A oportunidade da apresentação das medidas de austeridade do Governo ajuda, salvo melhor opinião, a confirmar a minha teoria de que José Sócrates procurou encurralar Passos Coelho e Cavaco Silva. Senão vejamos.
Primeiro, José Sócrates enganou Passos Coelho, dando a entender que os socialistas não estavam na disposição de enfrentar a realidade adoptando medidas de austeridade. Com isto, provocou uma reacção histérica de Passos Coelho e pressionou uma posição de maior inflexibilidade do PSD.
Depois, aproveitando o histerismo de Passos e a aparente recusa de viabilização do Orçamento pelo PSD, Sócrates ameaçou com a demissão, criando o clima necessário para provocar a entrada em cena de Cavaco Silva. Com isto, obrigou Cavaco a sancionar as políticas orçamentais do Governo, porquanto se não admite que Cavaco tivesse andado a pressionar os partidos para aprovar algo que fosse mau para o país.
Tendo conseguido a intervenção de Cavaco, Sócrates decidiu-se por fim a anunciar as medidas de austeridade que, dias antes, escondera de Passos Coelho, suavizando as críticas de todos os sectores e quadrantes e escapando às pressões internacionais (pode lá acreditar-se que estas medidas foram pensadas em 2 ou 3 dias?). Com isto, fornece ao PSD o espaço necessário para, seguindo as directivas de Cavaco, e em nome do interesse nacional, viabilizar o Orçamento (o que não significa que não tenha de desdizer-se, uma vez mais…).
Tudo somado, José Sócrates vai ter o seu Orçamento, sancionado pelo Presidente da República e com a anuência do partido que aspira substituir os socialistas. Pelo caminho, fez Passos Coelho passar por histérico, obrigando-o, aliás, a desdizer-se uma vez mais (teremos, quem sabe, mais um pedido de desculpas). Nos dias que correm, com a miserável situação do país e perante a escancarada incompetência técnica do Governo, não deixa de ser admirável.
(Postado originalmente, com adaptações, no Aparelho de Estado.)

Coclusão: Sócrates é um génio e Passos não tem dimensão política. Isto é o que eu penso e, se fosse ao PSD, tentava rapidamente trocar de líder.
Um post admirável, Adolfo.
Adolfo, fiel ao “occam’s razor” diria que há demasiadas variáveis em jogo e que a tua explicação é, salvo seja, excessivamente complexa. Abraço.
Meu caro, a realidade é isso mesmo: uma infindade de variáveis. Uns calculam-nas melhor do que outras. Veremos o que faz o PSD, se é que tem grande escolha… Abraço
Os amigos do Passos Coelho bem podem começar a encomendar-nos as coroas de flores.
Vai ser mesmo um lindo enterro, garantimos.
Caro Adolfo,
Fiz link.
Obrigado.
Abraço.