«Quando se fala de greves e da estabilidade no emprego, onde está a minha estabilidade? O Estado garante à minha empresa o rendimento mensal necessário para pagar salários (primeiro), ao Estado (segundo) e aos fornecedores (terceiro) para ver se, no final de tudo, sobra alguma coisa.
O Estado garante-me as noites mal dormidas porque alguém se atrasou nos pagamentos e agora não sei a cinco dias do fim do mês onde vou desencantar dinheiro para pagar IVA, Segurança Social e os ordenados?
Fala-se dos Ferraris (como disse) e dos empresários que, tal como uma caricatura, devem ser anafados e de charuto. De ser fácil não ter de respeitar horários ou ter um “patrão”. Mas não se fala do peso na consciência de o negócio não andar tão bem quanto devia (quando acontece…) e ter-se 10 ou 20 ou 30 pessoas que sabemos que podem ficar mal de um momento para o outro e a responsabilidade é nossa (mas ainda quando, em muitos casos, ou se despedem todos ou não se consegue despedir nenhum, mesmo que a empresa afunde).
O Governo fala de “contribuintes cumpridores” e não perdoa um dia de atraso no recebimento de impostos ou contribuições para a SS. Mas devolver IVA não é com ele e quem o pede ainda se arrisca a ser inspeccionado pelas finanças porque – suponho – se tem lucro e a empresa é pequena, deve estar a fugir ao fisco (se for grande isso não se põe, obviamente).
Custa, custo muito a “prisão” de ter uma empresa, de não se poder pura e simplesmente mandar tudo às malvas – porque temos pessoas que dependem de nós, porque a empresa é uma parte forte de nós, porque, se calhar, até já é um legado familiar. Tem de se aguentar, de lutar dia-a-dia contra o desânimo, contra o Estado, contra alguns clientes que de honestos têm pouco (mas nada lhes acontece), contra os senhores sindicalistas (e os senhores políticos na televisão) a falarem do que não sabem, do que nunca viram ou do que já esqueceram – esses sim bem resguardados das agruras da vida.»
Do nosso leitor Carlos Duarte. A propósito deste texto da Patrícia Reis.

“… alguns clientes … os senhores sindicalistas … os senhores políticos … ” e os Exmos. Srs Juizes de um Tribunal que não tem a responsabilidade de governar ….
Caro Pedro Correia,
Obrigado pelo destaque, mas o comentário não passou de um desabafo, inspirado pelo excelente post da Patrícia Reis.
Alguns dos melhores comentários nascem assim, mesmo, Carlos. De um desabafo.
Vá aparecendo sempre por cá. Um abraço
E como corrigir esta instalada cultura de um pseudo-socialismo infantilizante e destrutivo?.
A Lei Eleitoral dá, inutilmente, Poder, de forma exageradamente concentrada, a quem não tem base de apoio -poder real- um PM hiper-dependente dos seus parcos 30.000 eleitores.
Por outro lado.
A Lei Eleitoral cria uma figura sem poder, um PR , decorativo -embora que sim, eleito directamente pelo o universos eleitoral- pelo que este terá sempre uma conduta mais ou menos exótica, senão ridícula e, porque de necessariamente apoiado por partido, tudo menos isenta.
O “monstro” que resultou deste restrito jogo de interesses, só poderá ser dominado por uma AR com poder real, em que os seus titulares ***sujeitos a escrutínio eleitoral directo*** obtenham de esse modo representatividade … e desejo de controlar a “coisa pública”.
Até lá … alguém, sem representatividade -os “lobis” partidários- continuarão a individar o que resta do País, inventando impostos a torto e a direito … para saciar egos e glutões.
No calor revolucionário de 74/75, não se admitia popriedade privada, os patrões foram saneados, os latifundiários expulsos de espingarda na mão e todos aqueles que tivessem uma empresa eram olhados de lado, por serem burgueses exploradores. Havia exploradores, sim (e há de sempre haver). Mas esse calor revolucionário esquecia-se (e esquece-se) do lado afetivo de quem cria uma empresa e de quem, como Carlos Duarte, se preocupa sinceramente com o bem-estar daqueles que emprega. E esquece-se do amor que se pode ganhar a uma herdade, que se deixa aos filhos.
Depois da II Guerra Mundial, estabeleceu-se o regime comunista na República Democrática Alemã e também muitas pessoas foram destituídas daquilo que lhes pertencia. Depois da reunificação alemã, em 1990, muita gente quis recuperar o que perdera. Tiveram de comprar as próprias terras, ou as terras que, outrora, haviam pertencido à família. Encontraram tudo destruído, tiveram de investir muito dinheiro da reconstrução das casas e dos campos, houve quem não conseguisse e, mais de vinte anos depois, ainda há quem lute por recuperar os bens.
Tudo isto para dizer que a felicidade humana também passa pela propriedade privada, ou pelo prazer de construir algo com as próprias mãos, o que muito contribui, a meu ver, para a impraticabilidade dos regimes comunistas.
Num debate a que assisti há pouco tempo, na televisão alemã, chamava-se a atenção para a crença, comum, de que quem sustenta a economia dos Estados são os grandes empresários. Na opinião dos participantes, um grande erro, pois quem verdadeiramente sustenta um país são as pequenas e médias empresas. Quantas mais, melhor. Criam emprego e não só. Por mais pequenas que sejam, livram do desemprego, pelo menos, aqueles que as fundam. E chegavam à conclusão de que será essa uma das razões porque a economia alemã funciona melhor do que outras, já que a Alemanha é um dos países da UE onde existe mais iniciativa privada.
Uma boa classe média, o “Mittelstand”, é o segredo do sucesso. E é isso que se anda a destruir, em Portugal.