Nunca deixo de me espantar com as diversas facetas do fanatismo mais exacerbado. Nada cega tanto como a paixão idolátrica: quanto mais desligada da realidade, mais intensa se manifesta.
Idolatria
Pedro Correia,
Nunca deixo de me espantar com as diversas facetas do fanatismo mais exacerbado. Nada cega tanto como a paixão idolátrica: quanto mais desligada da realidade, mais intensa se manifesta.
Transfomamos o interior da nossa tenda num circo julgando que dentro dele escaparemos. Mas são doidos os que nisso acreditam
Pois.
Tristes tempos em que uma pessoa já não sabe se se fala de política nacional, política internacional ou desporto… tenho saudades dos tempos em que os idólatras só se revelavam nos MTV Awards.
Quando é que os Narcisos saltaram dos lagos dos palcos para o lodaçal dos palanques?
Infelizmente, Sarin, o espírito de trincheiras “identitárias” do nosso tempo, bem patente nas chamadas redes sociais, conduz à proliferação de idolatrias várias. Todas geram os seus fanáticos.
De redes sociais sei o que leio nas notícias, e aflige-me a caixa de ressonância em que tanta gente se transforma.
Por vezes não sei se é o carisma do ídolo ou o vazio do idólatra que conduz às tais trincheiras, Pedro.
Mas tenho a certeza que o problema é transversal. E é um grande problema de saúde pública.
Problema velho como o mundo, Sarin. Mas de algum modo ressurgido por estes anos como espécie de compensação face à globalização. As pessoas sentem necessidade de se agruparem em função de bandeiras identitárias. E acabam muitas vezes por seguir acefalamente o primeiro demagogo de turno.
Não gosto de chavões, mas… “fatal como o destino”? Porque antes da globalização tivemos histerias colectivas várias. E era suposto termos aprendido alguma coisa com o século XX.
Enfim, diziam que na Era de Aquário o Homem atingiria um estado de auto-consciência plena e seria conduzido pela liberdade e pela fraternidade. Belo começo!🤨
Isso não era na Era de Peixes? Após o cordeiro ter sido degolado?
Mas que caldeirada, Meister Von Kälhau! Enfim, se é proposta de ementa para a jantarada, por mim qualquer uma desde que tenha queijo e uvas à sobremesa.
Agora menos a sério, peixes parece que era o crescimento pelo divino, a purificação pelo sacrifício e pela submissão, enfim, tudo muito Tolkien ou Sade. E não a Sade Adu 🙂
Eu perdi-me a meio do caminho.
Perdeu nada, ainda ninguém sugeriu local… 🙂
Eu brinquei com [a Era de] Peixes e “cabrito degolado” que o Kälhau invocou no seguimento do meu desabafo sobre a “Era de Aquário”, aproveitando para relançar a ideia da jantarada.
Mas falei muito a sério sobre o queijo e as uvas!
Ó futebol fanático, quanto do teu fanatismo (exacerbado) é da política em Portugal!. E vice-versa.
(Com a devida vénia.)
E vice-versa, sim. Parafraseando Pessoa.
Que era versado em versos.
Por outras palavras, nada cega tanto como a bola!
Se fosse só na “bola”, o problema era bem menor, Teresa.
O mesmo se pode dizer do espanholismo ferrenho.
Pode dizer-se dos hispanófobos, que começam a soltar espuma pelos cantos da boca quando escutam um ‘pasodoble’.
Será o futebol uma religião, um culto em que os adeptos, os crentes , os que seguem a intolenlante e inabalável palavra do senhor são extremistas ao ponto de praticar actos vis de autêntico terrorismo do mais poltrão, que é aquele que se faz pela calada, sem dar a cara?
Estando a lei contra a violência no desporto arrecadada no pó dos dias, reacções de comentadores políticos e discursos de políticos pouco correctos e inflamatórios, principalmente dada a proveniência, não vão ajudar em nada o esclarecimento das coisas e mais uma vez a culpa, por mais que se pense conhecê-la em verde, vai acabar nas costumeiras águas de bacalhau, enquanto que futebol e política, que deveriam estar como água para chocolate, andam juntos a chafurdar numa lama que já fede há muito tempo.
Boa reflexão, Dulce.