«Não se podem comparar muros, como o de Berlim, que se destinavam a aprisionar uma população inteira dentro do seu próprio pais, com muros, como os que a Hungria agora instala com a vizinha Sérvia, pais que não faz parte da União Europeia, que se destinam a impedir a entrada ilegal e descontrolada de migrantes.
No primeiro caso os muros eram a marca de regimes totalitários.
No segundo caso os muros têm apenas que ver com a implementação eficaz de uma politica de imigração controlada e restritiva necessária para impedir a entrada maciça de pessoas que desejam viver e trabalhar nestes países.
Obviamente que se pode discutir sobre a maior ou menor bondade desta política. Mas a partir do momento em que ela é de uma imigração controlada e restritiva então, tendo em conta o problema que representa o afluxo de uma grande massa de migrantes, é perfeitamente normal e razoável que um pais procure adoptar medidas para que essa política seja eficazmente aplicada.
No fim de contas, esta é a política oficial de todos os países da UE.
A diferença é que apenas alguns, como a Hungria (e a Espanha em Ceuta), estão na linha da frente, confrontados directamente com o afluxo de migrantes às suas fronteiras terrestres.
Aqueles que criticam e condenam estes últimos muros tenham a franqueza e a coragem politica de dizer que defendem uma política europeia de fronteiras externas completamente abertas à imigração e de, consequentemente, defender esta posição. Sem confundir o que não faz sentido confundir.»
Do nosso leitor Fernando S. A propósito deste meu texto.

![Mideast-Iraq-Syrian-R_Horo[1].jpg Mideast-Iraq-Syrian-R_Horo[1].jpg](http://1.fotos.web.sapo.io/i/B3306517b/18787385_W8n9V.jpeg)
Devemos oferecer a cada afroasiático que entra em Portugal, um pacote de lâminas aos homens para continuarem barbeados, e as mulheres continuarem sem burca por causa da da rinite alérgica
Seja… para cumprir a obrigação de obedecer a “textos pré-definidos”, partidários ou não, interesses pessoais (porque isto de acolher refugiados pode dar dinheiro) ou até, para ficar bem na “fotografia” dos de bom coração, no fundo, ninguém quer saber da verdade ou das verdadeiras consequências de um fluxo que não vai parar.
Vi agora num canal estrangeiro (que não tem nada a ver com a U.E.) que, para além dos sírios e, com as mesmas condições para serem aceites pela U.E. também estão os afegãos.
Médio Oriente e África que, não só, têm as chamadas sete guerras em países muçulmanos onde o Estado Islâmico é poderoso ou crescendo em força, para não falar das versões locais que já são poderosas ou, algumas delas, ganhando influência, temos uma situação nunca vivida e que não se pode comparar com nada que se tenha visto. Isto não são países a receber refugiados do mesmo continente, nem sequer tem comparação com a descolonização feita por qualquer deles, é algo inimaginável que se pode prolongar por anos e anos. Neste contexto, se nada for feito nos países de origem, a única coisa que se pode esperar ou, praticamente, estar garantida é o caos porque, isto, não é só receber pessoas mas, depois, inseri-las nos países de acolhimento, em que vai ser preciso alojamento, alimentação, empregos ou subsídios, saúde e educação porque também há crianças envolvidas que nem sequer sabem falar a língua do país de acolhimento.
Para que fique escrito, porque agora há muitos que não estão a ver a verdadeira dimensão do problema (as redes de tráfico devem estar satisfeitas com esta “cegueira”) e, se nada sério for feito nos próximos meses, só penso… quantos meses ou anos, durará a boa vontade que está a ser apregoada, quando o tempo for passando e comprovando que este fluxo está para continuar e aumentar e, como já começamos a ter uma situação incontrolável em que se fala, em permitir aos refugiados circular livremente na Europa… vão tomando nota dos que estão cheios de boas intensões (ou outras) porque, passado o tempo “dos contos de fadas”, também vão começar a berrar, a exigir providências e, finalmente, acabar por aceitar, medidas hoje inimagináveis… quando o tsunami lhes chegar à porta… ou ao bolso.
Nessa altura, será tarde demais e aí, já podem procurar na História porque se encontram muitos exemplos, do que pode acontecer quando há instabilidade ou agitação civil, porque depois do caos instalado… e como nada, nesta vida, está garantido, até a Democracia pode ser rapidamente substituída por… Qualquer Outra Coisa. Mais a mais que até começamos a perceber que há grandes decisões económicas que estão a ser tomadas por, não eleitos, pelos cidadãos europeus.
