«Em 2001 Adolfo Suárez perdeu a mulher, em 2004 perdeu uma filha.
Para as tratar na doença hipotecou uma casa que tinha em Ávila, sua cidade natal.
Recusou qualquer benesse e não quis receber qualquer reforma pelos anos em que exerceu o poder político.
Vivia da advocacia.
Quantos se podem orgulhar disto?
Há uma grande diferença entre os homens de corpo inteiro e a praga de pigmeus que invadiu a política.
Infelizmente, e para nosso mal, são estes últimos que dominam as instâncias do poder praticamente por todo o mundo (com as honrosas excepções que conhecemos).
E o que me desgosta mais é ver as lutas estúpidas e “pequeninas”, motivadas apenas por razões ideológicas (e por falta de inteligência), que as facções da populaça mantêm acesa por todo o lado, também nos blogues: basta ver os comentários.
Como se não houvesse outra dimensão para os homens e para as coisas das nossas vidas, incluindo a política que nos governa.
Afinal, a qualidade das «elites» que nos comandam (nos mais variados níveis) resulta muito da qualidade dos comandados.
Nelsons Mandelas e Adolfos Suárez há poucos porque haverá poucos que os merecem?
Ou porque haverá poucos que os ajudam a florescer mesmo merecendo-os?»
Do nosso leitor António Pedro Pereira. A propósito deste meu texto.


Adolfo Suarez tinha renunciado ao seu vencimento como ex-presidente do Governo .
Em 1995 o Banco Banesto procedeu à execução da penhora e ficou com a casa .
Assim foi. Sem qualquer tratamento de excepção. O que de algum modo serve para medir a sua estatura de político.
Hoje, elogia-se Adolfo Suárez e Nelson Mandela, mas só hoje porque tem que ser, para parecer bem porque no fundo, a moralidade das personagens passa-lhes ao lado . Passa-lhes ao lado porque eles não têm, nem tiveram, nada do que estes homens tiveram. Foram homens com H, porque acima de tudo, foram cidadãos que olharam, sobretudo para o bem do outro. Viveram, para as causas públicas e para o bem da sociedade, enquanto as personagens do hoje, vivem para eles e só para eles.
São figuras modelares, cada qual a seu modo. Seria bom que todos os políticos se inspirassem neles. O mundo ficaria certamente um pouco melhor.
Inspirarem-se não podem, ou não seriam o que são.
Alguns, perante exemplos como o de Suarez, talvez tenham um lampejo da sua própria pequenez e insignificância. Mais não será de esperar.
Mais um autor que quer coisas “grandes”
E ao mesmo tempo ataca a “ideologia”.
não tenho duvida que quem tiver amor a transparencia deve começar por criar eleitores esclarecidos. Os eleitos florescem ou não de acordo com os votos(ELEITORES) os adubam ou não. Expurgar o binomio gestor politico+ benesses desta interdependencia será o caminho mais curto para deixarmos de ser um paraiso de dinossauros corruptos. Clamar no deserto é só uma panaceia para a alma já que nunca será eficaz.
Apesar de tudo, julgo que os eleitores são mais esclarecidos do que muitos políticos pensam. É sempre um erro menosprezá-los.