O comentário da semana (2)


Pedro Correia,

 

«O “acordo” [ortográfico] é essencialmente a adopção da norma brasileira.
“Ridículas”, classifica o insuspeito Houaiss as modificações que o “acordo” operaria no Brasil, adiantando que em Portugal são bem maiores.
Não sei o que entende por “escrever à antiga”. Escrevemos com a ortografia de Portugal em 2011, como escrevia Saramago. Ao invés, a ortografia brasileira que nos querem impor é dos anos 20 do século passado, tem 90 anos, e seguia as modas da “orthographia positiva”, que esteve em moda pelos anos de 1870 e que era coisa cediça já no segundo decénio do século XX, parte de diversas falácias e pontos de vista completamente ultrapassados.
O “acordo” é um mau casamento do agressivo nacionalismo brasileiro em versão ortográfica* com a pusilanimidade e saloiice portuguesas. Achar, por exemplo que farmácia é mais “moderno” do que pharmacia – quando o ph está vivo e de boa saúde nas línguas mais importantes do mundo – é, claro está, uma patetice. Que argumentos deste jaez convençam gente que os repete sem corar, serve apenas para nos lembrar que somos o país com maior taxa de analfabetismo da Europa (muito, muito longe da Espanha), que o Brasil tem 75% de analfabetos e que a iliteracia é transversal e marca toda a sociedade, lá como cá…
Há, no entanto, aspectos graves por esclarecer: os pareceres sobre o “acordo” (entre os quais um da Direcção-Geral do Ensino Básico e Secundário, fortemente negativo) foram ignorados sem que, contudo, fossem apresentados quaisquer estudos que os contrariassem, desconhecendo-se os fundamentos da decisão que os ignorou.»

*http://www.filologia.org.br/revista/artigo/5(15)58-67.html

 

Do nosso leitor BST. A propósito deste texto do Luís Menezes Leitão.

22 comentários em “O comentário da semana (2)”

  1. quando o ph está vivo e de boa saúde nas línguas mais importantes do mundo

    Este argumento espelha o provincianismo e as vistas curtas dos opositores à nova ortografia.

    (1) Vistas curtas: para essa gente o inglês e o francês são “as línguas mais importantes do mundo”. É claro que assim é, pois essa gente não sabe mais língua estrangeira nenhuma. Não sabe alemão, não sabe russo, não sabe italiano, não sabe mandarim, não sabe árabe. Sabe inglês e francês e o seu mundo acaba aí. Não sabe que em italiano não há h no princípio das palavras, que em alemã a ortografia segue a fonética, que o mesmo se passa em russo ou, de facto, em imensas línguas com a exceção dos adorados inglês e francês.

    (2) Provincianismo: para os opositores da nova ortografia, o português deve imitar as línguas das pessoas cultas, ou seja, o inglês e o francês. Porque aí, nessas línguas, é que está a iluminação da humanidade, o saber, a cultura. Todas as outras línguas, que a intelectualidade portuguesa desconhece, são irrelevantes. O português não deve imitar o alemão nem o italiano nem (muito menos) o mandarim ou o árabe, que são línguas que não interessam e que a intelectualidade portuguesa, de qualquer forma, desconhece. O que interessa é imitar o inglês, a língua que hoje em dia está na moda entre os intelectuais portugueses.

    1. Esqueceu-se de referir o chinês que é uma língua cuja escrita em nada segue a fonética e que precisamente por isso permite a todos os chineses ter uma escrita comum.

      Quanto à desastrada reforma ortográfica do alemão de 1996, também para adaptar à fonética, ela correu tão mal que em 1998 o Tribunal Constitucional alemão reconheceu o direito de todos os cidadãos a continuar a usar a escrita anterior. É o que a maioria faz.

      Isto de impor reformas ortográficas contra a vontade das pessoas lembra aqueles meninos que julgam fazer uma boa acção ajudando uma velhinha a atravessar a rua quando ela não quer atravessar a rua.

      1. Mesmo sem meter Tribunal Constitucional ao barulho, os portugueses também têm a liberdade de escrever como quiserem. Eu, por exemplo, já escrevia de acordo com a nova ortografia muito antes de ela ser oficialmente adotada. O risco que correm aqueles que não se adaptarem é, apenas, o de dentro de pouco tempo as outras pessoas se rirem do seu pedantismo.