Podem ler, gozar com o comentário e, por enquanto, até são livres de pensar, falar ou… voltar a “dormir” até que o problema passe.
Infelizmente, estou convencida que este problema não vai passar e, se Aqueles que deveriam saber como o resolver… passaram a fase do “andar à nora” e, agora mostram “andar às aranhas”, ainda me deixa mais preocupada…
Vejo países, dentro ou fora da Europa que continuam a “estar a marimbar-se” e ainda vamos acabar no “Leva lá a bicicleta!”, acabando tudo no… “cada um por si” e, neste caso nem posso acrescentar “e Deus por todos” pois, neste caso, dos refugiados, até Alá estará incluído no assunto.
O Pedro pretende atirar a cortina de ferro para esbater a cortina de fumo em torno dos refugiados e/ou migrantes, e lá se vai escudando em comentários só para parecer que são muitos a pensar o mesmo. E depois vem enaltecer Merkel por um anúncio que resta saber se vai cumprir – por vários motivos internos e externos -, tendo em conta que os refugiados que acolhe há mais de 4 anos em seu território, em particular os palestinianos que procederam de campos no Líbano, os repatria.
E não é verdade que o retardamento que se impôs ao progresso dos migrantes e/ou refugiados nas periferias europeias fosse por uma questão de segurança controlo etc. E não é verdade porque esse mesmo controlo e segurança podia ser feito nos países a que se destinam (Alemanha, França, Inglaterra e Holanda e até mesmo a Áustria). A prova disto verifica-se através do longo estado de cativeiro em que foi transformada a Itália sem qualquer reacção por parte da comunidade europeia e mundial.
E este problema, o do oriente, não será resolvido desta forma, ele passa por uma decisão internacional que envolva a China e a Rússia. Acontece que os líderes europeus mais envolvidos nas políticas de terra queimada, em particular a Alemanha, França e Reino Unido, preferem sacrificar as populações europeias e do oriente a avançar com políticas dignas dos valores que dizem acreditar. É treta, nós sabemos, como é treta esses mesmos valores na boca de muitos pelos blogs e meios de comunicação. Estão aí só para mostrarem que sabem ser chorosos.
Hollande anunciou voos de reconhecimento sobre território Sírio para eventual bombardeamento futuro do EI. É um fait-diver e uma manobra de diversão para público comer sem qualquer consequência prática. Nem uma intervenção militar no terreno é possível nem os bombardeamentos são eficazes.
Não existe nenhuma “cortina de fumo” em torno do problema dos migrantes e dos refugiados. Nestes últimos tempos não se tem falado de outra coisa, nos médias, nos encontros internacionais, nas declarações dos principais dirigentes políticos e das mais diversas personalidades.
O que há é, pelo contrario, muita demagogia e muita instrumentalização dos dramas humanos que decorrem naturalmente destas situações, e isto é feito sobretudo com o objectivo de promover politicas migratórias irresponsáveis e desastrosas.
O Pedro Correia fez muito bem em denunciar aqueles que comparam o controlo de migrantes que alguns países europeus fazem nas suas fronteiras com os hediondos muros da vergonha do comunismo.
A Europa não tem nenhum dever moral de acolher sem condições e verificações todos aqueles que se apresentam às suas fronteiras. A Europa não é responsável pelos regimes e pelos conflitos que provocam desastres económicos e humanitários e que levam aos fluxos de migrantes e refugiados.
Mesmo assim, os valores humanistas e a abertura das sociedades ocidentais, incluindo naturalmente as europeias, fazem com que sejam aquelas que, desde há muito, e agora também, mais esforço fazem para acolher e integrar mais migrantes e mais refugiados.
A Alemanha de Angela Merkel é precisamente um bom exemplo, com milhões de imigrantes e descendentes instalados e integrados no seu território , acolhendo ultimamente dezenas de milhares de refugiados e disponibilizando-se para receber ainda mais nos próximos tempos.
E outros países europeus têm feito e continuam a fazer o mesmo. Incluindo a Hungria, tão injustamente atacada nestes dias, que apenas em 2014 recebeu mais de 100 mil migrantes (tenha-se em conta que é uma pais com apenas 10 milhões de habitantes).
