«Direita e Esquerda são tributárias de duas convicções perante o mundo. A direita não crê que exista possibilidade de ler o futuro, nem que a história seja processual e tenha um sentido. A esquerda tende a crer que a história é um processo e que, por isso, o futuro é previsível e paradisíaco (o sol da terra, remember?), com um mundo governado em paz depois de uma parte ter sido aniquilada por outra (classe – marxismo ou raça – fascismo).
Essa é a fundamental distinção – embora haja centenas ou milhares de nuances.
Sobre regulamentação, etc: há centenas de milhares de reguladores, apenas nos Estados Unidos. Em 1971, o tamanho das sanduíches servidas a bordo dos voos era regulamentada (sic) e o preço das viagens caro… Depois houve a liberalização… e o preço das viagens caiu quase 90%.
Toda a economia da URSS era regulamentadíssima e não conseguia satisfazer as necessidades básicas.
A regulamentação tem vários preços, que vão da perda de capacidade de inovação às liberdades individuais. Infelizmente, da regulamentação não surgem produtos novos. Quando o Prof. Salazar, que regulara ferreamente a economia, afrouxou a fivela no decénio de 60, Portugal cresceu bastante (com alguns anos com taxas de crescimento do PIB de 10%, nunca superadas até hoje).
Sobre o “capitalismo financeiro” o que se poderá dizer? Os tão malquistos subprime são, em si, uma ideia que permite trazer à economia milhões de valor real. Foram uma inovação e as inovações pagam-se, já que podem ter péssimas consequências. E a regulamentação, proibindo ou incrementando, não é menos perigosa.
É interessante o que diz sobre o clima. O clima muda? É da sua natureza mudar e a vida desapareceria se deixasse de mudar. A terra aquece? Já é mais questionável. Que seja sob efeito da actividade humana, não está minimamente provado.
Afirma que “há países pobres e países ricos, exploração dos recursos dos primeiros pelos segundos”. O Brasil é um país rico e, ao contrário do Chile, menos rico, está longe dos índices daquele. O que diz não explica esta situação.
Um conselho de direita? A navegação à vista. Desconfiar de tudo o que leve terceiros a subsistituirem-se aos verdadeiros titulares dos interesses.
E saber que não há amanhãs a que sacrificar princípios.
E ir por pequenos passos. Em Portugal, a democracia é quase inexistente. Precisamos de começar pela lei eleitoral, de modo a que os nossos deputados sejam escolhidos por nós e saibam que nos têm, efectivamente, de nos prestar contas. Contas miudinhas. As contas fazem as democracias e as “grandes ideias” fazem as ditaduras.»
Do nosso leitor Marcos. A propósito deste texto do Luís Naves.
