«Não troco o cheiro e o som de páginas novas a desnudarem-se aos meus olhos, não abdico da suavidade de livros velhos quase desfolhados de ternura.
E não percebo outra ligação a quem está ao lado que não pelo olhar, pela linguagem universal do gesto ou pela menos universal fala.
Mas… o telemóvel é uma ferramenta, religião serão as possibilidades que abre em si mesmo, abrindo-nos e fechando-nos aos outros. Para alguns será o contornar da timidez, o evitar falar com o outro; para uns será o afastar da solidão, o poder estar com o outro; para outros será o evitar estar consigo, o poder fingir ser outro.
E quem não está não é menos real – no meio de anónimos de olhares furtivos ou esquivos quase não há olhares francos, e os poucos sorrisos são quase todos de circunstância – má circunstância por ter sido apanhado “e lá vem conversa, bolas”. Já era assim antes dos smartphone, dos telemóveis, dos pager, dos walkman.
Imersa num livro, oro horas a fio ao frio ou ao calor. E quanto mais me afundo mais flutuo, ignorante de quem me rodeia, incomodada por quem me aborda.
Nunca me irritei por me interromperem o uso do smartphone; já rosnei por me desviarem do livro.
A culpa da desconexão presencial não é do smartphone mas dos mesmos de sempre: nós.»
Da nossa leitora Sarin. A propósito deste texto da Teresa Ribeiro.

Escrevo conforme apetece e esqueço-me que têm este destaque para envergonhar os que escrevem por impulso… Não gosto de holofotes; mas é uma vergonha boa, faz-me sentir que o que escrevi foi interessante qb para perdurar alguns dias além da net: na memória de gente que se importa, se não como, pelo menos tanto quanto eu.
Obrigada por isso e por me darem mote – é tão mais fácil quando à conversa… 🙂
O livro tem uma disponibilidade,fidelidade,que um virtual não tem.E a presença física,à mão ,no bolso,aconchegado debaixo do sovaquinho.Para uma conversa a qualquer hora, fiel até à morte.
Neste tempo mutável aproveitemos as virtualidades de ambos os suportes.
É isso tudo e mais ainda, Sarin. Sem imagens obriga-nos a exercitar, a excitar a aprimorar a imaginação que constroi a realidade que insere.


Com imagens também, Maria Dulce – a BD tem direito a prateleiras próprias no mesmo vão de clássicos da ficção 🙂
Costumo brincar, dizendo que Quino é um dos meus filósofos preferidos – pois filósofo deveria ser também quem nos obriga a pensar, certo? 🌈
É, aliás, vulgar, pegar noutros livros por indução da BD “espera, alguém escreveu sobre isto” ou “olha, é uma perspectiva, deixa cá investigar”.
Só me chateio quando lhes chamam “novelas gráficas”… pfff, com a mania de garantir pedigree mostram-se envergonhados autores! 🧐
Mas livros… 🏝 🙂
Claro , Sarin. Estava a referir-me aos “livros-só-com-letras”, porque a BD, considerada a nona arte, é um caso à parte.
O ídolo da minha juventude foi e será sempre ( porque velhos são os trapos) o Corto Maltese. Acredita que há uns 6 anos fui a Veneza de propósito viver a fábula?
Presentemente há autores fantásticos, que não havia no meu tempo. Safava-me com os comics da DC e da Marvell, a revista Tintin, o Mundo de Aventuras…o Pratt, o Bourgeon, Alex Alice e Xavier Dorison e outros só bem mais tarde.
Boa semana.
Claro que acredito, Maria Dulce!
Ainda sonho poder agradecer ao Maurício o Chico Bento di todos os dias, sô… e o Horácio!
O Michel Vaillant já me deve achar acima da idade aconselhável, mas ainda me ensaiava a umas voltinhas. De carro!
Maus, fico-me com o Gastón – tem Zits e trabalha numa Monkeyhouse, mas não sofre de Baby Blues. Iznogood mas é o que se arranja 😉
O Vasco Granja faz muita falta.