Dito isto, não se pode exigir à Europa que acolha todos os milhões e milhões de pessoas que o desejam.
Os países da UE, tal como todos os países do mundo, têm de continuar a ter politicas migratórias restritivas. Assim sendo, o controlo das fronteiras (externas da UE) tem de continuar a ser feito. Mesmo em situações de emergência provocada por um afluxo maciço . Os candidatos têm de ser registados e aqueles que não corresponderem aos critérios de asilo estabelecidos devem ser reconduzidos aos países de onde vieram. Se não for assim a Europa torna-se num chamariz e os problemas ligados à migração, que hoje já são sérios, tornar-se-ão ingeráveis num futuro proximo.
Obviamente que as principais causas do fluxo migratório e de refugiados devem ser sobretudo tratadas nos países e regiões de origem das populações. É o caso do Grande Oriente Médio, em particular, da Síria , do Iraque, do Afeganistão , etc.
A comunidade internacional, com destaque para os países ocidentais, têm vindo a intervir militarmente ao longo dos anos. Estas intervenções, com maior ou menor sucesso, contribuíram mesmo assim para conter e minorar algumas das consequencias mais negativas dos conflitos na região.
Mas não foram nem são suficientes. A desestabilização e a destruição provocada actualmente pelo “Estado Islâmico ” justificam e exigem uma intervenção directa mais forte e mais eficaz.
Para este efeito deve ser reforçada a coligação já existente, que inclui países da região e alguns dos países ocidentais, e, na medida do possível , deve-se procurar associar a Rússia e outras potencias internacionais.
Não é fácil , é complexo e complicado, mas é o que se impõe.
Meu caro, a palavra Europa, na boca de muitos, é uma espécie de slogan para fingir uma coesão que na realidade não existe. Posto isto, eu não vou entrar em conceitos abstractos para tentar dar corpo ao que não tem.
O Pedro Correia escudou-se em seu comentário, que por sinal é destituído, face ao historial desta problemática, de razão e fundamentação lógica, para poder dar corpo a suas teses na mesma linha.
Não me alongarei mais sobre o que já expus, e que mantenho integralmente.
Porém deixo aqui duas ligações que permitem revelar que o que eu afirmei antecipadamente já começa a tomar corpo:
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id _news=788720
“Liikanen, que foi presidente da Cruz Vermelha finlandesa entre 2008 e 2014, afirmou que a crise no Médio Oriente provocou «um êxodo de refugiados sem precedentes» nas últimas décadas e considerou que as GRANDES POTÊNCIAS, em particular, deveriam responder com soluções políticas”.
Ver aqui: _news=788663
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id
A questão que coloco é exactamente esta. Existem cortinas de fumo que nem com cortinas de ferro se dissiparão.
A solução passa por um envolvimento internacional para que se encontre uma solução política para as regiões do médio e extremo oriente.
E isto não é possível sem envolver a Rússia e a China.
A Europa (Alemanha, França e Inglaterra) e os EUA têm de corrigir suas políticas. E refiro estes porque foram estes, em particular EUA/UK, que desde da era Thatcher/Reagan têm vindo a implementar políticas expansionistas pouco consentâneas com os valores que apregoam.
Obama melhorou a situação, mas são necessários passos ainda maiores. Estes passos, uma vez que Obama está em fim de mandato, só poderão ser dados pelo próximo presidente americano.
Para quem anuncia que “não se querer alongar mais” o meu amigo acaba por escrever vários parágrafos sem no entanto esclarecer porque é que o meu comentário “é destituído … de razão e fundamentação lógica ” (?!).
Tudo bem !… Passemos à frente !
Eu não tenho nada, antes pelo contrario, contra a procura de “uma solução política para as regiões do médio e extremo oriente (…) envolvendo a Rússia e a China”.
Duvido é que seja fácil e para breve.
Até porque a Rússia e a China nunca se mostraram interessadas nisso.
O interesse principal destas 2 potencias, herdeiras das politicas externas comunistas dos dois países , é favorecer tudo o que contrarie a influencia do Ocidente na região.
Por isso têm -se distinguido no apoio aos regimes que mais se têm oposto a essa influencia, com destaque para o Irão khomenista e para a Síria da família Hassad.
