«Para os que acham que a decisão do Brexit se deveu a uma deficiente informação, acho que se deveriam informar melhor. Ou talvez apenas informar… afinal, o papaguear o que é passado nas novelas das 20h00, chamadas “telejornais”, dificilmente pode ser considerado informação.
Deixo um excelente vídeo de propaganda, mas que toca no que todos sabemos… ou deveríamos saber:
É extremamente interessante o conceito democrático dos representantes, especialmente quando vimos as promessas eleitorais nos últimos 15 anos invertidas alegremente. Os casos de Durão Barroso, Sócrates e Passos Coelho parece que não serviram de nada. Hollande e Tsipras também não.
Afinal, diz o povo “ignorante” que “burro velho não aprende línguas”.
Os partidos tradicionais ingleses esmagariam qualquer iniciativa de Brexit, tal como o fazem PSD e PS em Portugal, que sempre recusaram qualquer referendo. No entanto, a soma dos votos de ambos é suposto legitimar a opção.
Para os mais teimosos, este referendo inglês mostra que não é assim. Mas para os casos clínicos nunca mostrará nada.
Se a União Europeia fosse a UEFA, o jogo Inglaterra-Islândia seria repetido até anular o Brexit do Euro 2016. Que raio, os islandeses não sabem o lugar ridículo que ocupam no ranking da UEFA?
É este tipo de raciocínio de negação, digno de psiquiatria, que abunda nas mentalidades “democráticas”.
Os supostos “informados citadinos” funcionam como autênticos cachorrinhos de Pavlov, reagindo ao estímulo que o telejornal da noite anterior incutiu nas suas cabecinhas.
Há os bons e os maus, e tudo se passa com num filme de cowboys, de fácil digestão mental.
E, é claro, quem é iluminado, pelo consenso do que é bom, nem admite ouvir que o bom pode ser mau. Achar que dificilmente Trump poderá ser pior que G. W. Bush? Em que telejornal foi isso discutido? O tipo está parvo!
Dos cafés da manhã, seja numa reunião de trolhas ou de universitários, o Senhor Consenso está aí para saber o que é bom e o que é mau, e quem não percebe isso é parvo.
E como o Consensualista chama a quem expõe argumentos óbvios?
– Populista!
Populista, porque o anormal não percebe que o óbvio é complexo. E todos os papagaios repetem no café o que ouviram nas telenovelas das 20h00… uma maravilha!
Se a Alemanha, França e Inglaterra falam em nome da UE, há algo de errado? Claro que não, só quem não percebe a vantagem de uma Europa unida sob o desígnio universal dos iluminados é que pode achar que se passa algo de estranho.
Os anjinhos falam em conjunto, logo não estão a preparar uma guerra entre si. Sujeitemo-nos a esta linda pax bruxelensis.
Ufa… que a CEE é que evitou guerras na Europa! Como se sabe, os EUA e URSS contavam pouco na política mundial, nesses tempos idos. Ou será que EUA e URSS pertenciam à UE?»
Do nosso leitor da Maia. A propósito deste texto do João André.

Justo destaque !
Deixo um pequeno video de uma longa conversa.
https://www.youtube.com/watch?v=vyEVfzSH u68
Boa sugestão!
Informação, formação ou, talvez, deformação.
Se “for mação” é logo tudo diferente.
Obrigado pela divulgação do vídeo, que é o que interessa.
É outra forma de prolongar o nosso “diálogo”, que ficou interrompido.
O João André foi de fim-de-semana.
Muito bom, senhor Maia.
Recomendo, como adenda, se tal me permite, que se leiam ou releiam Os Maias.
Sobretudo toda a nossa classe que deambula entre o Terreiro do Paço e a Assembleia, onde os deputados se degladiam para manter o establishment.
Sim, o almejado lugar à mesa do orçamento, que vai do subsídio à comenda.
O texto tem garra mas não vai ao âmago.
Há direito à diferença ou não?
Se há então reflecte-se necessariamente em Políticas diferentes e em graus diferentes de politização.
