O comentário da semana


Pedro Correia,

«A população portuguesa tem menos de 5% de sangue de sarracenos — isso está estudado por cientistas — mas há quem tenha de vender peixe estragado para condizer com a política e os complexos de culpa. Os visigodos foram um povo culto, e deixaram muito mais manifestações artísticas e culturais do que qualquer outro povo que tenha passado por aqui.

Aliás, foi durante os reinados visigodos que se estabeleceu um regime legal evoluído (O Lex Visigothorum) e são em parte responsáveis pela existência das línguas romances como o Galaico-Português que incorporaram o latim dos visigodos no velho léxico dos povos peninsulares — que era insuficiente para o mundo urbano (tal como aconteceu com o gaélico, que mais tarde teve de incorporar palavras latinas e gregas porque era essencialmente uma língua de camponeses).

Os muçulmanos deixaram uns burros amarrados a uma nora, a mania pirosa de pôr tijoleira no chão e deixaram também o Boaventura Sousa Santos — facto que por si só demonstra como os sarracenos eram toldados pela estultícia e com os dois olhos virados para o abismo.»

 

Do nosso leitor V. A propósito deste texto do Diogo Noivo.

20 comentários em “O comentário da semana”

  1. O Alentejo e o Algarve que o digam. Bem escrito e melhor pensido

    Segundo o International Journal of Legal Medicine, o património genético dos portugueses de hoje é composto por 70 a 80 por cento de linhagens europeias antigas. A elas vieram acrescentar-se, mais recentemente, 10 a 20 por cento de linhagens do Médio Oriente, 10 por cento de linhagens norte-africanas masculinas e cinco por cento de femininas (ou seja, de configurações mitocondriais características das mulheres do Norte de África). Em particular, existe em Portugal uma linhagem materna, designada U6, característica dos berberes da África do Norte e praticamente ausente no resto de Europa.

    Em 2005, a mesma equipa do Ipatimup confirmou nos genes o que a História de Portugal já contava: num estudo publicado na revista Human Biology, concluíram que existe hoje, efectivamente, uma maior frequência de linhagens africanas no património genético português do que nos vizinhos espanhóis. “Basicamente, Portugal retém mais linhagens subsarianas que a Espanha

    Da China os Árabes trouxeram para a Europa invenções importantes, como a bússola, um dos contributos para o avanço dos conhecimentos náuticos e geográficos em Portugal. Veio o papel, tendo fundado na Península Ibérica a primeira fábrica europeia; a pólvora, que contribuiu para revolucionar as técnicas militares. Divulgaram conhecimentos matemáticos, filosóficos e científicos, aos quais foram acrescentando novos conceitos de Álgebra, Medicina, Astronomia e Aritmética. Espalharam, por exemplo, o sistema de numeração hindu, a que chamamos árabe ou decimal.

    A língua portuguesa sofreu maior influência do Latim, então falado pelos romanos, no entanto o árabe é a segunda constituinte da língua portuguesa, do qual recebeu mais de seiscentas palavras.

    Quando pensamos na economia muçulmana, ocorre-nos logo o seu contributo para uma agricultura de tipo mediterrânico, à semelhança da dos romanos, com introdução de plantas como árvores de fruto, arroz, oliveira, vinha, hortas e o uso de técnicas de regadio com a nora, azenha, canais de rega. Praticaram o comércio interno e internacional, desenvolveram várias indústrias, como a têxtil e a cerâmica…..etc e tal

  2. Cuidado com estes escritos, por estes Dias de Mamadou. O delito de opinião facilmente se torna bem mais do que título de blogue. E qualquer um é nazi (“neo”, enfim), nem menos, se não segue a Novistória fracturante.

    Dias de Mamadou, Tempos de Chumbo.

    Costa

  3. a UC foi uma das minhas 5
    Alma Mater Studiorum

    lamento que a U onde dei aulas
    possua porta cocheira para estrebaria
    do Beco das Mamudas

  4. A “Canção” dos trovadores :
    A característica essencial desta poesia, que a distingue de todas as outras formas de poesia amorosa conhecidas anteriormente, é a idealização da mulher, o seu culto como uma entidade divina, e a exaltação do amor mais casto e espiritual.

    Este é o tema principal da poesia de Guilherme IX, duque da Aquitânia, de Marcabru, de Jaufre Rudel, e de outros trovadores que os seguiram, tal como de Dante e de Petrarca.
    Pode-se questionar a origem desta visão da mulher, tão contrária aos costumes do país onde surgiu tão subitamente. Os modelos e fontes do lirismo provençal não se podem encontrar certamente entre os gregos da Antologia, nem entre os romanos, basicamente tão racionalistas.

    O trabalho de Julien e de Ramon Mendez Pidal, e os estudos de R. Nycle não deixam dúvidas nenhumas de que a poesia dos trovadores, que mostra uma mudança tão grande nos modos de pensar e sentir do Ocidente, tem origem na poesia popular Árabe-Andaluza.

