O comentário da semana


Pedro Correia,

«Sou juíza e senti-me profundamente vexada pelas palavras do Dr. Mouraz Lopes. Soaram-me, como se calhar à maioria dos ouvintes, como uma chantagenzinha soez. É verdade que estamos a sofrer na algibeira a austeridade, mas na mesma medida que todos os outros portugueses e, principalmente, trabalhadores do Estado. Mas a minha capacidade e independência não são contabilizáveis. É um estado de espírito, ou se é honesto e probo ou não. Escolhi esta vida sabendo o que me exigia, e não é por hoje em dia me dar menos que deixo de ser menos independente, ou falhar no que me é exigível em termos de bem decidir. É certo que já não faço as ‘tiradas’ insanas que fazia outrora, e não trabalho aos fins de semana. Sinceramente, (já) não me pagam para isso, e isto não é um sacerdócio, é uma profissão, e tenho a minha vida para viver e os meus para acarinhar. Mas quando estou de serviço, confesso que o meu primeiro pensamento não é para a diminuição de vencimento. E se penso nesta crise e austeridade, muitas vezes é para dar graças pelo desafogo que ainda vou tendo. Lamento, isso sim, ver este meu país e o seu povo neste estado.»

 

De uma nossa leitora que se identifica apenas como juíza. A propósito deste meu texto. Abro uma excepção à regra de não incluir anónimos nesta rubrica semanal devido à relevância do comentário.

9 comentários em “O comentário da semana”

  1. Obrigado pelas usas palavras. Sinceramente quando ouvi essa declaração, julguei que mais valia entregar a pasta (fechar a minha empresa devido às dificuldades que sinto neste momento), mas ou ler a sua opinião acho que ainda vale a pena lutar por este país ou então nacionalizem tudo incluíndo a minha empresa.

  2. Não conheco as declarações que provocaram este comentário nem sei quem seja o seu autor, Mouraz Lopes. Mas, ainda que “facialmente” possa parecer muito agradável o que aqui está escrito, muito me repugna. Muito me repugna que um magistrado opine publicamente no regime de anonimato. E sim, a sua “capacidade e independência são contabilizáveis”. E apoucam-se, neste regime. Uma vergonha.

    Espero que nem eu nem os meus choquemos um dia com um juízo produzido por alguém de tamanha cobardia e indignidade. Indigno de ser magistrado num país democrático.

    E muito lamento que os meus compatriotas (de certa forma também “os meus”) tenham que sofrer esta rasca forma de exercer a cidadania por quem desempenha uma tão soberana actividade.

    1. Confessa o JPT que “não conhece as declarações que provocaram este comentário” mas atreveu-se a dizer que lhe repugna o que uma juíza escreveu, só por que esta escondeu sua identificação.
      Aqui está uma atitude que parece razoável, mas não é: o (ou a a) JPT, também a escrever sob anonimato, no caso para atirar uma pedrada, não teve pejo em esconder a mão. Isto para além de não saber verdadeiramente do que estava a falar.
      Por tudo isso, permito-me dar-lhe um conselho: informe-se (ou seja vá ler o que tudo o que a senhora escreveu sobre o assunto) e depois fale. Ou cale-se.

      1. “Tiro ao Alvo” a minha repugnância pelo anonimato na internet (que só um raciocínio tortuoso e desonesto, como o de Luís Lavoura em comentário abaixo pode generalizar) não se prende apenas com a cobardia anti-democrática que ele indicia. Também se prende com a higiene: o anonimato na “net”, e em particular nos comentários bloguísticos e nos jornais, está usualmente ligado com a mais infecta das ignorâncias e iliteracias (aquela que segue ufana e convicta de si mesma). É o caso, repugnante, que vossemecê afivela aqui, na mediocridade do seu “nick” (como dizem os anónimos), incapaz de ler o que tem à frente: um comentário assinado, com nome completo e vários outros elementos. Bastaria, se tivesse algo na cabeça que julga atirar no alvo, saber ler. Mas não, apenas mais um dos vermes que andam “nickando” cheios de si mesmo e da sua asquerosa cobardia.

        Quanto à magistrada anónima tenho a absoluta certeza que é mais um destes exemplares. Ciosa de si, cobarde, incidadã. E, pior do que tudo, ignorante.

        1. jpt,
          Diz que eu sou uma pessoa “incapaz de ler o que tem à frente: um comentário assinado, com nome completo (?) e vários outros elementos”, concluindo que bastaria eu saber ler, “se tivesse algo na cabeça”, para me insultar, considerando-me “apenas mais um dos vermes que andam “nickando” cheios de si mesmo e da sua asquerosa cobardia”.
          Fiquei varado: não me sentia tão ignorante. Só tenho pena de estar a usar casa alheia para lhe responder, uma vez que continuo sem saber a sua identidade, cifrada na sigla jtp, que não leva a lado nenhum, impossibilitando-me de responder-lhe como queria.

          1. Não tenha pena, quem invectiva em casa alheia em casa alheia recebe as respostas. Quanto ao resto, e já que se passeia opinando nas tais casas alheias com o ridículo “nome” de “tiro ao alvo” entenda o quão desajustado é ele. Está a ler blogs, estes incluem ligações para os comentadores. Convém saber isso para andar no tiro ao alvo. Antes de botar em registo atrevido

  3. Abro uma excepção à regra de não incluir anónimos

    Na internet quase todos somos anónimos. O Pedro dificilmente sabe se o meu nome é verdadeiramente Luís Lavoura; e, de qualquer forma, há mais do que uma pessoa com esse nome em Portugal. Qualquer pessoa pode facilmente assinar com um pseudónimo que se pareça com um nome vulgar (“João Pinto” ou “Adelaide Correia”, digamos).

    Além de sermos quase todos anónimos, nalguns casos há boas razões para o anonimato, como no caso de juízes e de muitos outros profissionais, que dificilmente podem exprimir livremente todas as suas opiniões em público.

    Pelo que, essa regra não faz sentido.

  4. Há quem diga que toda a gente tem o seu preço.
    Eu prefiro considerar que as pessoas são honestas ou não.
    Assim sendo, a independência dos juízes nunca poderá estar relacionada com a quantidade de dinheiro que levam para casa.
    Com tantos portugueses a serem impiedosamente castigados com a maior carga de impostos de sempre, o que ninguém compreenderia era que os juízes fossem uma excepção. Ainda que se tratasse apenas de mais uma, no meio de tantas…
    Ficaria melhor a Mouraz Lopes (uma aberração, o terceiro poder ter um sindicato…) manifestar a sua solidariedade para com os milhares de compatriotas que têm que recorrer à sopa dos pobres.
    Assim sendo, o meu aplauso para a autora do comentário da semana.
    Há duas coisas na justiça que são profundamente negativas para ela própria e, consequentemente, para o nosso país: a principal é a ineficácia, que deriva da sua lentidão e incapacidade de lidar com os chamados crimes de colarinho branco.
    A outra é o excesso de protagonismo que alguns juízes teimam em ter na nossa comunicação social.
    Que seria se não tivessem dever de reserva…

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