Ou seja o projecto Unionista não tem futuro pois é um projecto igualitarista que tem obviamente de tornar todos iguais. Terem todos as mesmas ideias, e os mesmos comportamentos
Redundância só existe com Diferença. Escolhas Diferentes.
Viste o vídeo? Achei demasiado liberal para o meu gosto, mas acho que não será para o teu.
Não vi. É possível, mas eu recuso-me a ver propaganda é sempre tudo liofilizado vendido num embrulho bonito.
A questão é a mesma de sempre e é muito mais fundo e perene que o mero Brexit :
Vem desde o principio dos Homens.
Cultura , Diferença. Escolha.
E como muitos querem que não haja diferença, trabalham para que só exista uma cultura, apesar de gostarem de se dizer muito tolerantes.
O projecto Unionista impede a Concorrência política. Impede que haja várias escolhas na Europa. É por isso anti redundância.
É aliás um projecto que não tem travão como nenhuma burocracia tem travão se não existirem outras burocracias a impedi-las, o objectivo é crescer para sempre.
Até os filmes da Disney têm propaganda… não sejas ingénuo, ou optas por não ver nada, ou vais sempre ver propaganda, ainda que não seja assumida. É um documentário, só que não negava ser pró-Brexit, assim como és bombardeados com inúmeros documentários, pretensamente rigorosos, que cumprem uma agenda política.
Propaganda costuma ser mais empática , mas bom ponto sobre a Disney.
Tens aqui dois bons textos sobre o Brexit de dois esquerdistas – como é obvio não concordo com tudo o que dizem:
http://theweek.com/articles/632380/how-b rexit-shattered-progressives-dearest-ill usions
https://medium.com/@mikeeisenberg/how-ob ama-brought-about-brexit-3341d64e434e#.p x3nt4uk3
Thanks. Gostei especialmente do primeiro, na crítica ao “progressismo”, enquanto forma de constituir um estado global, onde a opinião válida é parida consensualmente, no ascender do politicamente correcto. É uma forma de totalitarismo de massas, mas que considera as massas ignorantes, ao bom estilo soviético.
Concordo que a UE precisa de reformas. Perante a actualidade é necessário abrandar a integração. Temos de respirar e parar para ponderar qual o ponto de equilíbrio de integração. É razoável que existam diferenças nas expectativas dos cidadãos de país para país. Importa encontrar esse ponto de equilíbrio e respeita-lo.
O filme que apresenta é uma outra coisa. Logo no inicio do filme quando dizem que a UE se está a tornar numa ditadura, mostram ao espectador que não vale a pena procurar ali razoabilidade mas apenas a prova inquestionável de mais uma infalível teoria da conspiração. O tempo livre é um bem escasso e vou usa-lo para outras finalidade.
Séc. XIX – Alabama?
Concordo que o Sul precisa de reformas. Na actualidade, é necessário abrandar o sistema. Temos de respirar e parar para ponderar qual o ponto de obediência ao sistema. É razoável que existam diferenças nas expectativas dos negros de estado para estado. Importa encontrar esse ponto de obediência e respeitá-lo.
O filme que apresenta é uma outra coisa. Logo no início do filme quando dizem que o Sul está a adoptar o esclavagismo, mostra ao espectador que não vale a pena procurar ali razoabilidade mas apenas a prova inquestionável de mais uma infalível teoria da conspiração. O tempo livre é um bem escasso e vou usá-lo para apanhar algodão para o patrão.
O seu comentário mostra falta de conhecimento histórico pelas crueldades cometidas pelo esclavagismo no sul dos EUA. Podia acrescentar que é também uma falta de respeito pela memória dos que o sofreram na pele, mas não o faço porque já não tenho pachorra para disputas verbais em blogs.
De novo:
O seu comentário mostra falta de conhecimento histórico pelas crueldades cometidas pela troika no sul da UE. Podia acrescentar que é também uma falta de respeito por quem o sofreu na pele, mas não o faço porque já não tenho pachorra para disputas verbais em blogs.
Quando perceber, avise.