Ninguém o atura


Pedro Correia,

 

A Casa Branca parece um reality show. Daqueles que Donald Trump protagonizava antes de ascender ao posto máximo da política mundial.

Em 14 meses o sucessor de Barack Obama já despediu ou viu partir 28 altos funcionários da sua administração – incluindo o secretário de Estado, Rex Tillerson, o conselheiro de segurança nacional, Mike Flynn, a conselheira adjunta de segurança nacional, Dina Powell, o director do FBI, James Comey, o secretário da Saúde, Tom Price, o director do Conselho Económico Nacional, Gary Cohn, a directora do gabinete das relações públicas da Casa Branca, Omarosa Manigault-Newman, três directores do gabinete de comunicação da Casa Branca, Mike Dubke, Anthony Scaramucci e Hope Hicks, o principal conselheiro de imprensa, Sean Spicer, o seu principal conselheiro para os assuntos estratégicos, Steve Bannon, o seu assessor pessoal John McEntee e o seu próprio chefe de gabinete, Reince Priebus, ex-presidente do Partido Republicano.

O canal de televisão ABC fez as contas: já foram pelo menos 28 com guia de marcha. Trump não atura ninguém. E é retribuído, pois ninguém o atura.

14 comentários em “Ninguém o atura”

  1. Corporate psychopaths common and can wreak havoc in business, researcher says

    https://www.psychology.org.au/news/media_releases/13September2016/Brooks/

    Fizemos dos vícios de antanho as modernas virtudes. Quem sabe se por termos tomado como credo aquele que prometia emergirem dos vícios privados virtudes públicas

  2. Higher than expected levels of psychopathic traits exist among people found in the upper echelons of the corporate business sector, and companies should undertake psychological screening to help identify ‘successful psychopaths’, according to new research being presented at the APS Congress, held in Melbourne, 13 to 16 September.

    Forensic psychologist Nathan Brooks says many businesses have their recruitment screening back-to-front. “Too often companies look at skills first and then secondly consider personality features,” he says.

    “Really it needs to be firstly about the candidate’s character and then, if they pass the character test, consider whether they have the right skills.”

    1. Uma vez aprovados apenas os indivíduos “de caracter”, vai-se a ver e os “skills” não servem, porque indivíduos que tais são, por exemplo, “demasiado” empáticos para conseguirem conciliar as decisões que devem ser tomadas durante o dia de trabalho e o soninho tranquilo da noite…

      1. Conheço excelentes profissionais que são simultaneamente excelentes pessoas

        O resto são desculpas para que os mentirosos consigam dormir descansados.

    1. Começo a convencer-me que Trump é o líder da oposição à administração Trump.
      De quinze em quinze dias, corre com um dirigente de topo na Casa Branca.

      Em Portugal, só encontro paralelo na nova gerência do PSD.

  3. Prefiro ver a coisa noutra perspectiva. Talvez por me encontrar amiúde rodeado de gente que se tem por intocável e insubstituível, gente que apesar das imensas incompetências e deslealdades continua a cantar alegremente “daqui não saio, daqui ninguém me tira”, gente que exige respeitinho às chefias porque num posto de aparente subordinação trataram de se apossar do controlo da engrenagem e da manipulação dos cordelinhos na sombra, gente perita em criar dependências e situações de dívida e que não têm pejo em ameaçar expor ou usar como trunfo no momento em que sentem o seu lugar em perigo… Talvez por isso, a atitude de Trump me parece uma lufada de ar fresco.

    1. Atenção: só passaram 14 meses.
      Em média, é despachado um alto (ou altíssimo) funcionário de quinze em quinze dias.
      Nem o Partido Democrata faz tanto “sangue” entre republicanos em Washington.

      1. Pode-se sempre olhar o outro lado: a cada quinze dias é dada oportunidade a uma nova pessoa de mostrar o que vale e a que toque de caixa se move.
        A este ritmo, ainda antes do fim do mandato estará significativamente esgotada a lista dos apparatchiks e poderão começar a aparecer regularmente estranhos ao sistema assolapado em Washington.

  4. O engraçado é que para um tipo famoso por anunciar que os candidatos estavam despedidos, Trump não parece capaz de o fazer a sério na cara de ninguém. Quase nenhuma (tenho dúvidas sobre o “quase”) das pessoas despedidas o foi face a face. Foi tudo por twitter, e-mail, telefonema de outros, anúncios em discursos, etc…

    Em termos simples: não tem sequer a decência de lhes dizer que os despediu…

  5. Pedro, antes de mais, atenção às «duplas negativas»: «Trump não atura ninguém» significa, de facto, «Trump atura alguém»… o que até é verdade, pois são muitos os que ele (ainda) não demitiu, e que provavelmente nem demitirá até ao fim do(s) seu(s) mandato(s). E há que realçar com mais nitidez que, sim, nem todos os que indica no seu texto foram demitidos, alguns demitiram-se – são os casos, por exemplo(s), de Dina Powell, Hope Hicks e Mike Dubke, que não receberam «guias de marcha» mas sim as «emitiram» a eles próprios. E, obviamente, não é verdade que «ninguém o atura» – milhões de eleitores anónimos, cidadãos comuns, os mais importantes, dos quais milhares continuam a acorrer aos seus comícios, continuam a «aturá-lo»…

    … E fazem-no com cada vez maior gosto porque o actual presidente está a cumprir as promessas que fez e pelas quais foi eleito. Aliás, a Fundação Heritage já afirmou que Donald Trump, no seu primeiro ano de mandato, registou uma percentagem de concretização de um «programa conservador/de direita» bem superior à de Ronald Reagan em período equivalente. Isto, sim, é o mais importante, e não os pormenores de quem está ou deixou de estar na equipa.

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