O comentário da semana


Pedro Correia,

«Não me parece – nem é consensual – que o motivo [da origem da I Guerra Mundial] fosse expansionista. O Império Austro-Hungaro não tinha perfil para isso. Acredito mais que a ideia seria “eliminar” um foco de agitação política (a Sérvia) que poderia ter consequências sobre a sobrevivência do império. O que se passou depois é mais díficil (e, ao mesmo tempo, fácil) de explicar: é um pouco como naqueles filmes, com dois carros a ir na direcção um do outro a ver quem se desvia primeiro.

Neste caso, ninguém se desviou e deu no que deu.

Adicionalmente, é preciso ter consciência que uma guerra como a 1ª GM é quase impossível de se repetir: foi a consequência de uma fase transitória na teoria militar, que evoluiu fortemente em termos defensivos mas não foi acompanhada na parte ofensiva. Resultado, linhas de batalhas basicamente estáveis (ver http://www.bbc.co.uk/history/interactive/animations/western_front/index_embed.shtml para uma excelent animação) e mortandade aos milhões.

O que é mais interessante (se a palavra pode ser empregue) é que a 1ª GM foi, de longe, o acontecimento com mais impacto contemporâneo e está quase esquecida: a 1ª GM definiu a 2ª (muito por culpa dos vencedores), estabeleceu os novos alinhamentos nacionais na Europa e no Médio Oriente (o problema israelo-palestiniano “nasceu” com a queda do Império Otomano), alterou de forma irrevogável o panorama sócio-político da Europa (a título meramente de exemplo, foi responsável por “arrumar” de uma só vez com a preponderância da nobreza no Império Britânico – http://www.oldmagazinearticles.com/WW1_British_Aristocracy-Nobility_during_World_War_One_pdf) e marcou palco para todo o restante séc. XX e, pelo andar da coisa, séc XXI.»

 

Do nosso leitor Carlos Duarte. A propósito deste texto do Rui Herbon.

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