O comentário da semana


Pedro Correia,

«Enquanto nos entretiverem ou melhor, nos tornarem dormentes, quase anestesiados, com guerras intestinas entre clubes, corrilhos de novelas, milhares de apelos para ligarmos (agora com moderação) para o 760 … …, de manhã à noite, todos os dias do ano, não nos focamos nas questões que são essenciais ao desenvolvimento do País, como por exemplo a Cultura, que continua o parente pobre (porque dá jeito a ignorância do nosso povo à classe política), pois que, 40 anos após o 25 de Abril, essa é a grande lacuna de todos os governos eleitos democraticamente depois de 1974.
Enquanto boa parte da oferta cultural estiver apenas acessível às elites e no seio dos grandes centros urbanos, aos demais Portugueses resta apenas tempo e espaço para acaloradas discussões – estéreis, tantas vezes -, sobre o futebol, à consolidação da cultura do fast-food novelístico, do onirismo de ganhar um carrito novo, topo de gama, um cartão de débito para aquela viagem de sonho ou para estar atento à vida na Quinta, pois aqueles corpos lascivos são uma bomba-relógio de emoções, sem controlo, onde jovens com vinte e poucos anos se entregam ao ócio e revelam que a cultura, a civilidade e a urbanidade é algo que não lhes assiste.»

 

Do nosso leitor Fernando Torres. A propósito deste meu texto.

0 comentários em “O comentário da semana”

  1. “como por exemplo a Cultura, que continua o parente pobre (porque dá jeito a ignorância do nosso povo à classe política)”

    Deve estar a brincar. A cultura em Portugal é um dos maiores apoios à classe política.
    O objectivo da cultura em Portugal é precisamente tornar o povo ignorante e simplesmente reivindicativo sobre o vizinho do lado de modo a facilitar a compra de votos da classe política.

    Parece ainda que está esquecido do que o ultimo Governo fez – cobrar impostos para entidades privadas da cultura.
    E que o presente Governo não tem interesse nenhum em desfazer.

  2. Tudo isto coroado com as tardes culturais das TVs dos retornados e do serviço público da RTP para os “populares”. Muita bunda brasileira, travestis e todo o refugo tropical que conseguirem encontrar (não lhes basta o Acordo Ortográfico temos mesmo de ser mulatos com a single-cell que impele para a foda à força). É o bicho é o bicho.

  3. Obrigado, mais uma vez, pela escolha do meu comentário na rubrica “O comentário da semana”,caro Pedro Correia.

    Para que saibam, vivo fora das grandes cidades, como Lisboa e Porto.

    Nem mesmo Coimbra, a dez minutos de carro, tem a pujança e fulgor cultural, que noutras cidades e aldeias de menor dimensão, têm neste capítulo.

    Nos arrabaldes, é um deserto!

    Quanto a essência do meu comentário, todas as leituras e/ou interpretações são livres e bem vindas!

    1. Não se preocupe com o Deserto: se o PS e o nosso magnífico parlamento continuarem a interpretar e a deturpar a seu jeito os resultados eleitorais, em breve teremos aqui por Coimbra um aeroporto.

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