        Quanto ao alemão, independentemente da reforma de 1996, que afetou muito poucas palavras, essa língua escrevia-se, e continua a escrever-se, basicamente de acordo com a fonética. Há exceções, geralmente em palavras de origem estrangeira, mas regra geral o alemão escreve-se de acordo com a pronúncia e não tem letras mudas.

        1. Olhe para as palavras alemãs “Schuld”, “Speer” “allgemeine”, “richtig”, “ausgezeichnet”, “jemand”, “verstehen” e poderia acrescentar uma infinidade mais. Não são de origem estrangeira. Experimente pronunciá-las como os portugueses lêem e vai ver se algum alemão o entende. E letras mudas não faltam.

          1. De facto. Olhando para algumas palavras russas, escritas em alfabeto cirílico, e tentando pronunciá-las como um português as leria, é altamente duvidoso que algum russo as entendesse. Daí se deduz, claramente, que a ortografia do russo nada tem a ver com a sua pronúncia. Não há dúvida. Estou esclarecido!

          2. Luís, a língua russa e a búlgara ambas utilizam o cirílico, aliás quem criou o alfabeto cirílico foram os búlgaros, e “deram de presente” aos russos. E porque falo ambas as línguas, posso afirmar que a ortografia corresponde a pronúncia, pura, tal como ela é.

    2. O sr. Lavoura trabalha-se por defender o indefensável argumentando com o árabe e o cinhez?! E vede, pois, nem lhe occorreu o grego, que cousa tam extranha…
      O sr. lavoura que se dedique à «ingrícola», que é o que lhe melhor serve.

    3. “Vistas curtas: para essa gente o inglês e o francês são “as línguas mais importantes do mundo”.”

      Pois, pelos vistos o Sr.Lavoura, como todos os acordistas vivem num mundo aparte onde os estrangeiros todos irão a acorrer a Portugal e o Brasil aprender a falar português, porque retiraram esse grande obstáculo de proporções titânicas que eram umas letras que não se liam e que agora o português irá ser falado em todo o mundo, irá substituir o inglês como a língua global e finalmente o nosso 5º império está concluído.

      “É claro que assim é, pois essa gente não sabe mais língua estrangeira nenhuma.”

      Pois, vai-se lá saber como é que os espanhóis que fez um AO ano passado(sem carácter obrigatório e impositivo ao contrário do português) sofrem também desse sintoma. E os ingleses não sabem mais, porque não precisam devido ao inglês ser aprendido e falado em todo o mundo (muito derivado ao seu passado colonial que abrangeu mais que o português, pois o Brasil e os PALOP’s não falam português porque acharam piada ao idioma…). Mas eu não sou inglês ou francês mas não é por ter ortografias que para si são “arcaicas” que não querem aprender a falar outras línguas.

      “Não sabe que em italiano não há h no princípio das palavras, ”

      Pois não, não tem, eles enveredaram por uma ortografia mais fonética que como querem fazer com o PT porque segundo os arautos do AO, irá “proj’tar” o prestigio da língua portuguesa, tudo bem, o italiano é um exemplo de uma língua fonética, onde é que estão as hordas de pessoas que querem tirar cursos ou ir para Itália falarem italiano porque tem uma língua fonética? pois…

      “em alemã a ortografia segue a fonética, que o mesmo se passa em russo”

      Essa frase revela completamente o total desconhecimento das línguas, provavelmente nunca foi a uma aula dessas línguas, o que as ortografias desses países não são, são fonéticas, o que não falta são também consoantes que não se lêem (então no russo, uff) acentos como o trema que foram retirados neste aborto ortográfico porque pelos vistos não era fonético suficiente.

      “Provincianismo: para os opositores da nova ortografia, o português deve imitar as línguas das pessoas cultas, ou seja, o inglês e o francês”

      Pois, pelos vistos, se o sr.Lavoura fosse o Ministro da Educação era erradicar o inglês e o francês das disciplinas das escolas, e meter toda a gente a aprender italiano, alemão como as línguas principais porque para sim essas são fonéticas (o alemão não é fonético) e as mais “evoluídas” e as línguas do futuro.

