O comentário da semana


Pedro Correia,

«Para os que acham que a decisão do Brexit se deveu a uma deficiente informação, acho que se deveriam informar melhor. Ou talvez apenas informar… afinal, o papaguear o que é passado nas novelas das 20h00, chamadas “telejornais”, dificilmente pode ser considerado informação.

Deixo um excelente vídeo de propaganda, mas que toca no que todos sabemos… ou deveríamos saber:

 

É extremamente interessante o conceito democrático dos representantes, especialmente quando vimos as promessas eleitorais nos últimos 15 anos invertidas alegremente. Os casos de Durão Barroso, Sócrates e Passos Coelho parece que não serviram de nada. Hollande e Tsipras também não.
Afinal, diz o povo “ignorante” que “burro velho não aprende línguas”.

Os partidos tradicionais ingleses esmagariam qualquer iniciativa de Brexit, tal como o fazem PSD e PS em Portugal, que sempre recusaram qualquer referendo. No entanto, a soma dos votos de ambos é suposto legitimar a opção.
Para os mais teimosos, este referendo inglês mostra que não é assim. Mas para os casos clínicos nunca mostrará nada.
Se a União Europeia fosse a UEFA, o jogo Inglaterra-Islândia seria repetido até anular o Brexit do Euro 2016. Que raio, os islandeses não sabem o lugar ridículo que ocupam no ranking da UEFA?
É este tipo de raciocínio de negação, digno de psiquiatria, que abunda nas mentalidades “democráticas”.
Os supostos “informados citadinos” funcionam como autênticos cachorrinhos de Pavlov, reagindo ao estímulo que o telejornal da noite anterior incutiu nas suas cabecinhas.
Há os bons e os maus, e tudo se passa com num filme de cowboys, de fácil digestão mental.

E, é claro, quem é iluminado, pelo consenso do que é bom, nem admite ouvir que o bom pode ser mau. Achar que dificilmente Trump poderá ser pior que G. W. Bush? Em que telejornal foi isso discutido? O tipo está parvo!
Dos cafés da manhã, seja numa reunião de trolhas ou de universitários, o Senhor Consenso está aí para saber o que é bom e o que é mau, e quem não percebe isso é parvo.

E como o Consensualista chama a quem expõe argumentos óbvios?
– Populista!
Populista, porque o anormal não percebe que o óbvio é complexo. E todos os papagaios repetem no café o que ouviram nas telenovelas das 20h00… uma maravilha!

Se a Alemanha, França e Inglaterra falam em nome da UE, há algo de errado? Claro que não, só quem não percebe a vantagem de uma Europa unida sob o desígnio universal dos iluminados é que pode achar que se passa algo de estranho.
Os anjinhos falam em conjunto, logo não estão a preparar uma guerra entre si. Sujeitemo-nos a esta linda pax bruxelensis.
Ufa… que a CEE é que evitou guerras na Europa! Como se sabe, os EUA e URSS contavam pouco na política mundial, nesses tempos idos. Ou será que EUA e URSS pertenciam à UE?»

 

Do nosso leitor da Maia. A propósito deste texto do João André.

0 comentários em “O comentário da semana”

  1. Muito bom, senhor Maia.
    Recomendo, como adenda, se tal me permite, que se leiam ou releiam Os Maias.
    Sobretudo toda a nossa classe que deambula entre o Terreiro do Paço e a Assembleia, onde os deputados se degladiam para manter o establishment.

  2. O texto tem garra mas não vai ao âmago.

    Há direito à diferença ou não?
    Se há então reflecte-se necessariamente em Políticas diferentes e em graus diferentes de politização.

    Ou seja o projecto Unionista não tem futuro pois é um projecto igualitarista que tem obviamente de tornar todos iguais. Terem todos as mesmas ideias, e os mesmos comportamentos

    Redundância só existe com Diferença. Escolhas Diferentes.

      1. Não vi. É possível, mas eu recuso-me a ver propaganda é sempre tudo liofilizado vendido num embrulho bonito.

        A questão é a mesma de sempre e é muito mais fundo e perene que o mero Brexit :

        Vem desde o principio dos Homens.
        Cultura , Diferença. Escolha.
        E como muitos querem que não haja diferença, trabalham para que só exista uma cultura, apesar de gostarem de se dizer muito tolerantes.

        O projecto Unionista impede a Concorrência política. Impede que haja várias escolhas na Europa. É por isso anti redundância.
        É aliás um projecto que não tem travão como nenhuma burocracia tem travão se não existirem outras burocracias a impedi-las, o objectivo é crescer para sempre.

        1. Até os filmes da Disney têm propaganda… não sejas ingénuo, ou optas por não ver nada, ou vais sempre ver propaganda, ainda que não seja assumida. É um documentário, só que não negava ser pró-Brexit, assim como és bombardeados com inúmeros documentários, pretensamente rigorosos, que cumprem uma agenda política.

          1. Thanks. Gostei especialmente do primeiro, na crítica ao “progressismo”, enquanto forma de constituir um estado global, onde a opinião válida é parida consensualmente, no ascender do politicamente correcto. É uma forma de totalitarismo de massas, mas que considera as massas ignorantes, ao bom estilo soviético.

  3. Concordo que a UE precisa de reformas. Perante a actualidade é necessário abrandar a integração. Temos de respirar e parar para ponderar qual o ponto de equilíbrio de integração. É razoável que existam diferenças nas expectativas dos cidadãos de país para país. Importa encontrar esse ponto de equilíbrio e respeita-lo.
    O filme que apresenta é uma outra coisa. Logo no inicio do filme quando dizem que a UE se está a tornar numa ditadura, mostram ao espectador que não vale a pena procurar ali razoabilidade mas apenas a prova inquestionável de mais uma infalível teoria da conspiração. O tempo livre é um bem escasso e vou usa-lo para outras finalidade.

    1. Séc. XIX – Alabama?
      Concordo que o Sul precisa de reformas. Na actualidade, é necessário abrandar o sistema. Temos de respirar e parar para ponderar qual o ponto de obediência ao sistema. É razoável que existam diferenças nas expectativas dos negros de estado para estado. Importa encontrar esse ponto de obediência e respeitá-lo.
      O filme que apresenta é uma outra coisa. Logo no início do filme quando dizem que o Sul está a adoptar o esclavagismo, mostra ao espectador que não vale a pena procurar ali razoabilidade mas apenas a prova inquestionável de mais uma infalível teoria da conspiração. O tempo livre é um bem escasso e vou usá-lo para apanhar algodão para o patrão.

      1. O seu comentário mostra falta de conhecimento histórico pelas crueldades cometidas pelo esclavagismo no sul dos EUA. Podia acrescentar que é também uma falta de respeito pela memória dos que o sofreram na pele, mas não o faço porque já não tenho pachorra para disputas verbais em blogs.

        1. De novo:
          O seu comentário mostra falta de conhecimento histórico pelas crueldades cometidas pela troika no sul da UE. Podia acrescentar que é também uma falta de respeito por quem o sofreu na pele, mas não o faço porque já não tenho pachorra para disputas verbais em blogs.
          Quando perceber, avise.

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