Não é verdade que os países ocidentais, os EUA e os europeus, tenham politicas expansionistas. O que estes países defendem é que no resto do mundo existam sociedades que sejam igualmente abertas, com paz e tolerância no interior e com relações diplomáticas e económicas normais com o exterior.
Assim sendo, as intervenções destes países na região visam sobretudo contrastar as forças locais e externas que têm posições nacionalistas e retrogradas, contrarias à abertura e à tolerância e que procuram impor às populações e vizinhos através da força e do terror.
Nem sempre a politica é suficiente para se encontrarem soluções para os principais conflitos da região e para parar e conter as tais forças retrogradas e terroristas. Quanto mais não seja porque estas forças, por vezes com algum apoio e cumplicidade de certas potencias locais e estrangeiras anti-ocidentais , a quem convém a conflitualidade e a instabilidade, não aceitarem negociações sérias e compromissos razoáveis e optarem antes pela utilização de meios militares e terroristas para prosseguirem os seus fins.
O que diz o presidente da Cruz Vermelha finlandesa não é falso mas é de uma grande banalidade.
Obviamente que a crise (duradoura) do Médio Oriente está na origem do exodo de refugiados. Ninguém o nega.
O que ele tem de dizer é como é que, na opinião dele, se chega às tais “soluções politicas”.
Meu caro, você baliza seus argumentos segundo um prisma retrógrado leste oeste. Por isto mesmo disse que o Pedro Correia se escudou em seu comentário.
E agora vou definir novamente onde reside a falta de fundamento e razão lógica:
– A crise de refugiados existe há bem mais de 1 na;, e enquanto a Itália servia de cativeiro fizeram-se todos de mortos;
– Quando se tornou perceptível que o êxodo tinha ponto de destino a Alemanha, França e Inglaterra, surgiu a ideia de usar os países da Europa periférica não para controlar os migrantes mas para retardar sua progressão. E como são esses os destinos, agora andam a pedir batatinhas por todos os países para que se acolham os migrantes, mas não por uma questão humanitária e sim por cálculos políticos e económicos;
– Não acredito nas boas intenções da Sra. Merkel, porquanto está a repatriar os refugiados palestinianos que estão em seu território há mais de 4 anos e vai acolhendo outros. Parece-me que entra aqui a lei da compensação.
Há sim uma política expansionista do ocidente. E esta verifica-se depois da queda do muro e da URSS. E foi o aproveitamento destas debilidades que fizeram os países referidos progredir nas políticas suicidas quer na Líbia, quer no Iraque quer na Síria.
Depois da queda do muro não vi qualquer progressão da Rússia e China. Aquilo que eu vi, e vejo, é a um ressurgimento da Rússia como potência mundial que é, insurgindo-se contra os ataques a seus interesses vitais que criminosamente foram tentados na Ucrânia e Crimeia mas também no oriente e médio-oriente.
Recordo também o Fernando que depois da derrota da ex-URSS no Afeganistão quem usou os jhiadistas, que caem face ao poder talibã, a desestabilizar a Tchetchénia, Geórgia e o Tibete foram as referidas potências ocidentais.
Acontece que quem governa a Rússia sabe melhor que Gorbachev que o Ocidente também é perigoso por detrás de um discurso humanista.
Acresce ainda referir que quer a Alqaeda quer o EI também são resultado do apoio ocidental na tentativa de derrubar a Síria e no derrube da Líbia. E até parece que Khadafi financiou alguém em sua campanha eleitoral.
Mas mais ainda, o problema actual traduz-se numa guerra entre Irão e Arábia Saudita, esta última com o apoio de Israel também.
O único obstáculo difícil de percorrer que eu conheço na vida, e que tenho como referência, não é o facto de os passos serem difíceis de dar. Mas dar passos custe o que custar e não a qualquer preço. A referência que eu tenho deste custe o que custar é a Cruz de Cristo. É aqui que se vence a morte.
O Ocidente tem de recuar nas suas políticas ou, como ficou demonstrado, a Rússia e a China colocam isto tudo a ferro e fogo.
O Ocidente já reconheceu este fracasso consentindo na autonomia das províncias ucranianas pró-Rússia. Mas só o fizeram depois da Rússia, para defender seu Espaço Vital, ter avançado e estar disposta a levar esse avanço aonde quer que seja.
É necessário dar mais passos.