      “Porque aí, nessas línguas, é que está a iluminação da humanidade, o saber, a cultura.”

      Mais de 99% de livros, filmes, música estrangeira provêm dessas “línguas de pessoas cultas”.

      “Mesmo sem meter Tribunal Constitucional ao barulho, os portugueses também têm a liberdade de escrever como quiserem. ”

      Vai dizer isso aos professores e alunos da escola.

      “O risco que correm aqueles que não se adaptarem é, apenas, o de dentro de pouco tempo as outras pessoas se rirem do seu pedantismo.”

      Como acontece na Alemanha, passada uma década depois, mais de 80% das pessoas escrevem “à antiga”. Mas eu gosto muito de rir da indução de erro e do “faz-de-conta” que escrever palavras como adotar (lê-se adutar) lê-se da mesma forma que adoptar (adótar)

      “Há exceções, geralmente em palavras de origem estrangeira, mas regra geral o alemão escreve-se de acordo com a pronúncia e não tem letras mudas.”

      as “exc’ções” são basicamente a regra, o alemão tem letras mudas, eles não retiraram o H, das ortografias europeias, a única que pode dar ao luxo de ser o mais próximo foneticamente é o italiano e nem 100% é.

      Ainda hei de perceber onde é que está a fórmula mágica que as línguas mais fonéticas equivale a maior prestigio, maior procura de aprender essas línguas que os acordistas andam aqui a apregoar…

  2. Fico intrigado porque meus patrícios portugueses não assumem as suas responsabilidades, tanto da quebra do país como do canhestro AO. Só pode ser complexo. Vamos dar nomes aos bois e exigir responsabilidades. Políticos populistas consentiram e incentivaram o AO. Parem de chorar o leite derramado. O iluminado Sócrates, depois de desastrosa governação, foi reeleito, de quem é a culpa? Esqueçam o Brasil que bem pode socorrer pobres desgovernados.

  3. O caso da cacografia brasileira anda aí muito pouco (e pessimamente) explicado, e é posto como feito consumado por órgãos de informação e algum jornalismo enfeudados ao comércio de lojas de dicionários e outras mais. Não tem de ser assim. É humilhante demais um povo como o português ser governado por tratantes que trabalham (sabe-se lá porquê…) em prol da estratégia internacional e da política externa duma potência estrangeira. E o pior é que o trabalho é tão fraquinho, tão fraquinho que nem tem ponta por onde se lhe pegue. O Acordo Ortográfico é um aleijão sem pernas para andar; é uma navalhada na alma de quem se exprime na língua de Camões; e é uma ofensa à moral e à boa fé pela simples razão de que chegámos a ele porque o Brasil quebrou sucessivamente os tratos que fez com Portugal.
    Exorto os autores do Delito de Opinião a fazerem jus ao nome do blogo e a assinarem a Iniciativa legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico (se é que a já não assinaram). É que, da maneira que se o caso vê na imprensa (salvos o «Publico» e o «Diabo») é quase herético quem apareça contradizendo a absurda cacografia. Se é que lhe dão voz.

  4. Lavoura, confessa lá que para defender este acordo é preciso ser tropicalista e estar condicionado ideologicamente. É que vocês não conseguem um argumento acertado para justificar o disparate de a grafia ter de seguir a língua falada (e que, normalmente, é falada mal).

