O comentário da semana


Pedro Correia,

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 «A água é uma substância química cujas moléculas são formadas por dois átomos de hidrogénio ligados a um átomo de oxigênio, sendo sua fórmula química dada por H2O. A geometria de equilíbrio para uma molécula isolada possui dimensões de 0,0958 nanómetros nas ligações O-H e um ângulo H-O-H de 104°27′.

A água manifesta-se no seu estado líquido sob temperaturas entre 0 °C e 100 °C e pressão de uma atmosfera.

Não temos nenhuma descrição para o Amor como esta para a simples água. Eis a prova da existência de coisas que se sentem, se compreendem, sem sabermos delas quaisquer palavras que as contenham. Talvez por isso elas se nos escapem, pois que são as palavras senão formas de conquista?

Como regra poderíamos estabelecer: tudo o que é importante jaz além da palavra. A palavra, o discurso, não são mais que arabescos de uma pequena realidade.

Dizem ser cinco os sentidos do corpo. Mas alguém já se preocupou em contar os sentidos da alma? E em que linguagem ela nos fala? Será o arrepio uma lembrança de algo esquecido?»

 

Do nosso leitor Vlad. A propósito deste meu postal.

17 comentários em “O comentário da semana”

    1. “A centelha divina que nos coube em herança não foi a Razão,mas o Amor.
      A Verdade revela-se apenas num Beijo. O que resta é um faz de conta.

      Mas porque não nasce o amor das árvores, ao alcance de toda a mão estendida? Qual a razão de tanta fome?”

      E com isto , confesso que fiquei ligeiramente apaixonada pelo Vlad 🙂

  1. Gostei deste post. Nada de “ciência política”, habitual tema de discussão nas redes … mas subversivo qb, fazendo agulha para outras latitudes do pensamento, colocando à discussão – a Alma. Será a alma, também ela tal como a água, uma substância química, porém ainda não decomposta nos seus elementos? Pode ser. Parece que tudo (ou muito) do que nos define para além do físico, é química. Pois não dizem ser o Amor, também, “uma química”?
    Quanto às palavras, ao contrário do Autor (pareceu-me) acho-as de suprema importância. Para mim são elas a linguagem da Alma. Porque elas vêm antes da nossa vontade, fogem ao controlo do cérebro. Saem boca fora e … já era. Traem-nos, fácil. Mostram a nossa essência, sempre, quer sejam verdadeiras ou falsas. Mostram a face negra e a face brilhante da Alma. Salvam-nos e perdem-nos. Poucas coisas têm maior poder.

    1. A linguagem da alma é o silêncio.

      Um silêncio tão cheio de verdade que não há palavras que dela se aproximem.

      A verdade pressinto-a no eco da montanha. Numa música. Num passeio nocturno. De olhos fechados em silêncio.

      https://youtu.be/p8TkBM5DeHM

    2. As palavras são como fórmulas mágicas que ,como o fogo , exconjuram medos. O medo da noite e do silêncio

      1. “Como regra poderíamos estabelecer: tudo o que é importante jaz além da palavra.”

        Claro que não. Para começar escreveste esta frase com palavras não foi?

      2. Também, Vlad, o silêncio também. Mas o silêncio não é dissociado das palavras. É a música de fundo, onde tudo se passa. É o silêncio que dá ou retira força às palavras. Muitas vezes, as substitui, mas elas estão lá. Sabemos sempre o que o silêncio quer dizer.

  2. O que é importante não se deixa aprisionar por arabescos:). Mas existe na mesma. Talvez até exista mais e com mais força, a determinação é um apor de limites.

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