1. Prisma leste oeste.
Tratava-se de uma topologia algo simbólica , embora com alguma correspondência geográfica , para fazer referencia ao confronto à escala mundial entre dois sistemas, o das democracias liberais capitalistas e o dos totalitarismos comunistas.
Entretanto, em coerência com o sentido da historia, os comunismos falharam e o capitalismo ganhou espaço e dimensão.
Mas, mesmo assim, nalguns dos países ex ou neo-comunistas Rússia , China, etc ), permaneceram tiques e projectos autoritários e expansionistas herdados dos velhos comunismos.
Em paralelo, no Grande Médio Oriente ganharam força o nacionalismo e o fundamentalismo islamico.
Desde há muito que estas duas grandes expressões do holismo, embora concorrentes e conflituais, se aliavam tacita ou abertamente para se oporem ao ocidente capitalista e liberal.
Nesta perspectiva, o prisma “leste oeste” evoluiu, deixou de ser exclusivo, mas não desapareceu nem perdeu actualidade.
A prova é que continuam a existir e a agitar-se pessoas que, como o amigo Vento, são movidas por uma perspectiva fortemente anti-ocidental , iliberal e anti-capitalista e vêem sempre mais virtudes no “leste” autoritário (a Rússia de Putin , a China do PCC , o Irão dos Ayatolas , o Iraque de Sadam Hussein , a Siria da dinastia Hassad , a Libia de Khadafi , etc , etc ) do que no “oeste” democrático !
2. A “crise dos refugiados”.
O afluxo de migrantes (económicos ) e refugiados (de países com conflitos) às costas europeias do Mediterrâneo Itália , Espanha, Grécia) não é de agora, nem de há apenas um ano, dura há vários anos, é mesmo anterior à eclosão das “Primaveras Árabes ” e ao aparecimento do “Estado Islâmico “. Tem naturalmente evoluído na composição dos migrantes mas o essencial é sempre o mesmo : indivíduos e famílias de nacionalidades diversas e com motivações variadas mas que, no fim de contas, aspiram simplesmente por uma vida melhor num imaginado paraíso europeu.
Ao longo destes anos perderam-se muitas vidas no mar e aconteceram muitos dramas característicos da migração. Mas as autoridades marítimas dos países costeiros, com destaque para a Itália , mas também com a colaboração das marinhas de outros países europeus (no âmbito do Frontex ), salvaram e acolheram a quase totalidade dos náufragos
Ao contrario do que diz o Vento, a maior parte destes migrantes e refugiados não ficaram nos países mediterrânicos onde desembarcaram e foram-se, por opção e iniciativa própria , dirigindo e estabelecendo nos países mais a Norte da Europa, a Alemanha, a França, o Reino Unido, os países escandinavos, etc .
Neste últimos anos a Europa recebeu e integrou centenas de milhares de migrantes, mais económicos do que puros refugiados políticos ou de guerra, as mais das vezes uma mistura das duas condições.
Sendo as politicas migratórias da generalidade dos países europeus fortemente restritivas, sobretudo para os migrantes puramente económicos , o expectável é que uma parte significativa destes migrantes fosse interpelada e posteriormente recambiada para os países de proveniencia.
Não foi o que aconteceu à maior parte dos migrantes.
O facto de, apesar dos riscos incorridos, a esmagadora maioria dos candidatos conseguirem desembarcar, não serem mandados para trás , e conseguirem alcançar os países de destino preferidos, foi chegando ao conhecimentos de tantos outros pretendentes e aumentou ainda mais o fluxo migratorio.
É ainda verdade que o conflito na Síria e no Iraque levou a um aumento muito significativo dos candidatos à migração para a Europa, neste caso verdadeiros refugiados de guerra.
O esforço que agora os países da UE, com destaque para a Alemanha, se prestam a fazer para acolher um grande numero de refugiados, sobretudo sirianos e iraquianos, é claramente uma acção humanitária digna de nota e a melhor resposta aqueles que, como o Vento, acusam a Europa de nada fazer. Os países ocidentais, e em particular a Europa, não têm lições a receber em matéria de acolhimento de migrantes e de humanismo.
No entanto, todos sabemos que a Europa não pode acolher todos os candidatos e que a solução para o problema de fundo não esta na abertura das fronteiras europeias ou sequer no aumento do numero de migrantes aceites.
Meu caro, poupe-me a delongas e a pensamentos pseudo-ideológicos numa tentativa de dar corpo ao que não tem.