  5. Boaventura é um homem com um curriculum invejável e de grande prestígio nacional e internacional. Tem o condão de provocar muita dor de cotovelo pela parte de pretensos intelectuais e mesmo de intelectuais. A sua obra mereceu vários galardões pouco comuns entre nós e, mais, a sua obra merece comentários e críticas sérias em vez de ditos jocosos. Quando leio piadas destas lembro-me sempre do anexim “se a inveja fosse tinha…”.

          1. O meu nome é Pedro Afonso. E tu?
            Queres que te dê o e-mail para um tête à tête

  6. Para se conhecer esse pássaro bisnau, vigarista zeco de baixo coturno ,etrato atual e bafiento dos lentes queirosianos, é ler “O Discurso Pós-moderno contra a Ciência”,(Gradiva) do saudoso Professor António Manuel Baptista.

  7. Seguindo Freud, talvez tanto conservadorismo seja, para o Pedro, causa/consequência de frustrações interiores (controlo excessivo do Super-Ego), derivadas de compulsões reprimidas, ou não naturalmente satisfeitas (ID).
    Para o V tanto fel e ódio poderão ser causa/ consequência de masturbação compulsiva.

    “Se ao menos eu conseguisse fazer aquilo só uma vez por dia, ou fixar o limite nas duas ou mesmo nas três vezes! Mas, com a perspetiva da morte iminente, comecei pelo contrário a atingir novos recordes. Antes das refeições. Depois das refeições. Durante as refeições. Levantando-me de um salto da mesa do jantar, agarro-me tragicamente à barriga – “diarreia!”, exclamo, “estou com um ataque de diarreia!” – e uma vez atrás da porta trancada da casa de banho, enfio na cabeça umas calcinhas que roubei da cómoda da minha irmã e que trago no bolso, embrulhadas num lenço. Tão galvanizante é o efeito das calcinhas de algodão junto à minha boca – tão galvanizante é a palavra “calcinhas” – que a trajetória da minha ejaculação atinge novas e assombrosas alturas: saindo do meu pirilau como um foguete, sobe direita à lâmpada suspensa do teto, onde, para meu espanto e horror, acerta e fica colada.”

    Diagnóstico :
    Xenofobia secundária a Neurose/Paranoia

    Caracteriza-se sobretudo por ilusões fixas. É um sistema delirante. As ilusões de perseguição e de grandeza são mais duradouras do que na esquizofrenia paranoide. Os ressentimentos são profundos. É desconfiado, agressivo, egocêntrico e destruidor. Acredita que os fins justificam os meios e é incapaz de solicitar carinho ou sentir empatia pelo outro.

  8. Que exagero, caro V.
    Eu, que regra geral concordo consigo, tenho de assinalar o exagero!
    Se há coisa que podemos apontar aos Visigodos e ao período Visigodo é, precisamente, a contradição de um povo conquistador, os Visigodos da península, prosseguir ser, voluntariamente, assimilado pelos conquistados!
    Nos cursos de Historia do Direito, especialmente na história das cinzas do direito romano onde é integrado sistematicamente o breviário de Alarico, é referido, por um sem número de autores, o direito visigodo como o período de abastardamento do direito romano. Apesar do intuito compilatório de constituições romanas fica muito aquém da Justineaneia que só na era Carolingia encontraria par. Em termos sistemáticos, doutrinais e especialmente, já não por insuficiência gnoseológica mas por insuficiência de interpretes, deficiência na aplicação do direito. Apontam-se a má adaptação que poderia, em muito, derivar de um incompleto domínio do latim escrito. Os Visigodos da Península foram, aliás como os seus originários no norte, em todos os sentidos, assimilados pela estrutura Romana pre existente. Daqui surgiu uma espécie de subcultura, abastardada, um cristianismo que mantém traços do arianismo! A arquitectura com a estrutura romana mas sem a monumentalidade e deferencia da tradição helénica e romana. Um direito Visigodo, que cedo perceberam não se adequar à sofisticação das relações jurídico económicas dos povos autóctones, assimilado ao direito romano sem a tradição clássica! E mesmo a língua, que é adoptada a dos povos peninsulares, mantendo-se o latim escrito e um românico falado, era a pre existente!! A língua que trouxemos até aqui tem tantas influencias, como bem sabe, contudo, ocorrem-me mais as Árabes que as de Visigodos, Suevos e Alanos!
    O meu caro sabe que nos referimos a um período decadente que apenas alcançou a redenção, a reconstrução e reinvenção da Europa Cristã, na era Carolíngia. A construção Franca, essa sim, de que somos legatários como nação Portuguesa!
    Contudo, não devemos confundir e repudiar a nossa herança do período áureo da expansão muçulmana (Árabe, Semita, Berbere, Mouro… Como sabemos, Sarraceno não é etnia – As nossas origens semitas precedem, como bem sabe, inclusive a presença romana), como amiúde fizeram os influentes do séc XIX, pela visível decadência que, desde então, tem servido de postal a tais povos!

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