo !
          A quem interessa este constante branquear de situações, de informação relevante que é posta para debaixo do tapete á custa do SCP.
          Mesmo não se passando nada de ” relevante ” no futebol é contar as horas semanais que lhe são dedicadas em todos os canais generalistas ou do cabo nacionais…
          E o que mais se lamenta é que no fim desta novela haverá decerto outra que irá durar mais de um mês com o Mundial que se avizinha.
          Eu gosto de futebol, sou adepto do FCP, vibro com as vitórias, “choro” com as derrotas mas há muito tempo, mesmo muito que penso que isto ( a cobertura das noticias do Futebol ) chegou a um ponto de insanidade tal que só revela em mais um ângulo a disfuncionalidade da actual sociedade.

          P.S. – Ainda estou para aguardar que algum jornalista investigue o BESA e para onde desapareceram os seus fundos : Alvaro Sobrinho, José Maria Ricciardi, Poiares Maduro, Miguel Relvas…. e por aí fora

          WW

          1. E eu ainda estou a aguardar um debate sobre os sistemas eleitorais na Europa e a sua importância na organização e funcionamento da democracia. Li o primeiro livro sobre este assunto há mais de 30 anos e, frequentemente, ele é debatido noutros países. Cá é tema proibido. Importante é o que não se conta.

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