E se quiser manter um diálogo cinjamo-nos aos aspectos em apreço e não a propagandas sobre a história passada e presente.
Muito teria para escrever sobre isto. Desde o desenho de fronteiras no oriente e médio oriente, desde a causa dos blocos (com os acordos de Yalta estabelecidos entre Rossevelt, Churchill e Stalin), que foram originados pela criminosa política nazi/fascista e na sua iluminação de criar um mundo superior consubstanciado na germanização, assim como os primórdios das guerras no médio Oriente, a crise do Suez, a tentativa do encerramento do porto de Acaba, os patrocínios na guerra Irão/Iraque, a criação do estado de Israel etc. etc. etc.
O que estava em causa foi o que anteriormente referi, e daqui não saio.
Propaganda é o que o amigo Vento tem estado a fazer para tentar apresentar os países ocidentais como sendo sempre os maus da fita desculpando assim sistematicamente os regimes e as ideologias totalitárias que são os principais responsáveis pelo atraso económico e pelas guerras que estão na origem do actual fluxo de migrantes e refugiados.
Parabéns por sua arguta percepção.
A UE tem de continuar a controlar a migração e, para este efeito, devem ser tomadas medidas que permitam passar a mensagem para o resto do mundo de que apenas refugiados que correspondam aos critérios estabelecidos poderão vir a ser aceites. Alguns dos países europeus, começando na Hungria e acabando mais recentemente na Dinamarca, tiveram a lucidez e a coragem de chamar a atenção para este facto e de não ceder à tentação imediata do facilitismo e da demagogia abrindo as fronteiras e prometendo mundos e fundos aos migrantes.
3. Expansionismo
O Vento fez bem em lembrar a anexação pela Rússia da Crimeia e do leste da Ucrânia , com o pretexto de defender um suposto “Espaço Vital”, bem como a aparente existência de “interesses vitais” que justificam que a Rússia , mantendo-se fiel à estratégia do tempo da URSS, continue a apoiar o regime siriano (nestes dias com uma ponte aérea para o transporte de armamento e até de … soldados russo) e as ambições nucleares do Irão.
Vento, não se incomode !
O Pedro Correia tem a sua linha “editorial” e tudo o que a puder suportar estará sempre em destaque.
Quanto ao comentário em destaque provavelmente foi feito por uma pessoa que tem as costas quentes e que sabe que o que está para vir dificilmente lhe tocará.
EU SOU FRONTALMENTE CONTRA PORTUGAL RECEBER REFUGIADOS e tal como eu dezenas de milhares de Portugueses que são silenciados pela comunicação social ao serviço da Maçonaria e pseudo Donos de PORTUGAL.
Os amantes da globalização e federalistas que os aturem.
William Wallace,
Ficava-lhe melhor se não fizesse considerações ad hominem ” sobre uma pessoa que não conhece de lado nenhum…
Tenho a impressão de que não percebeu bem o sentido dos meus comentários …
Eu não sou a favor de uma politica europeia de fronteiras abertas aos migrantes e aos refugiados. Antes pelo contrario.
Aceito que, face ao actual fluxo de migrantes, a Europa possa, por razões essencialmente humanitárias , acolher um numero mais significativo de refugiados (e apenas refugiados).
Mas penso que este esforço deva ser pontual e limitado.
Nas condições actuais é muito difícil fazer a diferença entre o migrante económico e o refugiado (em geral há uma certa mistura das duas condições).
A Europa não esta em condições nem esta vocacionada para receber todos aqueles que desejariam vir.
Os problemas que levam as pessoas a migrar não se resolvem na Europa.
Sou antes favorável a uma maior intervenção directa dos ocidentais, da NATO, contra o “Estado Islâmico “.
” Um decreto a reconhecer a cidadania faz-se em minutos e pode fazer-se já; um cidadão, isto é, o homem pleno e conscientemente integrado numa sociedade política civilizada leva séculos a fazer. “
Quem nos quer OBRIGAR a receber imigrantes e refugiados foi quem nos obrigou a prescindir da pouca independência económica que nos restava, foi quem obrigou centenas de milhares a emigrar porque isso favorecia esses países.
Estas pessoas que todos os dias sofrem e morrem vêm por desespero da destruição das suas Pátrias causadas pelos EUA em conluio com as Nações mais fortes da Europa, tentar negar estas responsabilidades, é o 1º passo para mais um erro para o qual eu e dezenas de milhares de Portugueses recusam colaborar.
