«Era e será a minha Livraria, ainda que, conforme muitos, não entrasse lá desde há algum tempo (ainda que, por questões particulares que não se prendem com a troca à modernidade). A Portugal, por questões familiares, está-me nos genes… e foi de lá que vieram toda a Enid Blyton; Astérix o Gaulês e todos os que se seguiram; os posters; os discos em vinil da área do jazz. Havia de ser em seguida o meu primeiro emprego, no grande e único (à época) Boletim Bibliográfico, que me permitiu manusear e sentir os milhares de livros que davam entrada. Atrás deles tive o previlégio de conhecer dois humildes mas Grandes homens; Jorge Pimenta e o Prof. José Pedro Machado. Foi a época do boom da “Rua do Carmo” nos inícios dos anos 80. Saudades sim dessa Lisboa onde ao meio-dia e meia de cada sábado saía para a rua e adquiria um LP na discoteca quase em frente. O cheiro a café que subia do Rossio; o som do violino com pai e filho junto ao elevador de St. Justa… o Arnaldo que deambulava rua acima e rua abaixo a dizer de sua justiça.
É autênticamente mais um pouco de mim que morre… da mesma forma que morreram as árvores da minha infância ou os meus primos queridos.
O Chiado de hoje continua a ter para mim o sabor bom de há 30 anos, através da Portugal. Daqui a meses já não terá… da mesma forma que para muitos de nós ele tenha sido alterado com a falta dos Grandes Armazéns.
Somos nós a passar pelo tempo e a deixarmos nele aquilo que vamos sendo. Garantidamente que não te direi para já adeus, Livraria Portugal.»
É autênticamente mais um pouco de mim que morre… da mesma forma que morreram as árvores da minha infância ou os meus primos queridos.
O Chiado de hoje continua a ter para mim o sabor bom de há 30 anos, através da Portugal. Daqui a meses já não terá… da mesma forma que para muitos de nós ele tenha sido alterado com a falta dos Grandes Armazéns.
Somos nós a passar pelo tempo e a deixarmos nele aquilo que vamos sendo. Garantidamente que não te direi para já adeus, Livraria Portugal.»
Do nosso leitor José Manuel. A propósito deste texto da Teresa Ribeiro.


Que sentido tem dar-lhe os parabéns pelo que escreveu, ou dizer-lhe como gostei de encontrar alguém que se lembra, como eu lembro, de onde vinham os seus primeiros livros?
E que sentido tem lamentar tudo isso?
Estamos num processo de perda tão intensa que, como nos tempos das grandes mortandades, a mágoa calejada nos ensina a indiferença.
Meh. Desactualizada, escura – os empregados mal-encarados. Viverá na memória como o Chiado de há 30 anos: escuro, bafiento e com gente mal-encarada.