«A minha mãe rezava de joelhos ao meio-dia, à noite, e de manhã ao acordar. Para ela, todos os dias eram dedicados a cumprir a vontade de Deus. À noite recapitulava sempre o que havia feito, dito e pensado, para verificar em que medida se harmonizava com a Sua vontade. As pessoas tendem a achar monótona uma vida assim, mas isso é porque o seu sentido lhes escapa. Na verdade, uma vida dessas nunca pode ser aborrecida. Nada do que nos acontece é sem proveito. Mesmo que vivamos atormentados por problemas, que sejamos doentes e pobres e feios, temos uma alma para carregar vida fora como um tesouro numa salva.»
Alice Munro, O Progresso do Amor, p. 12
Ed. Relógio d’ Água, Lisboa, 2011. Colecção Ficções. Tradução de José Miguel Silva

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Adorei ler “A Vista de Castle Rock” de Alice Munro. Tenho outro livro dela para ler, mas não sei qual o título em português (tenho a versão alemã). De qualquer maneira, sei que vai valer a pena 😉
Este é um livro excepcional, Cristina. Recomendo muito.
Excelente escolha, Pedro.
É pena que Munro não seja mais conhecida entre nós.
Para isso contribuirá, creio, o facto de uma grande parte de homens não gostarem de ler livros escritos por mulheres!
É verdade, Helena. Confesso que o mesmo se passou comigo durante muito tempo. Mas tudo mudou depois de ter lido ‘Mrs. Dalloway’, de Virginia Woolf: 98564.html
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/47
Depois disso li Jane Austen – e gostei. Li Charlotte Brontë – e gostei. Li vários livros da Rosa Montero – e gostei muito. Li este livro da Alice Munro – e fiquei logo com vontade de ler tudo o que houver dela. E acabo de ler ‘Nada’, de Carmen Laforet – um romance excepcional, que recomendo também.
Eu adorei o ‘Nada’ da Carmen Laforet, foi uma das boas surpresas literárias do ano passado.
Obrigada à Cavalo de Ferro!
🙂 Antonieta
Um dos melhores romances espanhóis do século XX, sem qualquer dúvida.
Que exagero!
Vargas Llosa também é um exagerado.
Veja lá você, anónimo(a), o que o Nobel 2010 escreveu sobre ‘Nada’:
«Meio século depois de ter sido publicado, este belo e terrível romance continua vivo.»
Para além dos 2 títulos acima mencionados, li na altura em que ela ganhou o Nobel o ‘Amada Vida’, o ‘Fugas’ e o ‘Demasiada Felicidade’: todos excelentes!
🙂 Antonieta
‘Amada Vida’ tenho aqui à mão. Para ler já de seguida.
Eu tenho o hábito de guardar recortes de jornais e revistas dentro dos livros. Agora ao abrir o ‘Amada Vida’ encontrei uma crónica do Padre Tolentino Mendonça precisamente sobre o último conto deste livro, que é o que dá o nome ao livro.
É um texto lindíssimo sobre o perdão e ainda bem que o guardei.
Mais um homem que gosta de ler livros de mulheres.
E penso que o Pedro vai gostar muito deste livro.
🙂 Antonieta
Tenho a certeza, Antonieta. Mesmo sem a bênção do padre Tolentino, fervoroso devoto do acordês.
“Mais um homem que gosta de ler livros de mulheres.” Muito honroso para as mulheres, não?
Joana Serra
Não me parece uma questão de honra ou desonra e digo já que acho patética essa história da guerra dos sexos. Ou gosto de um escritor ou não gosto, seja homem ou mulher.
Usei a expressão ‘livros de mulheres’ por ter sido usada num comentário acima, mas poderia ter dito ‘livros escritos por mulheres’.
Olhando para a minha biblioteca, a verdade é que tenho muito mais livros escritos por homens, o que não admira: eles levam-nos uns séculos de avanço.
Esclarecida?
🙂 Antonieta