  5. Ui. Ai de quem se diga a favor do Acordo Ortográfico nos dias que correm. É um sem fim de gente que pode até não saber escrever (o Bic Laranja, com toda a sua verborreia, dá um erro ortográfico por frase) nem ler (o sr. Lavoura não diz que o inglês e o francês são línguas menores, apenas que é uma falácia assumir que são as únicas línguas importantes).
    Falácias:
    – o Acordo não adota o critério fonético em tudo quanto é caso: apenas na grafia das letras ‘c’ e ‘p’ naquelas seis sequências quando não têm valor consonântico, eliminando a coisa estranha que era ter essas consoantes a servir de acento para abrir as vogais, umas vezes (acto), a não ter valor nenhum, noutras (actual), e a ter o valor de consoantes, noutras (com ou sem a vogal antecedente aberta: edicto);
    – o Acordo não cria muitos casos de palvras que passam a escrever-se da mesma maneira: são sempre os mesmos exemplos e não devem ser mais de 20, se tanto; qualquer dicionário mostra a quantidade incrível de homógrafos já existentes em português; sendo pessoas inteligentes, vivemos sempre bem com isso, chama-se “perceber o contexto e saber interpretar” e não custa à maior parte das pessoas;
    – o Acordo não inventou os casos de palavras que se escrevem da mesma maneira mas que se leem de maneira diferente, pelo amor de Deus: vivemos há décadas com sede de água na sede do partido sem problema nenhum; há centenas de casos assim (!) sem que com isso tenhamos mudado a maneira de ler as palavras;
    – o Acordo não cria uma coisa inaudita entre Egito e Egípcio: há dicionários que ensinam dicção e os captores têm cativos; de novo, não morremos por isso.
    Falácias que escondem verdadeiras razões: conservadorismo arreigado, antibrasileirismo primário e, sobretudo, tempo a mais nas mãos. Ninguém vos responde porque ninguém tem paciência para explicar coisas óbvias ou para discutir com gente que não sabe discutir (não ponho o meu nome, que esta corja, com tanta falta de argumentos e de nível, não me inspira confiança nenhuma). Espero que fique claro que não falo contra todos os que são contra o Acordo, que tem, de facto, muito de criticável e questionável. Mas há que saber discutir.

    1. Exactamente. Captivo devia ter p. Para quê persistir nos erros das modificações de 1911. Ha haver alterações na ortografia, deveria ser para corrigir estes pormenores e não aprofundá-los. Aperfeiçoar a língua e não dar cabo dela.

    2. fdx, só rir com estes acordistas que acham que são “modernos” e “vanguardistas” por terem “adutado” o aborto desortográfico e aqueles que criticam são uns provincianos e Velhos do Restelo.

      falácia é o que vejo aí escrito:

      “(o sr. Lavoura não diz que o inglês e o francês são línguas menores, apenas que é uma falácia assumir que são as únicas línguas importantes)”

      Não são as únicas importantes, mas são claramente as mais importantes a nível global, uma pessoa pode saber todas as línguas existentes no mundo mas se não souber
      o inglês ou o francês, fica completamente limitado. E aposto que vocemessê lê, ouve, vê e aprecia produtos ou serviços em que 90% desses estão escritos nessas duas linguas.

      “o Acordo não adota o critério fonético em tudo quanto é caso: apenas na grafia das letras ‘c’ e ‘p’ naquelas seis sequências quando não têm valor consonântico, eliminando a coisa estranha que era ter essas consoantes a servir de acento para abrir as vogais, umas vezes (acto), a não ter valor nenhum, noutras (actual), e a ter o valor de consoantes, noutras (com ou sem a vogal antecedente aberta: edicto);”

      Para já, na palavra acto a consoante muda não está lá para acentuar a vogal (senão a palavra ato do verbo atar diria-se âto) mas existe lá para manter a coerência com as palavras da família como actor, actuação, actualizar onde essas palavras precisam da consoante muda devido ao seu valor diacrítico, na palavra actual, é comum as pessoas abrirem as vogais, basta ligar para as noticias e os jornalistas abrem o A nessa palavra, mas também há pessoas que fecham. E o caso das consoantes mudas com valor diacrítico abrangem a maior parte das palavras que foram alteradas e acho piada aos acordistas apontarem as excepções como se fossem a regra, aliás esse é um dos “obj’tivos” deste AO, fazer da árvore a floresta, e o edicto se continua a escrever-se com é porque o C pronunica-se, como foi deliberado no AO de 45 (que curiosamente este AO está a retirar) que mantêm-se por se pronunciarem e retira-se as que não se pronunciam PORQUE as consoantes mudas a seguir à vogal I e U não tem valor diacrítico ao contrário do que acontece com as vogais A E e O, por alguma razão apenas se retirou naquelas vogais, leia o texto do AO de 1945 e encontra as razões disso.