A CARIDADE NÃO SE DECRETA, NÃO SE IMPÕE E NÃO ADMITE NUANCES !
“Quem nos quer OBRIGAR a receber imigrantes e refugiados …”
Ninguém nos obriga a receber refugiados (tanto quanto percebi estão excluídos os meros migrantes económicos ). Portugal faz voluntariamente parte de uma União, que tem as suas instituições e regras de funcionamento. O governo português defende o seu ponto de vista e, mesmo que eventualmente vencido, acata as decisões tomadas por essas instituições e de acordo com essas regras. Por sinal, nesta matéria do acolhimento dos refugiados, o governo português até se mostrou disponível para receber a quota que lhe cabe. Numa União pode-se discordar e votar vencido mas não faz sentido dizer que se é “obrigado”.
“… quem nos obrigou a prescindir da pouca independência económica que nos restava …”
Mais uma vez, ninguém nos “obrigou” a fazer parte e a mantermo-nos na UE. A decisão de pertencer à UE foi tomada tem sido regularmente confirmada pelas instituições democráticas nacionais. Sabemos que, como é natural, uma parte dos portugueses e dos partidos políticos que os representam prefeririam que Portugal não fosse membro da UE. Mas a verdade é que a esmagadora maioria não tem essa opinião e numa democracia é o que conta.
“… quem obrigou centenas de milhares a emigrar porque isso favorecia esses países.”
Mais uma vez, ninguém, muito menos nenhum pais, obrigou quem quer que fosse a emigrar. Os portugueses sempre emigraram à procura de melhores condições de vida. E, em geral, nunca se arrependeram e queixaram por o terem feito. Acresce que aqueles que emigraram nestes últimos anos o fazem em geral em circunstancias ainda mais favoráveis A emigração nunca foi nem é um mal, é uma oportunidade que cada um é livre de aproveitar ou não. E se hoje em dia uma parte dos portugueses que emigram o fazem porque não arranjam emprego à altura em Portugal, a principal responsabilidade é daqueles que durante anos e anos defenderam e aplicaram politicas que tornaram a nossa economia menos competitiva e levaram o pais à falencia.
Ha países que desejam e são favorecidos pela chegada dos nossos emigrantes ? Ainda bem, é precisamente por isso que eles encontram trabalho e são bem vistos. Devemo-nos sentir satisfeitos por eles e orgulhosos do nosso pais.
“Estas pessoas que todos os dias sofrem e morrem vêm por desespero da destruição das suas Pátrias causadas pelos EUA em conluio com as Nações mais fortes da Europa …”
Claro que as forças e os regimes ditatoriais e sanguinários da região, do Iraque de Sadam Hussein à Siria de Assad passando pelo Irão dos Ayatolas , pelo “Estado Islâmico ” e pelas varias organizações terroristas islamistas , não têm nada, mas mesmo nada, a ver com a situação na região e com o facto dessas pessoas sofrerem, morrerem e emigrarem !!…
“… eu e dezenas de milhares de Portugueses recusam colaborar.”
Não colabore, ninguém o obriga.
Há também milhares de outros portugueses que, bem ou mal, melhor ou pior, são a favor.
A resposta que me dá leva-me a direccioná-lo novamente para o comentário a que responde.
Ter uma visão global e não facciosa dos problemas / situações que se me deparam sempre foi um grande defeito meu.
Quando vejo os húngaros a porem pulseiras numeradas, códigos de barras, nos desgraçados que pedem auxílio e asilo, só me faz lembrar aquilo que não quero lembrar e que pensava ser passado. O problema é que está a tornar-se tão presente que me arrepia a alma.
Deixo-lhe 2 link’s com textos para reflectir mas reflectir mesmo.
http :/ aventar.eu /2015/09/06 a-tempestade-que-semeamos /
http :/ expresso.sapo.pt opiniao opiniao_clara_ferreira_alves /2015-09-04-As-lagrimas-de-crocodilo
Quanto ao resto eu pergunto porque é que as pessoas que estão a chegar fazem questão de virem sem documentos, você sente-se incomodada com o facto de lhes porem pulseiras mas não se incomoda de trazer consigo um cartão de cidadão que contém toda a informação possível sobre si e que está em bases de dados de acesso “livre” por empresas de saúde, de bancos, de seguradoras, etc , como se pôde depreender (para quem já não suspeitasse) do acesso a dados dos contribuintes por empresas e indivíduos alheios á Autoridade Tributária já para não falar nos próprios trabalhadores que provavelmente facilitarão e muito para não dizer mais….
