O comentário da semana


Pedro Correia,

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«Em 2002 deu-me saudade dos ‘chavales’ do Verão Azul e rumei em passeio a Nerja — duma jornada do caminho já dei cá notícia.
Lá vi a traineira do Chanquete, mas a idealização formada a partir da série dos miúdos e o lugar real não se conjugam nestes veraneios; é como ler um livro e depois ver o filme…
A terra tem graça pitoresca mas a multidão de veraneantes com carros e motoretas desgraça-a; as praias ficam cheias como um ovo e é difícil pisar o cascalho sem pisar a cabeza de alguém. Julgo que isto seja uma técnica dos que arribam à praia para remover os outros e abrir uma clareira para si. Outra técnica — mui pouco usada — era chegar cedo o bastante, mui antes dos pisa cabezas, e fugir-lhes a meio da manhã que era quando eles engrossavam. Calhava bem pois podia almoçar-se à saída no restaurante da praia logo à hora de chegar o peixeiro. Este modo antecipava a siesta. À tardinha as praias de cascalho voltavam a ser frequentáveis por os pisa cabezas — já tostados em rosa forte — terem debandado para se alindarem para a ceia e juntarem à movida.
No apartamento havia uma estante com livros (sobretudo em inglês); cuidei que fossem os veraneantes que lá se alojavam que os iam deixando. Levei um livro que acabei lá e como os da estante não me interessaram fui comprar outro. Trouxe Felipe II y su Tiempo, de Manuel Fernández Álvarez, o mais grosso que havia na livraria. Imagino se alguém se interessou pelo Paço da Ribeira do Nuno Senos que lá deixei!…
Mais que isto só me lembro de coisas soltas de Nerja.
Perguntei, apontando, o nome dos pêssegos carecas numa tienda e responderam-me: nectarinas. Aprendi que Nerja é a origem do novo nome dos pêssegos carecas que vejo agora escrito nos híperes! Quem quiser diga aos dicionaristas!… A vendedeira por seu lado pediu informação e foi informada que nosostros éramos galegos!…
Outra coisa que me lembro lá é de cá a senhora pronunciar zumo (com o ‘z’ bem zumbido à portuguesa) e os sumos não serem piores por isso.
Nerja sofre com o calor do Verão e com os cães dos turistas. Somados [à falta de limpeza dos dejectos caninos], intensificam exponencialmente o cheiro a… — Nem de propósito, quando no Verão a seguir contei onde estivera ao tio do Algarve, ele, ouvindo pela primeira vez o nome da terra perguntou admirado:
— Estiveste onde?! Em merda?!…»

 

Do nosso leitor Bic Laranja. Neste texto da Francisca Prieto.

 

0 comentários em “O comentário da semana”

  1. Opino igual.
    Uma xaropada.

    Tendo nascido no Estado Novo, o facto de ser falado em castelhano, desajudou.

    Foram muitas estórias da História, tomadas no biberão.

    O asco ao castelhano já não me mói – porém 2 dias a ouvir falá-lo no jeito altissonante e “impositivo” que usam…faz-me tornar o asco.

    Todavia, quando ouço a locução perfeita em programas históricos ou científicos espanhóis, fico preso à beleza do idioma.
    Os vocábulos são preciosíssimos.

    É do linguajar do povão que não gosto.
    Em Portugal sinto o mesmo, quando ouço repetidamente sotaques…pouco musicais ao meu gosto auditivo.

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