      “- o Acordo não cria muitos casos de palvras que passam a escrever-se da mesma maneira: são sempre os mesmos exemplos e não devem ser mais de 20, se tanto; qualquer dicionário mostra a quantidade incrível de homógrafos já existentes em português; sendo pessoas inteligentes, vivemos sempre bem com isso, chama-se “perceber o contexto e saber interpretar” e não custa à maior parte das pessoas;”

      As palavras homógrafas que como disse bem, são muitos, são um dos principais obstáculos que os estrangeiros tem sobre a língua portuguesa. E é com essas teorias pseudo pedagógicas à eduquês de perceber o contexto e interpretar as palavras que o estado da educação está como está, aliás o Nuno Crato até fala da estupidez dessas teorias aplicadas na Matemática no programa Plano Inclinado. E a questão de saber interpretar as palavras, eu vou interpretá-la e dizê-las como elas são mesmo, se ler receção, irei ler como recessão, conceção como consessão, directo – dirêto, director – dir’tor, etc. a questão da sede (sêde) e sede (séde) é um dos casos da estupidez das alterações que foram feitas em 1973 em que retiraram acentos por tudo e por nada, quando esse facilitavam a leitura e escrita. a verdade é que sempre escrevi vôo com o ^e nunca fui repreendido ou chumbei alguma cadeira por causa disso.

      “o Acordo não cria uma coisa inaudita entre Egito e Egípcio: há dicionários que ensinam dicção e os captores têm cativos; de novo, não morremos por isso.”

      o caso de dicção e dicionário está escrito assim devido ás alterações de 1945 que referi acima, no caso de captores/ cativo, cativeiro, basta ler as palavras, captores o A é aberto devido ao P que se lê (sim, não é um exclusivo das “malvadas” consoantes mudas.) e em cativo e cativeiro, o a é fechado

      “Ninguém vos responde porque ninguém tem paciência para explicar coisas óbvias ou para discutir com gente que não sabe discutir”

      Acho que é mais nenhum dos acordistas responde porque não sabe responder, é um bocado dificil justificar o injustificável, né?

  6. Longe, apenas agora me apercebo do destaque dado ao meu comentário e que agradeço.
    Vejo esgrimir o argumento do conservadorismo em relação ao à posição daqueles que não aceitam o \"acordo\" e ainda acusações de anti-brasileirismo. Quanto à primeira, creio que a «acusação» mais facilmente se aplicaria aos «brasileiros» (entre comas, por se tratar de assunto que, infelizmente, não diz respeito a 142 000 000 deles) que recusaram mudar em 1945. Quanto ao provincialismo, a ideia de que a ortografia está na disponibilidade dos governos para com ele firmar tratados internacionais «com cedências mútuas, etc.» é um idiotismo que ignora os limites que algo de tão complexo quanto uma ortográfico impõe a «negociações» e demais traficâncias: a ortografia tem as suas razões, que se sobrepõem às «boas intenções» de governos pouco letrados – e que ignoram pareceres de entidades oficiais sem dizer porquê – pelo que, antes de anti apenas descortino o ser vergonhosamente anti-democrático, desdenhando da oposição do escol intelectual português ( de Vitorino Magalhães Godinho a Eduardo Lourenço, conhecidos xenófobos…).
    Há ainda uma referência a imitação de outras línguas. O português não imita o francês ou o inglês, ou ainda a alemão ( em que se escreve, ainda hoje, muita philosophia). O português é legítimo companheiro dessas línguas, mantendo com elas as estreitas relações que as culturas nacionais europeias teceram entre si – e que exportaram para países como o Brasil, que as observaram com mais ou menos sentido crítico, chegando-se, em muitos casos ao mimetismo total, como é o caso da academia brasileira de letras, cópia da Academie Française, de quem copiou as fardas e as designações – chamando imortais aos seus membros, como fazem os franceses. Supõe-se que este papalvo plágio seja sinal de cosmopolitismo a contrastar com o provincialismo português, tão patente em Camões, Pessoa ou Saramago, este último triste produto de uma \"ortografia isolacionista\"

  7. Escrevo do telemóvel, vendo mal o que eu próprio escrevi momentos antes, o que origina lapsos. Deles apresento as minhas desculpas.

  8. «”É que isto não é uma questão linguística, é uma questão política, uma questão muito importante do ponto de vista da política de Língua no âmbito da Lusofonia”, sublinhou Malaca Casteleiro, membro da classe de Letras da Academia de Ciências de Lisboa.»

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