Daqui a uns meses, muitos piedosos até vão clamar que Putin os venha salvar.
Não sei a razão porque vêm sem documentos e não posso pôr-me a imaginar que são isto ou aquilo. Felizmente não dou refugiada de guerra e como tal nem eu nem nenhum de nós, saberia como reagia que trazia que faria. São incógnitas que só quem passou por aí, poderá opinar. Um refugiado de guerra na pressa da fuga provavelmente a única coisa que se lembra é de fugir e na fuga, é provável que o pouco que trazem fique pelo caminho. Só eles saberão o porquê, mas deve ser muito angustiante, triste, devem sentir-se como um estorvo que todos querem ver pelas costas e isso machuca os sentimentos de qualquer um.
Só para dizer ao Vento e ao WW: quando destaquei textos vossos nesta mesma rubrica Comentário da Semana, noutras ocasiões, não me lembro nem de ouvir um reclamar que eu o tinha escolhido para me “escudar” no comentário dele nem me lembro de ouvir o outro protestar contra a escolha, que visava apenas “suportar a minha linha editorial”.
Qualquer leitor deste blogue pode confirmar isso. Basta clicar na etiqueta “comentário da semana”.
Enfim, lemos e ouvimos de tudo. Da parte de pessoas que aqui já mereceram destaque, por exclusiva decisão minha, e agora falam como se isso jamais tivesse ocorrido.
Registo, já sem surpresa, a deselegância de ambos.
Caro Pedro, eu não estou contra, nem tenho de estar, o destaque que segundo seus critérios pretende dar.
Se reparou a referência que eu fiz foi à sua pessoa, ao conteúdo e não ao destaque. O que me parece estranho é que perante as evidências e os factos, que são reais e não são adulterados, o Pedro persista cegamente numa teoria leste-oeste como se tudo se mantivesse na época da cortina de ferro.
Tenha paciência mas este tipo de alucinação que pressupõe a existência de um paraíso a ocidente e persiste também em contrapor os crimes e barbaridades que nesta área se praticam com os ventos de antanho só são um equívoco quando se desconhecem os factos. Mas uma vez conhecidos mantendo-se a postura eu entendo, na minha liberdade, que devo intervir.
Por sinal eu apenas tenho visto o Vento apontar “os crimes e as barbaridades” supostamente praticadas pelo “Ocidente”.
O que leva a pressupor que existe “um paraíso ” a “Leste”.
Tudo isto me faz recordar a propaganda comunista da “época da cortina de ferro” ! (atenção, a “cortina de ferro” não foi uma “alucinação”, existiu mesmo)
Meu caro, eu não posso oferecer-lhe os meus olhos para você ver.
“Presunção e agua benta …”
Parece que não resta ao meu amigo senão “dialogar” … consigo próprio !
Obrigado.
O que quis dizer e penso ter ficado bem patente é que o Pedro Correia só destaca textos que favorecem ou defendem a SUA linha de pensamento independentemente do seu autor quando existem dezenas de bons textos com argumentos sólidos que colidem com a mesma e não são destacados.
Eu como anónimo não estou interessado em destaques, estou interessado em elucidar quem lê o blogue e tentar dar uma perspectiva diferente da linha de pensamento único que nos é difundida por todo lado.
Por exemplo o meu 1º destaque foi sobre economia e era tão curto e saiu tão bem (escrevo sempre de improviso, na hora, apesar de reflectir sobre os assuntos) que até passou eventualmente por uma defesa ainda que condicionada, da actual doutrina económica o que manifestamente não era o caso.
Se o Pedro Correia acha que é uma deselegância escrever uma opinião fundamentada então espere pelo que aí vem.
Não tenho face, aliás odeio redes sociais e a superficialidade que por ali campeia, cada vez mais um retrato fidedigno da evolução da nossa sociedade e que a crise económica / social veio agravar e afirmo isto pelo facto de a minha condição de desempregado de longa duração (mas privilegiado ) me permitir todos os dias observar isso em todo lado onde vá.